O SISTEMA MUNDIAL

Para compreendermos como funcionava a articulação entre os centros e as periferias existentes na época é necessário, portanto, que apresentemos, agora, como estavam estabelecidas as rotas pelas quais era realizado o comércio internacional.

Os centros geradores de poder exerciam também controle e serviam de ponto de partida das vias comerciais que ligavam o Ocidente ao Oriente tanto por terra quanto por mar. Estas rotas seriam conhecidas como a “rota da seda”, indicando a importância da circulação deste produto no mundo antigo.[1]A documentação chinesa nos indica os produtos que os comerciantes da dinastia Han gostavam de adquirir e/ou trocar no Ocidente: principalmente ouro e prata (escassos no território chinês), mas também uma lista[2] grande e bastante interessante, com a descrição de alguns produtos que até hoje são objeto de discussão: entre as pedras preciosas, a “jóia que brilha na lua”, a “pérola lunar” e a “pedra do rinoceronte assustado”, circulam entre chineses e indianos, ao lado do âmbar, dos vidros da Síria e do Egito; e ainda, o “Lang kan” (espécie de coral), jade, tapetes bordados, perfumes, madeiras e, quando possível, animais desconhecidos, muito apreciados pela elite e pela corte Han. O ouro e a prata provavelmente vinham da Espanha e, depois, do Báltico, onde, no século I d.C., foram descobertas novas minas.[3] Quanto ao vidro, os orientais pareciam saber que se tratava de um produto de Li kan[4], não tendo dificuldade para localizar sua origem. J. Thorley afirmou que, devido ao interesse em manter o monopólio das rotas que passavam por seu território, vez por outra os partos devem ter tentado enganar ou trapacear os orientais quanto à origem das mercadorias que negociavam; mas, contanto que fossem respeitadas suas fronteiras, as atitudes de desconfiança arrefeciam em relação aos estrangeiros, o que lhes permitia então serem mais abertos sobre a proveniência dos produtos.[5]

O coral mediterrânico também era extremamente apreciado por chineses e indianos, e os romanos, que não davam muito valor ao mesmo, tratavam de explorá-lo e revendê-lo aos negociantes orientais, interessados no produto pelo seu valor na Ásia. Já o vidro era trocado por quantidades razoáveis de seda, posto que os chineses não conheciam corretamente a produção do mesmo e tendiam, desta forma, a confundi-lo com alguma espécie de cristal.[6] Por fim, os bordados e perfumes parecem ter sido provenientes do Oriente Próximo, onde as províncias romanas produziam-nos em grande quantidade para exportação.[7]Existem também interessantes referências ao tráfico de escravos, que eram apreciados pelas elites chinesas por serem estrangeiros, com cores de pele e feições diferentes das suas, o que constituía um poderoso símbolo de prestígio.[8]

No que se relaciona ao Ocidente, porém, não foi preservada (ou talvez não se produziu) nenhuma lista do gênero, comparada à chinesa. Sabemos que, além da seda, os romanos e partos compravam especiarias da Índia[9], traziam de lá tecidos e objetos exóticos e admiravam profundamente a qualidade do ferro produzido na China.[10]

Na formulação deste sistema de trocas, os centros articulavam a produção das diversas periferias existentes direcionando-as para as vias de comércio estrangeiras. No caso de Roma, vemos que seus metais preciosos vinham, como foi dito, da Espanha e do Báltico; que o vidro e os tecidos provinham da Síria e do Egito; o coral, espalhado por todo o Mediterrâneo, era trabalhado para confecção de jóias em várias partes do império, inclusive no Norte; e da Escandinávia, região semiperiférica que fazia contato com as províncias romanas, provinha o âmbar, que era vendido em pedra ou utilizado na produção de perfumes na Palestina e em outras partes do Oriente Próximo.

