O IMPÉRIO ROMANO

No século I a.C. Roma, o centro hegemônico do Ocidente, estava desperto e sensível o suficiente para perceber os movimentos políticos e econômicos que se desenrolavam além de suas fronteiras orientais. Desde os tempos finais da República, os romanos já recebiam seda chinesa, além de especiarias, tecidos, pedras exóticas e outros produtos de luxo vindos do Oriente[1]. E tinham uma idéia razoável de como estas mercadorias chegavam até suas mãos, fosse por terra ou mar[2]. Sabiam, principalmente, que era através do comércio que se realizava uma importante ponte cultural entre o seu imperium e outras civilizações espalhadas pelo mundo.

Estes pontos nortearam, por conseguinte, algumas das ações desenvolvidas pelos romanos no campo político ao longo dos séculos I a III d.C. Observamos um longo processo de envolvimento das legiões romanas com as fronteiras orientais, notadamente nas províncias da Síria, Judéia, Arábia Petréia e com o reino da Armênia, além dos territórios disputados e invadidos por Trajano. Estas ações tinham os mais variados fins: defesa contra agressões partas, domínio de áreas de transito comercial, interferência na política externa, etc, mas nosso objetivo neste trabalho é verificar qual a relação destes movimentos com a dinâmica do sistema mundial e como ela era influenciada pelos acontecimentos históricos provenientes de regiões distantes como a Índia ou a China.

Uma tese em voga nas décadas de 1950 - 1960 apontava a necessidade de se estudar a interrupção da rota da seda como uma das causas de colapso do império romano[3]. Acreditava-se que havia uma correlação política e comercial muito forte entre Roma, Pártia, Índia e China, o que conseqüentemente transformava estes reinos nos mais poderosos e estáveis da Antiguidade. Eles funcionariam como centros agregadores de civilizações e, no momento em que a dinastia Han enfraqueceu-se, junto com a Pártia e os kushans, o equilíbrio mundial teria sido rompido, dando ensejo para que os povos nômades realizassem uma nova onda de ataques em diversas regiões da Europa e da Ásia[4]. A rota da seda funcionaria aí, portanto, não somente como via comercial mas também, como canal de informações e organizadora política da estrutura das periferias e semi-periferias.

Esta teoria não foi levada muito adiante, e não sabemos explicar porquê. É possível que a carência de uma base arqueológica mais completa (na época) enfraquecesse esta proposta; e não havia um modelo teórico que explicasse adequadamente o funcionamento deste sistema, o que deixava uma série de questionamentos sem resposta, formulando, conseqüentemente, o papel das relações entre Roma e o Oriente como um fenômeno menos importante, secundário, tão espontâneo que beirava ao acaso.

Devemos pensar que, na verdade, a História Antiga e o Classicismo, apesar de suas longas tradições, ainda estavam em pleno desenvolvimento de suas técnicas e métodos, o que fazia com que suas preocupações fossem outras. O estudo das relações entre Roma e China, por exemplo, foi feito algumas vezes, mas sempre de forma esporádica e não específica. Tanto o é que, de tempos em tempos, os estudiosos da área “esqueciam” que tais relações existiram e continuavam os seus trabalhos, centrados unicamente nos eventos ocidentais do império romano[5].

Com o advento de novas propostas teóricas estes antigos trabalhos puderam, no entanto, ser resgatados e avaliados dentro de perspectivas diferentes, que redefiniram seu sentido e seu valor para o estudo da civilização romana.

A idéia que surgiu desta iniciativa recente de estudar as relações entre Roma e China foi a de que ambas as civilizações não podiam ser estudadas de forma compartimentada, dado que havia uma influência cultural e política recíproca entre suas estruturas de funcionamento. Na prática, isso significava afirmar que vários dos seus acontecimentos e processos históricos estavam relacionados, e que um sistema formal de ligação existia entre as duas sociedades. Mas para comprovar esta idéia, seria necessário demonstrar que teriam existido trocas culturais (e não somente materiais) entre ambas; e, existindo tal intercâmbio, como ele se processaria.

Com um exame cuidadoso, podemos verificar que, de fato, a existência dos chineses não foi passada em branco na literatura romana. Na verdade, há uma grande quantidade de citações sobre o assunto, de que separamos uma parte para realizar esta nossa pesquisa[6]. Como vimos no primeiro capítulo deste trabalho, estas citações abrangem campos diversos, que utilizaremos aqui para abordar os aspectos políticos da relação entre romanos, chineses e orientais e, no seguir, como também as relações com os asiáticos influenciavam a economia e a cultura romana.

Retomando a idéia da importância da rota da seda para os romanos, verificamos que ela servia ao Ocidente como uma importante via de fluxo comercial, tanto para exportação como para importação. Os romanos possuíam diversas manufaturas cuja produção estava fortemente vinculada aos mercados estrangeiros, tanto dentro como fora dos limites imperiais[7]. É o caso do vidro e dos perfumes feitos na Síria e no Egito, que eram vendidos, no Oriente Próximo, para mercadores gregos, latinos, indianos, partos e até chineses, ocasionalmente. Estes produtos eram levados para todas as províncias do império, onde eram utilizados pelas elites locais como símbolos de ostentação, prestígio e civilização. Esta prática social, encontrada também na China, na Índia e na Pártia, dava ensejo a importação dessas mercadorias de luxo, que atingiam preços excelentes fora do limes romano.

Este teria sido um dos motivos que levou Roma a construir toda uma política de segurança forte nas províncias orientais. Envolvidos em freqüentes conflitos com os partos, seus perigosos adversários políticos, comerciais e militares, as legiões romanas tentavam garantir a posse de inúmeros nós comerciais onde transitavam os produtos estrangeiros, e sobre os quais os Estados podiam fazer suas lucrativas tributações[8]. Não podemos, por isso mesmo, minimizar o papel do comércio internacional no caso romano: ele exigia grandes recursos humanos e administrativos para ser realizado, o que provavelmente era feito em função do seu significativo retorno econômico e da necessidade de produtos de consumo conspícuo.

Politicamente, portanto, podemos afirmar que os romanos compreenderam existir uma relação entre o funcionamento de seu império, a manutenção de suas fronteiras e a importância do comércio. Este seria um dos motivos que fez Trajano, por exemplo, decidir-se por invadir e conquistar a Mesopotâmia, buscando, além de novas terras, uma saída para o Golfo Pérsico, onde existiam importantes portos visitados diretamente por árabes, africanos, indianos e até chineses[9].

Mas as relações dos romanos com os asiáticos datavam de tempos anteriores. Desde a época de Augusto os romanos buscavam ser conhecidos além de suas fronteiras, tanto no Oriente como na África. Na Res Gestae (o grande discurso de Augusto), este soberano afirmava receber as embaixadas da Índia, da Pártia, e de regiões fronteiriças ao limes imperial[10]. Isso significava, portanto, que os romanos mantinham relações com estes povos e, provavelmente, lhes enviavam suas comitivas também. Em 30 a.C, quando tornou o Egito uma província romana, Augusto organizou o primeiro serviço de ligação direta entre o Império e a Índia, o que possibilitou um maior afluxo de mercadorias orientais para as suas fronteiras, já que até este momento os romanos dependiam sempre dos atravessadores partos para conseguir a tão desejada seda e as especiarias malaias e indianas[11]. E não era só isso: para o mesmo Egito convergiam rotas comerciais provenientes da África e da Arábia, que traziam toda sorte de gêneros desconhecidos para os mercados do Império[12]. Com esta medida, os romanos conseguiram uma flexibilidade maior para adquirir os produtos de origem estrangeira, embora a navegação marítima ainda não pudesse suplantar o tráfico terrestre.