Do mesmo modo, o império chinês controlava a produção e distribuição da seda, bem como vigiava o trânsito de mercadorias e a cobrança das taxas alfandegárias.[11] Aparentemente a seda era produzida em toda a China, mas o sul obtinha melhores resultados pelo seu clima ameno, mais adequado à vida das lagartas, o que conseqüentemente favorecia seu rendimento. O monopólio do Estado afetava também a manufatura do ferro, do sal e de outros produtos negociáveis no estrangeiro.[12]Em Roma, a intervenção do Estado nas atividades de comércio e produção não parece ter sido tão forte, e o seu direcionamento estaria mais espontaneamente ligado ao interesse econômico das elites locais em se articularem ao sistema do império.

Devemos agora analisar os aspectos geográficos relativos a estes contatos.

Como vimos, a idéia de estabelecer uma rota oficial da seda partiu do Imperador Wu Di (I a.C.), mas seu oficial, Zhang Qian, havia constatado que os comerciantes chineses já conheciam muito bem as vias de trânsito na Ásia central que levavam à Índia e ao Ocidente.[13]

Os pontos de partida das rotas terrestres eram Chang An e Luoyang, capitais do Império Han. A primeira, cidade de traçado geométrico, contava com uma parte específica do seu perímetro urbano destinada somente aos mercados, onde se misturavam negociantes de todas as partes da China, caravanas vindas do oeste longínquo e embaixadas dos mais diversos locais do mundo antigo.[14] Teria sido aí que os chineses haveriam recebido a “embaixada” de An tun[15] em 166 d.C. J. Gernet identificou ainda outras embaixadas (mais provavelmente caravanas) que teriam sido enviadas aos chineses em Luoyang e em Nanjing em 226 e 284.[16] Antes disso, porém, os chineses já haviam recebido também embaixadas da Índia (89 e 105 d.C.) e de Sumatra (132 d.C.), além das já mencionadas comitivas do Yung yu tiao de Shan (o rei da Armênia) em 89, 106 e 120 d.C.[17]

Da capital Han[18], a rota terrestre se dirigia à cidade de Fengsiang, a Oeste e depois, através da região do Gansu, à cidade de Anxi, onde se dividia em dois caminhos, o percurso sul e o percurso norte, que atravessavam diretamente o deserto de Liu Sha, conhecido por nós como Taklamakam. A diferença entre estes dois caminhos parecia residir única e exclusivamente na opção que se fazia pelos oásis ao longo de cada um deles. Ambos voltavam a se encontrar, já na altura de Kashgar, no final do Turquestão, em direção a Samarcanda ou diretamente para Merv, primeira cidade no território parto. Ao passar pelo Hindukush e pelo Pamir, os comerciantes chineses já se encontravam em território kushan, onde podiam transitar livremente mediante o pagamento de taxas, que ficavam guardadas em depósitos aduaneiros que foram descobertos por Wheeler.[19] Samarcanda, ponto importante desta rota por ser a confluência entre mercadores vindos do oriente e ocidente, esteve na maior parte do tempo em mãos kushans, embora durante um breve período os partos tenham tentado controlá-la através da imposição do reino Shaka, mas sem sucesso.

De Samarcanda seguia-se para os limites da Pártia. Havia uma proibição expressa por parte dos partos de que comerciantes estrangeiros pudessem passar por seu território, sendo obrigados a negociar seus produtos em Merv. Não temos conhecimento exato da extensão desta lei, já que são os chineses que a comentam; logo, não sabemos se eram apenas seus representantes e aliados que estavam proibidos de circularem pelo reino, ou se a proibição alcançava realmente a todos os comerciantes. É difícil precisar este ponto, já que os emissários e viajantes estrangeiros pareciam não ter a mesma dificuldade para circular pelo território, salvo em caso de exceções como a de Gan Yin. Mas esta situação era compreensível, se pensarmos que este enviado chinês representava alguma espécie de ameaça aos partos após a esmagadora vitória de Ban Chao no Turquestão. Era sabido que os chineses constituíam um império poderoso e expansionista; e, por isso, os partos não podiam conceder facilidades a potenciais inimigos.