Foi por ocasião do governo de Tibério que os romanos e gregos parecem ter descoberto (ou dominado) a técnica das monções, que os permitiam ir para a Índia diretamente da África, sem a necessidade de realizar a navegação de cabotagem, que tornava o percurso bem mais demorado. Utilizando os ventos do Oceano Índico, os marinheiros ocidentais e árabes conseguiam fazer a viagem em questão de meses, dinamizando suas trocas com os orientais. É bem possível que os indianos já conhecessem estas técnicas antes, mas o fato é que, a partir do século I d.C. o comércio marítimo iria crescer de uma forma nunca antes vista nas mãos dos ocidentais[13].

Isso fica claro quando vemos os indicadores de utilização da rota marítima: no tempo de Augusto, possivelmente só vinte navios faziam o dispendioso percurso de cabotagem; em compensação, com a descoberta da monção, este número teria subido para cento e vinte navios anuais, e o preço das especiarias teria sofrido um significativo barateamento[14]. As técnicas de navegação teriam ficado gravadas no documento Périplo do Mar Eritreu, que fazia uma descrição extensa e abrangente sobre esta rota, relacionando inclusive os portos existentes na península arábica e na Índia[15].

A evolução desta política romana trouxe um desenvolvimento importante para o trabalho cartográfico ocidental, que não teve semelhante, nesta época, em nenhuma outra civilização, nem mesmo na China. Estimulados pelo crescimento das fronteiras imperiais e pelo afluxo de informações sobre outras culturas, toda uma geração de geógrafos se formou para apresentar aos romanos “o mundo no qual viviam”, valendo-se, provavelmente, de indicações, mapas e dados colhidos entre os viajantes e mercadores no período dos séculos I a.C. e I d.C. Isso se manifestou na confecção de mapas, que incluem a nação dos seres como um dos componentes do mundo. Estes seres, cujo nome deriva de serica, palavra usada para designar a seda, eram os chineses, que começavam a povoar o imaginário romano com seus produtos exóticos e seu poder desconhecido.

Estrabão, o primeiro deles, fez umas algumas menções a este povo, mas teve uma certa dificuldade em localizá-los[16]. Sua maior preocupação era, provavelmente, mostrar o mundo romano, e por este motivo as áreas periféricas exógenas ao limes ganharam contornos um tanto secundários. O mapa de Agripa, outro cartógrafo da época, apresentava esta mesma tendência[17]. Um comentário bastante significativo sobre o assunto foi feito no trabalho de N. Mendes:



A concepção de domínio universal também é expressamente veiculado por este mapa elaborado possivelmente entre o ano 2 e 10 d. C. atribuído a Agripa. Os dois espaços fundamentais que estruturavam o universo mental dos romanos são a Urbs et orbis terrarum. A Urbs é o centro do mundo, a cidade da vida social, do prazer, dos templos, da riqueza, da cultura e do poder. O orbis terrarum é representado gradualmente no momento da conquista por ocasião das cerimônias de triunfo. Ao longo do desfile eram apresentados os mapas com a lista das cidades, os nomes das montanhas e rios conquistados, projetando-se, conforme o conhecimento cartográfico da época, a forma e a distância das regiões submetidas. Após a cerimônia estes mapas eram pintados nos muros dos templos de acordo com o ritmo das conquistas. Evidentemente, por razões políticas e administrativas estes mapas tinham como objetivo visualizar a posse do mundo. Com o estabelecimento solene do Principado, em 27 a.C., consolidou-se a missão divina de conquista, dominação, pacificação e organização de todo o mundo pelos romanos sob o governo do Princeps. Tal concepção ecumênica foi veiculada pela Res Gestae Divi Augusti, cujo caráter figurativo pode ter sido o principal objetivo da elaboração de um mapa universal do mundo romano.[18]



Por este trecho, podemos inferir que o desenvolvimento cartográfico estava atrelado, de fato, à noção de construção do Império Romano. Há, porém, uma discrepância na reconstituição do mapa de Agripa, já que uma das versões apresenta os seres e, na versão de Nicolet[19], este povo não aparece. Como Estrabão também citou os seres, mas não vi até agora nenhuma reconstrução de seus mapas que os incluíssem, acredito, portanto, que a reprodução de certas localidades e povos tenha ficado a critério dos modernos desenhistas destes mapas, que tiveram obviamente que lidar com uma série de dificuldades técnicas para tal mister. Devemos adicionar ainda que uma reprodução completa de um mapa exige também um domínio completo do documento, o que torna mais complexa a tarefa. Por estes motivos decidi, assim, incluir as duas versões do Orbis terrarum de Agripa, observando, inclusive, que não são muito discordantes em linhas gerais[20].

Na verdade, o trabalho destes especialistas é impressionante: se o contrastarmos com as afirmações de alguns autores, tais como Horácio ou Lucano, ficaríamos a nos perguntar o que sabiam os romanos sobre os chineses. Horácio espalhava os seres, por exemplo, entre lugares diversos da Pártia e da Ásia[21]. Talvez sua vaga noção derivasse das imprecisas informações que deve ter recebido sobre o povo que havia, algum tempo antes, dominado inúmeros reinos na Bactriana e na Sogdiana[22]. Além disso, sua preocupação era de reproduzir, em poesia, a mentalidade romana sobre este povo, e sua origem seria algo secundário. Já Lucano demonstrou uma ignorância completa sobre os chineses, pondo-os perto dos etíopes![23]

Estes são exemplos isolados, porém, quanto ao desconhecimento dos seres. Mesmo Plínio Velho, que não era um geógrafo especializado, conseguiu muitas boas informações, e dos mais diversos tipos, a respeito dos chineses. Pompônio Mela, seu contemporâneo, produziu um mapa onde localizava os seres bem acima dos indianos[24]. Apesar de não estender o país da serica muito adiante no sentido do leste, a coordenada geográfica que ele havia apresentado não estava errada: aquela seria a região do protetorado ocidental Han, que na época estava relativamente abandonada por causa da crise sucessória chinesa do início do século I d.C. No entanto, a área seria retomada pelo general Ban Chao nos fins do século I d.C. É possível que Pompônio estivesse lidando com informações antigas, já que o apogeu do domínio chinês dos Han anteriores na Ásia central havia se dado no século I a.C., mas com certeza ele pôde contar com um material maior que o de Estrabão e Agripa para realizar suas pesquisas. Se observarmos com cuidado, a confusão que fez, na verdade, é semelhante à que os chineses faziam entre Da Qin e Li Kan: confundir o nome de um povo com apenas uma das regiões ao qual ele dominava.

Aliás, o próprio nome serica e seres parecem ser latinizações do nome chinês utilizado para designar o verme da seda, si.[25] O trabalho dos cartógrafos romanos não terminou por aí.

Já no século II d.C., Dionísio aumentava o número de povos citados em seu mapa[26]. Mas seu trabalho foi eclipsado pela grande obra de Cláudio Ptolomeu, Geografia.[27] Em relação aos seres (ou sines), Ptolomeu não economizou informações; além de sua descrição geográfica[28], este autor comentou acerca da Capital dos Sin, a Sera Metropolis, que seria a possível denominação romana para Luoyang. Informou-nos também sobre a já citada expedição organizada por um mercador macedônico chamado Maes Ticianos, que enviou emissários para conhecer as rotas da seda ao longo de toda Ásia[29]. E por fim, apresentou as viagens de um marinheiro chamado Alexandre[30], de origem incerta, que teria realizado uma viagem marítima até Catigara (que seria, para alguns especialistas modernos, o nome do porto de Haiphong, no Vietnã[31]). Este fenômeno teria uma ligação direta com a vitória de Ban Chao no Turquestão no século I d.C. e a aparição de enviados chineses em vários reinos com os quais os romanos mantinham contanto. É provável, portanto, que Ptolomeu tenha identificado um mercador e um marinheiro – entre muitos – que vislumbraram a possibilidade de entrar em contato direto com os sin e estabelecer uma ponte comercial mais rápida por terra sem as interferências constantes dos partos.

Como vimos, o trabalho dos geógrafos acompanhava atentamente o desenrolar dos acontecimentos políticos romanos em suas fronteiras. As periferias imperiais no Oriente, situadas em uma área de atrito cíclico com o reino da Pártia, serviam de interminável campo de batalha pela disputa de terras e nós comerciais. Nos tempos de Augusto iniciou-se uma sistemática interferência militar nestes territórios, o que incluía a anexação de alguns e a pressão política sobre outros[32]. Esta política teve continuidade por parte dos outros Julio - Cláudios: Tibério, por exemplo, anexou a Capadócia e a Comagena; Nero conquistou mais uma vez o reino do Ponto e negociou a suserania da Armênia com os partos depois de uma guerra que havia durado dez anos. Neste mesmo período ele reforçou a presença militar no Oriente, fixando mais duas legiões na área[33].

Com a ascensão dos Flávios, esta política não sofreu grandes transformações, embora alguns imperadores tenham sido obrigados a dar mais atenção ao norte do império. A presença gradativa de bárbaros ao longo do Danúbio e do Reno significava uma ameaça para as fronteiras imperiais, já que as intenções destes povos eram as mais diversas possíveis, variando desde agressões e saques até a busca de terras para o estabelecimento pacífico. A vinda destes povos estava diretamente ligada à pressão estabelecida pelos chineses contra os hunos (Xiong Nu), que forçaram o deslocamento de várias tribos da Ásia central em direção ao Oeste. Os Yuezhi, que tiveram sucesso em estabelecer-se na Índia, terminaram por empurrar outros povos em direção à Pártia e as fronteiras romanas[34]. E quando Kujula decretou a existência do império Kushan no século I d.C., a pressão exercida sobre eles promoveu a redistribuição de suas comunidades ao longo do Oriente Próximo e do Leste Europeu[35].

Como o domínio da rota da seda havia se tornado uma prioridade para chineses e kushans, as tribos nômades não encontraram facilidades para estabelecer-se em seus territórios originais. Aqueles que não foram sinizados, no caso do império Han, tiveram por opção continuar lutando nas fronteiras ou mudar-se para novas áreas. Este processo é que fez surgir a penetração dos nômades na Pártia, com os quais os reis arsácidas tiveram que lutar[36]; forçou também uma série de operações romanas no Danúbio, no Reno e na área da Armênia, contra a presença dos recém chegados alanos[37].

A chegada de Ban Chao no Turquestão parece ter mudado, no entanto, o rumo das campanhas militares no final do século I d.C. É possível que informações provenientes da Ásia tenham implementado os planos dos romanos em relação ao domínio do Oriente, pois as campanhas realizadas no final do século I e início do II não podem, praticamente, ser dissociadas dos movimentos políticos e militares da época.

Nesta época, Trajano - o soberano com o qual Roma alcançou a maior extensão de suas terras - iniciou a guerra contra os partos, levando os domínios romanos até a Mesopotâmia. Os kushans estavam pressionado as fronteiras leste da Pártia e os chineses pareciam dirigir-se para o mar Cáspio. É provável que houvesse uma certa expectativa de que este reino caísse de uma vez, já que suas relações estavam abaladas com os Han e nunca foram muito boas com os indianos[38]. Neste período vemos, portanto, uma grande movimentação de embaixadas diplomáticas nos mais diversos sentidos: os armênios já tinham enviado a primeira, em 97[39], buscando apoio dos chineses contras as pretensões romanas e partas, o que terminou sendo em vão: Trajano assume o poder em 98, e tornou a Armênia uma província romana em 114[40]. Mesmo assim, este reino recuperou sua soberania em 117, e em 120, enviava embaixada para os chineses, como atesta o Hou Han Shu[41]. Os partos também haviam remetido a sua comitiva, em 101, provavelmente com o mesmo fim de conseguir manter boas relações com os Han, mas em 115 Trajano invadiu o seu território e, numa única campanha, chegou até o golfo Pérsico, conquistando inúmeros vales férteis e cidades comerciais importantes, além da tão desejada ligação com o oceano Índico[42].

Mesmo com a pressão dos kushans, porém, os romanos não deram fim aos partos, e o sucessor de Trajano, Adriano, recuou as fronteiras para Oeste, desistindo do caminho para a Índia. É provável que esta atitude tenha sido tomada devido à exaustão dos recursos de Roma para manter as áreas tomadas dos partos. Ainda assim, o Império continuou a reforçar sua presença militar nas fronteiras, deslocando um número cada vez maior de legiões para o Danúbio, para Anatólia e Egito[43].

Apesar de todos este conflitos, o período dos séculos I e II d.C. foi relativamente estável, e o comércio estrangeiro pôde desenvolver-se como nunca, graças à segurança das rotas marítimas e à proteção concedida às rotas terrestres. Somente no século III é que vemos um abalo profundo nessas relações a partir da queda dos Han, dos partos e dos kushans, acompanhada das invasões bárbaras em todos os setores do sistema mundial. Se retomarmos a teoria do colapso da rota da seda como um dos causadores da queda destes regimes, observaremos que, em certa medida, o equilíbrio de poder gerado pela presença dos centros hegemônicos tinha forçado a permanência dos povos não inseridos no sistema mundial para além das periferias. No momento em que os limites destes impérios fragmentaram-se, porém, as tribos nômades e seminômades vislumbraram a oportunidade de invadir os ricos territórios imperiais, o que se manifestou numa onde de ataques que foram sentidos na China, durante o período dos três reinos, na Índia, que foi desmembrada, e na Pártia, que foi tomada por um outro povo de provável origem nômade, os sassânidas.

Roma conseguiu, a muito custo, sobreviver a todas estas crises. Mas com o enfraquecimento (ou mesmo, desaparecimento) do poder dos outros centros hegemônicos, os romanos se viram obrigados a lidar diretamente com a sobrevivência de seus territórios, agora ameaçados concretamente pela presença dos godos e das federações bárbaras ao longo do Reno. No Oriente, os sassânidas[44] se mostraram inimigos tão poderosos quanto os partos, conseguindo retomar a Mesopotâmia e impondo suserania sobre alguns dos recém criados reinos indianos. Ainda assim, parece ter havido um regime de fluxo comercial nesta época, que continuava a ser uma fonte de renda importante nestes reinos.