De Merv, os comerciantes levavam suas mercadorias para o sul, em direção ao Golfo Pérsico, onde seriam negociadas com os árabes e/ou levadas para a África; ou então, continuavam a seguir as rotas para oeste, até a fronteira do império romano, passando necessariamente pelas suas capitais, Hecatompylos[20], Ecbatana[21] e por fim Citésifon, nas quais provavelmente as cortes retiravam sua parte nas mercadorias negociadas. Uma história (não comprovada) conta inclusive como os partos teriam apresentado a seda aos romanos de uma forma peculiar: em 53 a.C. Crasso, ao comandar suas legiões contra os partos, teria sido enganado por um truque no qual o tecido foi utilizado para refletir a luz do sol e cegar os legionários, que terminaram por ser destruídos pela cavalaria parta.[22] Esta narrativa bastante improvável não esclarece, porém, o fato dos romanos já conhecerem a seda bem antes disso: o próprio Julio César, contemporâneo de Crasso, tinha suas cortinas de brocado.[23] De Citésifon, as mercadorias fluíam através da fronteira pelo império romano, chegando a Petra, Tiro, Dura-Europos, Palmira e Damasco, além de Jerusalém. De Ecbatana existia uma estrada que levava diretamente a Zeugma e também a Antioquia, cidade em crescimento na época.

Destes mercados os produtos estrangeiros se propagavam pelos territórios romanos, e para os mesmo lugares de passagem afluíam as mercadorias que seriam levadas para o Oriente. Daí esta área do Oriente Próximo ser um constante motivo de atrito entre romanos e partos: dominá-la seria uma forma de assegurar, para os últimos, um monopólio ainda maior sobre o fluxo de produtos estrangeiros; e para os primeiros, um caminho pelo qual pudessem estender sua influência sobre o Oriente.

Observamos que a conformação desta rota estruturava em parte o trânsito comercial do sistema mundial. Mas existiam ainda outras rotas, que devemos analisar.

Voltando a Fengsian, encontramos uma via, em direção ao sul, que era mais utilizada na época do verão, posto que no inverno ele se tornava intransitável. Este caminho se dirigia ao Himalaia, atravessando a região do Sinkiang, onde foram catalogados inúmeros achados de mercadorias ocidentais e orientais negociadas nesta área através da rota.[24]Passando por aí, a rota seguia para o Golfo de Bengala, onde os chineses vendiam ou trocavam nos pequenos reinos hinduístas e budistas que não estavam sobre o controle dos kushans; ou, continuavam a seguir por terra, para oeste, até o mar da Arábia, já em território do reino Kushana ou ainda, subiam novamente em direção norte até chegarem a Taxila, importante cidade que fazia a ligação entre esta segunda rota e a primeira.

Parece-nos que esta via não era somente uma opção às rotas conhecidas como “principais” em determinadas estações do ano. Acreditamos que ela existia pela comodidade que oferecia aos chineses de negociarem grande parte do tempo em seu próprio território, oferecendo maior segurança. No entanto, é provável também que as mercadorias indianas e ocidentais lhes chegassem com um preço maior, devido ao grande número de atravessadores existentes até os portos de Bengala e na Índia central.

As rotas que atravessavam o mar, porém, é que atualmente despertam os fascínios dos historiadores.[25] Até recentemente, muito dos estudos que envolviam a possibilidade de existirem vias marítimas para o Oriente resvalavam no realismo fantástico, e por isso não eram devidamente analisadas.[26]A evolução da Arqueologia propiciou, no entanto, uma mudança deste panorama, que aliada à uma releitura dos textos clássicos, nos permitiram fazer inferências mais aproximadas sobre a realidade das trocas comerciais realizadas pelo mar.

Nesta época, os chineses não eram ainda grandes navegadores, preferindo dirigir-se para o interior do território. Mas acreditavam, de igual maneira, que dominar as áreas costeiras era importante para o monopólio do comércio, já que diversas frotas mercantes e embaixadas vinham por mar. [27]

Desta forma, podemos compreender o avanço chinês em direção à península da Indochina, chegando ao Vietnã e controlando aí os portos que faziam a ligação do império chinês com a Malásia e Sumatra.[28] Acreditamos que nestes portos os chineses já se misturavam com marinheiros de diversas nacionalidades, limitando suas ações de longo curso, tendo em vista que esta não é a época, ainda, em que a China será conhecida por formar grandes navegadores.[29] Os indianos (acompanhados aí, e em menor escala, de árabes, malaios, anamitas, africanos e ocidentais) conheciam bem as rotas que atravessavam o Golfo de Bengala e o Mar da Arábia. Vendendo as mercadorias nos portos existentes no subcontinente indiano, estes comerciantes marítimos tinham três opções a seguir: a primeira, vender aos pequenos reinos existentes na costa leste, margear todo o território até o outro lado, onde poderiam negociar em território kushan, ou mesmo, penetrar no Golfo Pérsico para se encontrarem com partos, árabes ou romanos. Os árabes achavam interessante também margear seu território até chegar à Etiópia e entrar pelo Mar Vermelho.

A navegação direta até a Índia, atravessando o mar Arábico na época dos ventos das monções é que deu origem ao Périplo do Mar Eritreu, manual de navegação que permitia aos ocidentais chegarem até os portos kushans com segurança e em tempo razoável através do oceano Índico. Plínio[30] e o Périplo discordam sobre algumas informações referentes à descoberta da técnica, mas o mais provável é que os ocidentais a tenham aprendido com os indianos ou com os árabes. Reid[31] afirma que a rota representada pelo Périplo era complementada por uma outra rota que atravessava todo o Índico tendo por ponto de partida a Indonésia e o Sudeste asiático. A esta rota ele dá o nome de Rota da Canela, mas não podemos afirmar com toda clareza se ela era utilizada com assiduidade pelos orientais nesta época, apesar de indicações positivas.

Os ocidentais não ignoravam também de todo as rotas terrestres: Ptolomeu[32] descreveu, por exemplo, um mercador de origem macedônia chamado Maes Ticianos que teria mandado enviados por várias rotas do Oriente para melhor conhecer os mercados e produtos, bem como as regiões de onde provinham e pelo que eram trocados.

Esta breve análise da estrutura das rotas da seda demonstra, por conseguinte, que o funcionamento do sistema mundial estava intimamente ligado à questão do comércio e que pelas rotas que atravessavam o território dos quatro grandes impérios da época transitavam os produtos que seriam utilizados pelas elites como demonstração de importância social e de poder político e econômico. Não obstante a função que o comércio possuía para o equilíbrio econômico de sociedades como as dos kushans e partos, vemos que existia também a troca de elementos culturais e técnicos entre o Oriente e o Ocidente; além da transmissão do Périplo, por exemplo, supõe-se que a balança utilizada na maior parte das transações em todas as rotas da seda teria origem chinesa[33], nos apresentando-nos, portanto, uma via de mão dupla no trânsito dos conceitos, valores e idéias que estas civilizações criavam e trocavam entre si.

Examinaremos, agora, a conformação deste sistema mundial. Já vimos os pressupostos teóricos sobre os quais construímos a idéia de sua organização, bem como sua disposição geográfica (as rotas da seda). Analisaremos, por conseguinte, as manifestações culturais, econômicas e políticas deste sistema nos centros hegemônicos chinês e romano, realizando também uma análise mais breve sobre as civilizações da Partia e de Kushana. Se até agora nos detivemos nas características gerais do sistema em questão, observaremos, neste capítulo, a vivência, por parte destas culturas, da importância do sistema mundial em suas estruturas de vida.