A análise dos aspectos políticos mostra, portanto, que os romanos se inseriram no sistema mundial principalmente através de sua fronteira oriental, ponto de contato com as outras civilizações da Antigüidade. Sua ação deu-se, fundamentalmente, através do domínio dos territórios de passagem, onde o fluxo comercial gerava uma boa renda tributária e posições estratégicas vantajosas, e a evolução da concepção de mundo romano manifestou-se na cartografia extensa, que descrevia culturas pouco conhecidas antes da ascensão do Império. No entanto, a documentação não deixou clara a intenção política direta dos romanos, o que gerou uma série de discussões sobre o caráter defensivo ou ofensivo de seu imperialismo nestas áreas[45]. Sua postura sobre as civilizações orientais só pode ser inferida, portanto, pela movimentação territorial e militar que conduzia a atenção dos imperadores às fronteiras asiáticas. De qualquer forma, Roma estava inserida neste sistema de relações entre os centros hegemônicos, na medida em que assegurava o fluxo comercial, intervinha nas regiões de tráfego econômico e mantinha também os “bárbaros” afastados do circuito (conquanto estes não se submetessem a soberania romana). Roma, aliás, possuía o seu próprio sistema de articulação dentro dos limites imperiais[46]. Como produtor de mercadorias apreciadas no Oriente, o império romano integrava-se ao sistema mundial como gerador de elementos materiais e culturais que estariam presentes em diversos pontos da rota da seda, sendo empregados por elites dos mais diversos locais. E, conscientes da importância de sua posição, os romanos buscaram, conseqüentemente, estabelecer uma ponte cada vez maior com o Oriente, descobrindo novas rotas e caminhos que os levassem para a distante Índia ou para o país dos seres. As elaborações de um imaginário sobre estes seres e sua presença na vida romana serão mais bem analisadas agora, na vida econômica e cultural dos romanos.



***



Durante o período I – III d.C. o comércio e a produção manufatureira ganharam um significado cada vez maior dentro da estrutura econômica do Império Romano[47]. Sabemos que ambos estavam ligados ao trânsito de mercadorias dentro e fora dos limites imperiais, e que, no caso dos artigos estrangeiros, as fronteiras orientais funcionavam como um grande entroncamento de rotas, recebendo e escoando artigos de consumo conspícuo[48].

O impulso para o desenvolvimento desta produção parece justamente estar ligado à expansão do império (com a participação em novos mercados) e ao desenvolvimento da rota da seda, que servia como via de bons negócios para mercadores de todas as etnias[49]. A rota funcionava exatamente como um grande mercado, onde circulavam todos os tipos de gênero produzidos na China, Roma, Pártia e Índia, sem contar as regiões periféricas e semi-periféricas da África, Arábia, Sudeste Asiático, bem como os arquipélagos malaios e indonésios. Por isso mesmo os romanos deram uma atenção fundamental ao papel do comércio (e suas implicações sociais), analisando sua participação neste sistema.

Plínio, o Velho foi o primeiro a comentar o assunto, e não de forma positiva:



Todo ano a Índia, China e a Arábia levam de nosso império, numa estimativa direta de nossas importações, cerca de cem milhões de sestércios. [50]



E também:



Não há um ano em que a Índia não tire menos que cinqüenta milhões de sestércios de nosso império através de mercadorias que ela nos vende. [51]



Esta atenção dada por Plínio à questão do comércio indica que os contatos entre os mercadores ocidentais e orientais eram cada vez mais intensos, e o fluxo de mercadorias devia estar aumentando consideravelmente em relação ao período de Augusto. Este processo parece ter uma relação clara com a descoberta das monções pelos romanos e gregos, posta em prática, como vimos, na época de Tibério, o que dinamizou o tráfego marítimo entre o Egito, a Arábia e a Índia[52]. O que nos surpreende, no caso, é a precisão da informação que Plínio nos traz. Estariam mesmo os romanos tão somente perdendo dinheiro, envolvidos numa relação economicamente desfavorável? Algumas considerações interessantes foram feitas sobre o assunto.

Thorley[53] acreditava que Plínio estava correto, e que os romanos estavam provavelmente perdendo recursos com esta relação. Os argumentos de Thorley se baseavam nos problemas de fiscalização tributária do império, na preocupação egoísta da elite em sustentar seus luxos e na avidez dos mercadores. A listagem dos postos comerciais contidos no Périplo mostrava inclusive os produtos que os romanos podiam comprar dos orientais nos portos da Arábia e da Índia: animais, escravos, ferro e seda chinesa, especiarias, perfumes, pedras e jóias raras, madeiras, plantas, etc.[54] mas pouco apresentava sobre os locais em que os ocidentais podiam negociar seus produtos; alguns comerciantes reclamavam, mesmo, de que os orientais só gostavam de vender, mas não de comprar ou trocar.[55]

O próprio Thorley, porém, afirmou que Plínio havia sido capaz também de verificar quais produtos ocidentais eram mais procurados, o que demonstra que esta relação comercial não era de todo deficitária. Os negociantes estrangeiros gostavam de adquirir coral, perfumes, vidro e uma substância oleosa chamada storax[56]. Muitas vezes vendiam seus produtos por moedas de ouro e prata, que eram trocadas (provavelmente) por um sistema de peso equivalente. Plínio informou, ainda, que os romanos conseguiam bons tributos com este comércio[57].

Paul Veyne[58] criticou a visão pessimista sobre o comércio, afirmando que os dados fornecidos pelo historiador romano podiam até estar corretos, mas não, completos. Ele acreditava que Plínio negligenciou informações, pois estava envolvido na política de austeridade que havia sido promovida por Tibério, o que lhe dava ensejo para construir uma versão histórica na qual o luxo e o consumo conspícuo seriam responsáveis pelos déficits nos cofres do império. Suetônio[59] iria criticar depois a postura deste imperador, considerando-o um tanto quanto mesquinho e tirano. Na verdade, este literato era um daqueles que acreditava no direito dos romanos usarem seus produtos de luxo; uma demonstração de força e prestígio perante o mundo, um direito adquirido do qual o império não podia se privar. Mas as discussões sobre a questão do controle do luxo sempre foram complexas. Além de Plínio, Tácito também defendeu, posteriormente, a adoção de leis suntuárias.[60]

A visão de uma Roma deficitária permaneceu, porém. Os trabalhos de Mazahery[61] e Anquetil[62] insistiram nessa versão, acreditando que os romanos não possuíam mecanismos reguladores suficientes para impedir a evasão de capitais. O que faltaria a Roma, neste caso, seria uma interferência forte do Estado na economia, tal como acontecia nos casos chinês e parto[63].

Os últimos trabalhos publicados sobre o assunto, porém, são mais cautelosos. Tchernia[64] concorda com o engajamento ideológico de Plínio e Tácito, tendo em vista as péssimas experiências que Roma teve com imperadores opulentos, tais como Nero. Aponta também para a grande quantidade de moedas romanas que foram achadas na Índia[65], mostrando uma evasão significativa de prata e ouro para fora das fronteiras romanas, ponto validado pelo trabalho de Cimino[66]. Mas ambos, por motivos específicos, tiveram cautela em admitir que esta seria uma relação desfavorável para os romanos.

Em primeiro lugar, para haver a caracterização de um déficit comercial ou de capital, seria necessário avaliar quais setores econômicos foram prejudicadas, dentro do império, por este escoamento de moedas. Seria preciso verificar se os romanos de fato compravam mais do que vendiam e, por fim, concatenar estes dois pontos com o fato do Império Romano elaborar toda uma política de intervenção na periferia oriental para assegurar o domínio de regiões cuja forte era justamente a atividade econômica e manufatureira.