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[1] O termo “rota da seda” foi criado pelo especialista alemão Ferdinand von Richthofen, no século XIX, para denominar o circuito pelo qual transitavam os produto do Oriente para o Ocidente e vice-versa. Considerava-a também como uma via de trocas culturais importantes desde a Antigüidade. Sua visão da rota era eminentemente terrestre, no entanto, pois em sua época não se levava em conta a possibilidade destes contatos serem feitos por via marítima de forma confiável. Somente as descobertas mais recentes é que têm levado à contestação deste ponto de vista.

[2] Esta lista aparece no Hou Han Shu, LXXXVIII e no Wei lu.

[3] THORLEY, J. “The silk trade between China and Roman empire”., op. cit., p. 76-79.

[4] Síria.

[5] THORLEY, J., op. cit., p.75. Lembremos, porém, o caso de Gan Yin, que, colhendo informações acerca dos territórios ocidentais, foi enganado e/ou dissuadido de continuar sua jornada através da Pártia, tendo então que se contentar em voltar para o Turquestão, onde o general Ban Chao aguardava seu retorno.

[6] THORLEY, J., op. cit., p. 77 e também no Wei Lu.

[7] Plínio, o Velho, em sua História Natural, VIII, 196 acreditava que os tapetes bordados tinham sua origem em Pérgamo, mas é provável que se tenha equivocado, já que os métodos de produção dos mesmos parecem estar bem descritos em documentos mais antigos, como no Antigo Testamento: Êxodo, 28:6 e 39:3, segundo bem indica THORLEY, J., op. cit., p.77.

[8] Este tópico foi abordado em um texto meu intitulado Escravidão na China Antiga, redigido em Dezembro de 2000 para o curso de Pós-Graduação na UFF. Para saber mais sobre este assunto, pode-se consultar as obras de CH’U, T.T. Han Social Structure. Washington: Washington University Press, 1972 e de WILBUR, C.M. Slavery in China during the former Han Dynasty. Chicago: Field Museum of Natural History, 1943.

[9] Trimalquião, no Satiricon de Petrônio, apreciava os cogumelos vindos da Índia. Satiricon. Lisboa: Europa-América, 1973 p.41. Os romanos tinham algum conhecimento sobre a Índia, como indicam os relatos de Plínio, em História Natural VI, 23, além dos testemunhos dados por Ptolomeu; VII, VIII, 27 e do manual de navegação Périplo do Mar Eritreu LVI, como veremos a seguir. Cf. TCHERNIA, A., op. cit., p. 991- 1009; FREZOULS, E. “Quelque einsegnements du Periple du mer Eryhtrée”., op. cit., p. 311-319. Mas os indianos também conheciam os ocidentais, aos quais chamavam indistintamente de Yonacas ou Yavanas, termo este derivado da época de dominação grega nas regiões do norte da Índia (corruptela de jônios), tal como aparece no texto budista Milinda Panha, I, 2. Ver CIMINO, R. “The Yavanas”. op. cit., p. 64-74. Quanto aos produtos vindos da Índia, CIMINO, R. “Indian products exported to the west”., op. cit., p.80-83; “Roman products in the Indian emporia”., op. cit., p. 132-134 e WARMINGTON, E., op. cit., p. 145-260.

[10] GERNET, J., op. cit., p. 135.

[11] O fluxo comercial, intenso no norte o longo da Grande Muralha da China, era controlado diretamente pelo exército, que executava todas as funções possíveis, desde a segurança até a administração local. Isto fica bem demonstrado pelos documentos achados nas escavações da fronteira norte, e apresentados por LOEWE, M. Records of Han administration. Op. cit., p. 50-52; 60-63; 100-105; GERNET, J., op. cit., p.122-125.

[12] O já citado tratado Yantienlun (Normas do sal e do ferro) teria surgido provavelmente na época Qin (III a.C.), já com o intuito de regular várias atividades econômicas. Apesar da imprecisão na datação, sabemos que era largamente utilizado pelos imperadores da dinastia Han como referencial para administrar a economia.