A análise dos processos econômicos mostra, no entanto, que neste período a atividade manufatureira só fez crescer, vinculada à exportação comercial; que vários dos materiais importados tinham um forte valor sistêmico, o que fazia portanto com que eles tivessem uma grande significação e servissem como bens de capital; e, como Roma era um dos centros hegemônicos, gerador portanto de uma parcela dos bens negociados na rota da seda, sua capacidade de negociar com as áreas periféricas seria vantajosa[67], o que faria com que os produtos e o número de moedas gasto nessas transações não representassem, assim, um fenômeno prejudicial ao equilíbrio econômico[68]. Pode-se imaginar, portanto, que o discurso de Plínio visava apenas recomendar que se evitasse o esbanjamento dos tesouros (tanto público quanto particulares), já que o equilíbrio da economia interna dependia destas reservas em tempos de crise. Sua afirmação pautava-se, provavelmente, numa certa prudência com os gastos, não encontrada nos imperadores seguintes (com exceção de Cláudio), até que a chegada de Vespasiano[69] inaugurasse uma nova política de austeridade.

O desenvolvimento da economia romana forçou, em definitivo, a melhoria do aparelho burocrático e a fiscalização deste comércio. Durante o período de Adriano, houve uma reformulação dos quadros e da estrutura de funcionamento da máquina administrativa, objetivando melhorar os rendimentos do Estado[70]. Sua intenção, provavelmente, era tirar partido das conquista de Trajano no Oriente, tendo em vista as perspectivas que se abriam com a aproximação dos kushans, a abertura de um caminho mais rápido para a rota da seda e – quem sabe – um contato direto com os seres, produtores da afamada serica que os romanos continuavam a consumir em profusão. No entanto, os altos custos de manutenção destas territórios, e o possível esgotamento das reservas materiais e humanas romanas forçaram Adriano a recuar as fronteiras do Império, abrindo mão, em parte, das vantagens advindas das campanhas de seu antecessor.

A estabilidade do império acabou por provar que a idéia do déficit romano é um tanto complicada, pois os Antoninos continuaram investindo a fundo no comércio internacional. Foi durante a época de Marco Aurélio, por exemplo, que haveria chegado a primeira “embaixada oficial” dos romanos na China, o que, mesmo sendo discutível, mostra que o comércio estava em plena atividade[71].

A diminuição deste comércio ligado a rota da seda só iria ocorrer, de fato, nos fins do II d.C. e III d.C., quando Roma também passou por sua crise durante a dinastia dos Severos. É impressionante pensar que, no mesmo século, os quatro centros hegemônicos foram desarticulados de suas bases de poder e, deles, apenas o Império Romano continuou, a duras penas, existindo. Somos tentados novamente a pensar qual a relação da interrupção da rota com as crises políticas deste período, e do ponto de vista econômico, podemos acreditar que a escassez de uma série de produtos nos mercados da rota tenham inflacionado seus preços finais, arruinando mercadores, compradores e manufaturas envolvidos no comércio[72]. Juntou-se a isso a desagregação do poder local, o que permitiu a grande série de invasões “bárbaras” em todos os cantos do mundo. Mas ainda assim, devemos crer que o tráfico de mercadorias de luxo, apesar de diminuir em volume, não deixou de existir. Como atestam os documentos chineses, mercadores ocidentais continuaram a aportar na China, com regularidade, mesmo depois do século III d.C.[73]

Este movimento tem que ser compreendido à luz da necessidade sistêmica destes produtos de luxo em todas as sociedades da rota. Tanto as mercadorias chinesas quanto romanas eram artigos de grande valor, que reproduziam as hierarquias sociais e políticas de todo o conjunto macro-cósmico envolvido no sistema de trocas até as menores regiões. Isto nos permite fazer uma clivagem positiva sob o papel das instituições imperiais romanas no desenvolvimento da economia. Nem tanto reguladora, mas atuante, Roma percebeu que o equilíbrio de sua sociedade, tal como o dos outros centros hegemônicos, dependia de uma articulação política forte que interferisse, de forma construtiva, no desenvolvimento das atividades econômicas. Isso não significou uma ingerência determinada, como a da China ou da Pártia, sobre os seus mercadores; mas a presença territorial e burocrática do poder romano também atuou, garantindo a implementação das atividades produtivas e comerciais nas periferias.

Assim sendo, o fenômeno que se realizou na China pôde ser visto também em Roma: uma articulação forte das periferias, através de uma exploração contínua de seus recursos que promovia, ao mesmo tempo, a inserção destes territórios num sistema maior, fosse pela sua participação como áreas de trânsito ou como áreas produtivas[74]. E o comércio internacional, fomentado por uma elite econômica, era então uma ponte através da qual se realizava um trânsito de capitais, bens, e mercadorias cujo valor sistêmico determinava sua utilização social como símbolos de riqueza e cosmopolitismo.

A rota da seda era um elemento presente e importante, por conseguinte, no desenvolvimento estrutural da economia romana. Não seria possível dissociá-la dos movimentos políticos e sociais que ocorreram neste período, tendo em vista que ela atuava não só no imaginário como na vida material do Ocidente. Obviamente, a análise de sua importância não minora o valor da atividade rural ou do comercio local que existiram dentro do império romano: na verdade, somos obrigados a investigar todos estes aspectos numa perspectiva holística, dentro da qual Roma se via inserida como agente ativo e passivo. Os processos de transformação da economia romana estavam vinculados a uma série de dinâmicas correlatas, simultâneas, que punham a existência do império na dependência de uma série de fatores endógenos e exógenos. Isso significa, na prática, que o Império Romano não pode ser entendido como uma civilização compartimentada, totalmente ocidental, na medida em que muitos dos acontecimentos que tiveram repercussão direta na sua vida cotidiana e material provinham de articulações políticas e econômicas provenientes de áreas além de suas periferias. Na verdade, tanto Roma quanto a China ou a Pártia buscaram descobrir uma série de padrões econômicos e ideológicos que poderiam ser aplicados em suas sociedades indistintamente, o que fomenta, então, a idéia de um mundo antigo muito mais extenso e complexo do que até agora foi percebido[75]. Se Roma engajou-se economicamente, portanto, na rota da seda, vejamos, agora, os desdobramentos dessa relação em outros aspectos.



***



Na investigação dos aspectos culturais romanos é que vemos o fomento de uma ideologia amplamente ligada à idéia de sistema mundial.[76] Poderíamos classificar os elementos de valor sistêmico em duas categorias: aqueles que atuavam em nível interno, estabelecendo a hegemonia romana sobre as áreas dominadas pelo império; e aqueles que diziam respeito ao padrão hierárquico estabelecido pelas relações entre os centros hegemônicos, ou seja, um conjunto de práticas e valores de caráter internacional que asseguravam aos mesmos centros hegemônicos a posição de civilização (na acepção romana ou chinesa da palavra), em contraposição às populações submetidas/ “bárbaras”.

O primeiro grupo é aquele do qual os romanos se valiam para estabelecer e ratificar suas divisões sociais, ordenando os grupos em função de sua posição, riqueza, cultura, etc.[77] O estabelecimento desta estrutura regulava os direitos e deveres da população, bem como sua parcela de inserção no sistema romano. Assim sendo, a posição de uma periferia na escala hierárquica do império era definida por um grupo de elementos que relacionavam a importância econômica, a assimilação da cultura romana, os estabelecimentos e prédios públicos, índice de urbanização, etc.

Num segundo nível, temos os valores sistêmicos comuns aos centros hegemônicos, que serviam ao estabelecimento das hierarquias em escala macro-cósmica. Este conjunto de elementos foi desenvolvido naturalmente, ao longo do processo de consolidação da rota da seda, na medida em que houve um gradual aumento do intercâmbio de idéias e saberes[78].

Tal conjunto diz respeito às práticas de reprodução de poder que eram compartilhados pelas elites do sistema mundial. Em primeiro lugar, o reconhecimento dos centros hegemônicos entre si através de um padrão civilizacional que usava o índice de urbanização como referencial. Os romanos não apareciam na documentação chamando os chineses de bárbaros, nem vice-versa. Para tal consideração, era necessário que uma sociedade reconhecesse a outra através do que ela era capaz de produzir, ou seja, por um grupo elementos técnicos e culturais altamente avançados que somente um centro hegemônico seria capaz de alcançar e concretizar.

Assim sendo, a construção de cidades, a produção de leis e costumes sólidos, e uma organização sedentária (em contraposição ao modo de vida nômade), eram os indicadores para o reconhecimento mútuo de centros civilizados.

Em segundo lugar, eram também elementos indicadores derivados deste reconhecimento, ou seja, a formação de um grupo de elementos materiais e culturais que serviam como indicadores de poder e prestígio (no caso os produtos exóticos estrangeiros), obtidos através de trocas comerciais (cujo significado político já foi abordado) e que eram utilizados nas práticas de ostentação e identificação das elites sociais. Este grupo era constituído, basicamente, por estas mercadorias de consumo conspícuo que demonstravam status social, posição política, etc. e cuja circulação era ampla (mas o acesso, restrito).

A articulação deste dois níveis produziu cenas singulares no imaginário romano em relação aos seres. Desde que a seda começou a ser difundida em Roma, ainda no tempo da República, começou a atrair a atenção de literatos e pensadores sobre sua origem e o povo que a fabricaria.

Horácio foi um dos primeiros a povoar seus poemas com citações dos seres, um povo



Corajoso, disciplinado, que vivia em companhia dos partos, indianos, báctrios, citas, dos povos do Tanus e do Danúbio, todos tendo respeito por Augusto. [79]


Mas



Cujas flechas são bastante perigosas. [80]



Não sabemos se o elogio às flechas dos seres era apenas uma criação sua ou se ele tinha razões para afirmá-las. Mas existiam grandes chances de estar informado a respeito do assunto, tendo em vista os grandes acontecimentos dos séculos II-I a.C. na Ásia central. Afinal, foi neste período que os chineses tomaram vastas áreas nas fronteiras da Índia e da Pártia, empregando uma infantaria que se valia de um grande grupo de arqueiros e besteiros; e deslocaram não menos de dois milhões de colonos para estas áreas[81]. Acreditamos ser muito difícil que tal deslocamento populacional passasse desapercebido pelos circuitos de informações que envolviam co comércio terrestre e marítimo.

E a idéia de que os seres poderiam ser, de alguma forma, perigosos foi levada a sério ao longo do século I d.C. Marcial, por exemplo, viveu tempo suficiente para ver a retomada do Turquestão por Ban Chao e a quase derrocada dos partos. Mas, confiante no poder de Roma, escreveu:



Ó nobreza dos partos e príncipes dos seres, trácios, sármatas, guetos e bretões, eu posso vos mostrar um verdadeiro César: vinde![82]



Marcial quis apresentar, em apenas um verso, todo o poder que o império possuía diante daqueles que, provavelmente, considerava serem os maiores rivais de Roma na época: partos, seres, “bárbaros” ocidentais e orientais. Mas ainda assim havia segurança no ar: era a época dos imperadores Antoninos, e o poeta morreu durante o governo de Trajano, em suas palavras o “verdadeiro César”.

Se Marcial deixou escapar a preocupação que tinha com os seres em diversos outros trechos[83], não era, porém, o único. Janvier[84] cita alguns outros autores que manifestavam a mesma tendência, considerando os seres uma potência que não podia ser desprezada de forma alguma.

No entanto, este longínquo temor foi acompanhado de uma certa curiosidade. Ovídio, por exemplo, informa-nos que



Os seres eram um povo habilidoso, capaz de produzir tecidos tão finos como fios de cabelo [85]



E mesmo o desconfiado Horácio havia descoberto que era a partir de árvores que



Os seres produzem os mais diversos tipos de seda coloridas [86]



Mesmo os geógrafos buscaram alguma informação sobre os seres. Estrabão[87] afirmava que sua vida era longuíssima, mais até do que a dos indianos. Existiram referências de que os seres apareceram em vários portos do Mediterrâneo, mas tal informação é passível de algumas dúvidas[88]. Mela também afirmou que



Esta [a nação dos seres] era muito vasta (...) e era plena de justiça [89]



Novamente surge a noção da lei como um elemento civilizador, que chineses e romanos atribuíam uns aos outros. E para terminar, Mela citava que os seres eram um povo de negociantes, impressão forte que os chineses devem ter gerado depois do estabelecimento da rota da seda[90].

O grande estudioso dos seres e da serica foi, porém, Plínio, o Velho. Este autor, famoso em seus dias por ser curioso e dedicado aos estudos, buscou o maior número de fontes possível para entender e explicar os seres. Desprezou o trabalho de Estrabão, que considerou falho e um tanto fantasioso[91], mas se dispôs a investigar com afinco a questão. Foi informado sobre como a seda era produzida, embora tenha se enganado em alguns detalhes; e descobriu também que o ferro que os romanos mais apreciavam provinha igualmente da China[92].

Plínio ainda nos informou de como a seda - e outros tantos artigos de luxo - eram empregados em Roma para a prática da ostentação. Numa passagem bem crítica ao luxo esbanjador das elites romanas, este autor nos diz:



É necessário que peregrinemos até o fim do mundo para que nossas damas possam envolver sua beleza com transparentes véus de seda, e os homens gastar suas posses na aquisição do brocado. [93]



Isso não impedia que ele recebesse, porém, relatos totalmente errôneos ou falsos. Durante o reinado de Cláudio, por exemplo, afirma,



Uma embaixada da Taprobana veio ata a corte (...) e afirmando que tinham relações comerciais com os seres, disse que este povo tinha cabelos vermelhos, olhos azuis, voz horrível e não falavam com estrangeiros. [94]



Esta parece ser uma atitude semelhante à que levou os partos a afastarem Gan Yin das fronteiras do império da Qin, tanto que o próprio Plínio parece não ter levado muito a sério esta informação[95].

Após Plínio, Tácito continuou a pregação contra o luxo excessivo romano, e para tal parece ter se informado sobre a serica e os seres.[96] Numa passagem bem objetiva, ele declarava:



O que lhe falta para intervir (o imperador)? (...) A indistinção entre das roupas masculinas e femininas, o luxo próprio das mulheres ou as pedras preciosas, pelas quais transportamos nossa prata para os povos estrangeiros e inimigos? [97]



Por estas passagens, fica patente que os romanos não pareciam ignorar de forma alguma a existência dos chineses. Na verdade, a atitude dos autores oscilava entre a curiosidade por um povo culto, um tanto misterioso e, ao mesmo tempo, poderoso, temerário, o que causava receios diversos na mente destes “soldados-cidadãos”. Os romanos tiveram diversas experiências diretas com os indianos e partos, mas os seres sempre estiveram separados deles uma grande extensão de terra, o que aumentava a curiosidade da elite romana. Havia consciência da importância do país da serica no mundo, no entanto os autores tinham a preocupação de vincular idéias que não desvalorizassem seu império em relação a ele (ou a qualquer outro), pois Roma era o centro hegemônico do mundo ocidental, e disso resultava uma cosmogonia na qual se acreditava que o equilíbrio da Terra dependia da ordem estabelecida pelo imperador (e pelo imperium)[98].