[13] Shi ji, CXXIII e Han shu, XCVI.

[14] Apesar de ter sido bastante danificada no fim dos séculos I a.C. e III d.C. devido aos problemas políticos da dinastia Han, a capital foi reconstruída mais tarde pelos Tang (VII-IX d.C.) mantendo seu traçado original, do qual temos hoje conhecimento. MORTON, W., op. cit., p. 105-106.

[15] Liang shu, LIV.

[16] GERNET, J., op. cit., p.127.

[17] Hou Han shu, LXXXVI.

[18] Que seria conhecida pelos romanos como Sera metropolis, ou cidade da seda.

[19] WHEELER, M., op. cit., p.185-191.

[20] Ou Pathurva, Dangham, ou ainda em chinês Ban tou.

[21] Também conhecida por Hamadan. Tanto nesta nota como na anterior, resolvi optar pelo nome latino, já que os autores divergem sobre o nome que seria mais utilizado pelos partos para denominar suas capitais.

[22] ANQUETIL, J. op. cit., p.75-77.

[23] THORLEY, J., op. cit., p.71.

[24] MUSEUM OF SINKIANG UIGHUR AUTONOMOUS REGION The Silk road, fabrics from the Han to the Tang Dynasty. San Francisco, 1973.

[25] Cf. Notas 5 e 6.

[26] FINZI, C. Nos confins do mundo. Lisboa: Ed. 70, 1979. Foi um dos autores que buscou equilibrar-se entre as duas tendências (a História e realismo fantástico). Enquanto conduzia-se através do conhecimento de outros estudiosos, suas observações eram razoavelmente precisas; mas quando se decidia a fazer análises próprias, terminava por vezes em incorrer nos exageros e em hipótese históricas dificilmente comprováveis. Mas a questão parece ser realmente interessante, já que até Fernand Braudel dedicou-se ao estudo de algumas dessas idéias, como aparece no seu livro Memórias do Mediterrâneo. RJ: Multinova, 2000. O historiador e filósofo da História A. Toynbee (também conhecido por suas análises controvertidas) formulou, no entanto, uma observação interessante: “o realismo fantástico pode ser útil à História se utilizado para detectar brechas nos modelos construídos; mas não para responder-lhes”.

[27] No Song chu, cap. XCVII há uma citação sobre a vinda de negociantes e viajantes pelo mar pelo oceano do oeste (oceano índico), tanto de Da Qin (Roma) quanto de Tien Chu (Índia). É provável que a embaixada à que GERNET, J., op. cit., p.127 se refere, em Nanjing, também tenha vindo por mar.

[28] No Mekong, ainda no Vietnã, foram achadas moedas de Antonino Pio e Marco Aurélio em escavações arqueológicas nas áreas costeiras. Até 1979 (GERNET, J., op. cit., p.127), só haviam sido achadas poucas moedas; no entanto, depois disso foram encontrados outros materiais de origem ocidental que comprovariam este fluxo.

[29] Como Zheng He, almirante da dinastia Ming, que na época moderna explorou o Oceano Índico e Pacífico. Sobre o tema, um artigo interessante foi publicado por YAMAMOTO, T. “Atividades chinesas no Oceano Índico antes da chegada dos portugueses”. Diógenes. N.5. Brasília: UNB, 1983. p. 79-93.

[30] Historia Natural, VI Plínio chama o vento da monção de Hipalo; já no Periplus, LVII, Hipalo é o nome do grego que teria descoberto a monção. FINZI, C.., op. cit., p.183-185.

[31] REID, S. As Rotas da seda – caminhos marítimos. Lisboa: Estampa - UNESCO, 2000 p.15.

[32] Geografia, I, 11.

[33] MAZAHERY, A. “L’origine chinoise de la balance romaine”., op. cit., p. 833-851.