É fascinante notar, no entanto, que este tipo de idéia ultrapassou os limites fronteiriços e se difundiu por todo o sistema mundial. Como já citamos anteriormente, Roma adotou a cor púrpura para identificar sua realeza no Oriente e no Ocidente, os chineses apreciavam o uso de escravos “coloridos” para se destacarem em sua sociedade, ambos usavam o mesmo tipo de balança e métodos de troca para realizar o comércio, o que terminou por ser adotado por todos os outros povos envolvidos nas rotas comerciais, etc.

Roma e China apareciam aí, portanto, como definidores de parte significativa das práticas sistêmicas que se difundiram entre os centros hegemônicos da Antigüidade. O modelo desenvolvido por estas civilizações (em conjunto, depois, com partos e kushans) serviu de base ao desenvolvimento de todas as hierarquias sociais, políticas e econômicas que articulavam a existência do sistema mundial. As escalas destas relações eram gerenciadas em todos os níveis tanto pelas culturas originais dos centros hegemônicos como por uma outra cultura, específica, que pode ser entendida como geradora deste sistema mundial. Este saber ideológico, que fomentou o conceito de civilização na Antigüidade, não significava somente a manifestação de alteridade de um grupo de povos, mas a possibilidade deles se reconhecerem como civilizados e ainda, estabelecerem suas próprias hierarquias e divisões sociais baseadas numa idéia de cunho amplo, geral, embasada num consenso mundial que ratificava o conteúdo de suas próprias culturas. Desta forma, o outro passava a ser alguém que não apenas desconhecia o saber promovido pelo seu centro hegemônico, mas também, um saber que o inseria dentro de um mundo de alcance muito mais amplo.

Os romanos continuariam a escrever sobre os seres ao longo dos séculos III em diante, dando prosseguimento ao infindável debate sobre o povo distante que fabricava a serica.[99] Mas cabe-nos agora examinar brevemente a participação dos intermediários neste sistema mundial, os partos, os kushans e os sassânidas. Serei mais sucinto a respeito destes povos, tendo em vista que, muitas vezes, suas presenças estiveram relacionadas a uma série de eventos que já descrevemos acerca dos processos históricos que envolveram a estruturação da Rota. Mesmo assim, devemos saber um pouco mais sobre sua organização e seus papéis na dinâmica deste sistema mundial antigo.



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[1] THORLEY, F. “The silk trade between China and Roma empire”., p. 71-73.

[2] THORLEY, F., op. cit., 78-80; TCHERNIA, A., op. cit., p.996-1000.

[3] TEGGART, F., op. cit., p.1-66; 225-241; WHEELER, M., op. cit., p.213.

[4] TEGGART, F., op. cit., p.225-241.

[5] JANVIER, Y., op. cit., p. 280-303.

[6] Um excelente trabalho neste sentido foi feito por COEDES, G. Textes d’auters grecs et latins relatifs a l’Extreme Orient. New York: Ares Publisher, 1977.

[7] PETIT, P., op. cit., p. 270-273; ANQUETIL, J., op. cit., p. 61-96.

[8] GUARINELLO, N. Imperialismo Greco – romano. São Paulo: Ática, 1991. p. 63-78.

[9] REID, S. Rotas da seda – caminhos marítimos. Lisboa: Estampa - UNESCO, 2000 p. 12-16; TEGGART, F., op. cit., p. 121-170; WARMINGTON, E. The commerce between Roman empire and India. New Delhi: MLBN, 1995 p. 84-140.

[10] Res Gestae, XXXI-XXXIII.

[11] TEGGART, F., op. cit., p. 1-22; REID, S., op. cit., p. 20-21; GYSENS, J. “The intermediaries of trade”, p. 75-76; “Oriental traders in Greece and Italy”, p. 77-79 in CIMINO, R. et alli Ancient Rome and India : Commercial and Cultural Contacts between the Roman World and India, 1996.

[12] As rotas que atravessavam a Arábia eram conhecidas como rotas do inscenso, e traziam produtos do sul da península e da África. CIMINO, R. “Land and sea routes between Rome and India”. Op. cit., p. 25-27; WARMINGTON, E., op. cit., p. 6-34.

[13] CIMINO, R., “The "Periplus of the Erythraean Sea", op. cit., p. 8-9; FREZOULS, E., op. cit., p. 305-306; 323-325; TCHERNIA, A., op. cit., p. 991-999.

[14] REID, S., op. cit., p.20-21; AYMARD, A., “As trocas comerciais e culturais”., op. cit., p. 137 – 155.

[15] Périplo, LVII. Em FREZOULS, E., op. cit., p.320-325 encontramos uma descrição completa sobre o número de portos e os produtos negociados. O Périplo não cita os chineses, porém JANVIER, Y., op. cit., p. 268-269 afirma que os capítulos referentes (LXIV-LXVI) a eles foram perdidos. No entanto, podemos afirmar a existência destes trechos consultando a Geografia de Ptolomeu, que teria se valido do Périplo para obter informações sobre a Ásia.

[16] Estrabão - Geografia, XV, 1, 4; XV, 1, 37.

[17] Ver Mapa da Agripa 1, em anexo.

[18] MENDES, N. “As relações entre o princeps e o populus romanorum através do transcrito público”. p.39-49 Helade 2 (1), 2001 in www.heladeweb.com

[19] APUD MENDES, N., op. cit., p. 39-49.

[20] Comparar Mapa de Agripa 1 e Agripa 2 (mapas 13 e 14 em anexo).

[21] Epodes, VIII; 15.

[22] As campanhas de Wu Di na Ásia central, que tiveram seu ápice na segunda metade do século I a.C. durante os Han Anteriores.

[23] MORTON, W., op. cit., p. 82.

[24] Ver Mapa de Pômponio Mela do Chorographia – Mapas 16 e 17 (em anexo).

[25] FERGUSON, J. “China and Rome”. ANRW, II, 9-2, London: 1978 p. 582.

[26] Ver Mapa de Dioniso (mapa 18 em anexo). Não são muitas as informações sobre este autor. Acredita-se que seu trabalho seja de 124 d.C.

[27] Geografia de Ptolomeu; aproximadamente 170-200 d.C.

[28] Geografia de Ptolomeu, VI; 16.

[29] Geografia de Ptolomeu, I; 11.

[30] Geografia da Ptolomeu, I; 13-14.

[31] REID, S., op. cit., p. 12-16; MUQI, C., op. cit., p. 30.

[32] TEGGART, F., op. cit., p.1-66; MCEVEDY, C. Atlas de Historia Antiga. Lisboa: Verbo, 1990 p.80-82.

[33] MCEVEDY, C., op. cit., p.82.

[34] TEGGART, F., op. cit., p.121-170.

[35] TEGGART, F., op. cit., p.121-170; MCEVEDY, C., op. cit., p. 82-83.

[36] FRYE, R. The heritage of Persia. Cleveland: World Publisher, 1962 p.207-240.

[37] MCEVEDY, C., op. cit., p.84.

[38] TEGGART, F., op. cit., p.121-170.

[39] Hou Han Shu, LXXXVI.

[40] PETIT, P., op. cit., p. 265-301; GRANT, M. Civilização Clássica. Rio de Janeiro: Zahar, 1994 p. 216-217.

[41] Hou Han Shu, LXXXVI.

[42] MCEVEDY, C., op. cit., p.84.

[43] MCEVEDY, C., op. cit., p.84; TEGGART, F., op. cit., 121-170; FRYE, R., op. cit., p.210-230.

[44]LEE, A. Informations and frontiers – roman foreign relations in late antiquity. Cambridge: Cambridge University press, 1993 é um indicado estudo sobre o caso.

[45] Uma introdução sobre este assunto pode ser vista em GUARINELLO, N., op. cit., p.38-44.

[46] Sobre Roma e o seu sistema ver NASH, D. “Imperial expansion under the roman republic”., op. cit., p. 87-104 e ROWLANDS, M., op. cit., p. 1-13.

[47] PETIT, P., op. cit., p.270-273; FLORENZANO, M. O Mundo antigo: economia e sociedade. São Paulo: Brasiliense, 1994 p. 86-89; ROSTOVTZEF, M. História de Roma. Rio de Janeiro: Zahar, 1979 p.238-253; TEGGART, F., op. cit., 1969 p.1-66.

[48] WARMINGTON, E., op. cit., p. 6-34 e CIMINO, R. “Land and sea routes between Rome and India”., p. 25-27; AVANZINI, A. “The red sea and Arabia”., p. 53-59 e RAMAN, K. “Arikamedu: an important trading center with the west”., p. 165-166 in CIMINO, R. et alli Ancient Rome and India : Commercial and Cultural Contacts between the Roman World and India , 1996.

[49] REID, S. As rotas da seda – culturas e civilizações. Lisboa: Estampa – UNESCO, 2000.

[50] História Natural, XII, 41:84.

[51] História Natural, VI, 26, 101.

[52] REID, S. Rotas da seda – caminhos marítimos., op. cit., p. 12-16.; CIMINO, R. “Land and sea routes between Rome and Índia”., op. cit. p. 25-27 e WARMINGTON, E., op. cit., p. 6-34, 35-83 e 84-90.

[53] THORLEY, J. “The silk trade between China and Roman empire”., op. cit., p. 76-77.

[54] Périplo, LIV-LVII. Ver também FREZOULS, E., op. cit., p. 321-325.

[55] História Natural, VI, 62.

[56] Historia Natural, XII 124-125; XXIV, 24 e XIII, 18. Ver também THORLEY, J., op. cit., p. 77-79; FERGUSON, J., op. cit., p. 591-593.

[57] História Natural, VI, 2; 84.

[58] VEYNE, P. “Rome devant la pretendue fuie de l’or: mercantilisme ou politique disciplinaire?” Analles. N.2 Paris: ESC, 1979 p. 211-244.

[59] Vida dos doze Césares, II.

[60] Anais, III; 53 e também Plínio: História Natural XII, 41, 84.

[61] MAZAHERY, A. La route de soie. Paris: Papyrus, 1983 p.235-245.

[62] ANQUETIL, J., op. cit., p.80-81.

[63] Sobre os Chineses, cf. BIELENSTEIN, H., op. cit. p. 50-55; GERNET, J., op. cit., p. 138-141; KIRBY, E., op. cit., p. 106-117. Sobre a Pártia, ver FRYE, D., op. cit., p. 200-203; PAYNE, R. The splendor of Persia. New York: Knopf, 1957 p.31-39.

[64] TCHERNIA, A. “Moussons et monnaies: les voies du commerce entre lê monde greco-romain et l’Inde”., 1995.

[65] TCHERNIA, A., op. cit., p.1003-1005.

[66] CIMINO, R. “The monetary policy of Rome”., p. 24-34; “Roman coins in India”., p. 135 –141 in CIMINO, R., Ancient Rome and India…, 1996.

[67] TCHERNIA, A., op. cit., p. 1007-1009 afirma que na verdade existia uma certa diversidade de formas de troca, o que tornava o comércio entre Roma e Índia uma relação desigual e variável. Não se pode, portanto, afirmar que existiria um sistema único, o que torna a questão do fluxo monetário ainda mais complexa. Acreditamos na idéia do comércio ser em certa medida irregular, mas todas as referências aos métodos de trocas levantados para este trabalho apontam para uma certa uniformidade no processo de câmbio por equivalência por peso.

[68] Sobre as relações entre centro e periferias, cf. ROWLANDS, M., op. cit., p. 1-13.

[69] Vespasiano 69-79 d.C.; GRANT, M., op. cit., p.182-208; TEGGART, F., op. cit., p. 121-170.

[70] GRANT, M., op. cit., p. 182-208 e TEGGART, F., op. cit., p.121-170.

[71] Hou Han Shu LXXXVI-LXXXVIII; Wei Lu e Liang Shu, LIV.

[72] TEGGART, F., op. cit., p.1-66 e WHEELER, M., op. cit., p. 203-214.

[73] Chin Shu, XCVII; Song Shu, XCVII e Liang Shu, LIV.

[74] ROWLANDS, M., op. cit., p. 1-13; BUENO, A. Relações de Centro – Periferia na China Antiga. Curso de Pós-Graduação em História, Niterói: UFF, 2001.

[75] Ver o recente trabalho de ROBERT, J. Sur les routes de soie au temps de cesars. Paris: Belles Lettres, 1993; há uma versão em espanhol, De Roma a China. Barcelona: Humanidades, 1996.

[76] ROWLANDS, M., op. cit., p.1-13.

[77] Sobre a organização social romana, ver ALFODY, G. Historia social de Roma. Madrid: Alianza, 1988 p.130-140.

[78] O que seria considerado por TEGGART, F., op. cit., p. v-xii (prefácio) uma “estrutura relacional”, posto que ele não lidava com a idéia de sistema mundial. FERGUSON, J., op. cit., p.601-602 recuperou esta idéia, considerando-a em certa medida válida.

[79] Odes I,12, 53-57; III, 29, 27-28 e IV, 15, 21-24.

[80] Odes, I, 29,9

[81] MORTON, W., op. cit., p. 77.

[82] Epigramas, XII, 8, 8-10.

[83] Epigramas, III, 82,7; IX, 37, 3; XI, 8, 5;XI, 27, 11.

[84] JANVIER, Y., op. cit., p. 263 Sobre os seres: Silves, I, 2, 122-123; IV, 1-4 e V, 1, 214-216. Guerras Punicas, VI, 1-4 e XV, 79-81.

[85] Amores, I, 14, 5-6.

[86] Elegias, I, 14, 22.

[87] Geografia, XV, I, 34.

[88] JANVIER, Y., op. cit., p.265.

[89] Chorographia, III,60 Ver também JANVIER, Y., op. cit., p. 266.

[90] Chorographia, VI, 54.

[91] JANVIER, Y., op. cit., p. 267 e FERGUSON, J., op. cit., p. 583.

[92] História Natural, XXXIV, 145.

[93] História Natural, VI, 53-54; XII, 17 e XIV, 22.

[94] História Natural, VI, 84-88.

[95] JANVIER, Y., op. cit., p. 268.

[96] Anais, II, 33.

[97] Anais, III, 53.

[98] ROWLANDS, M., op. cit., p. 8-9.

[99] JANVIER, Y., op. cit., p. 261-267; FERGUSON, J., op. cit., p. 583-591.