<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7242339186088406966</id><updated>2011-11-13T20:02:53.530-02:00</updated><title type='text'>Rotas do Mundo Antigo</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7242339186088406966/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>13</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7242339186088406966.post-1191573772184718898</id><published>2008-07-13T09:40:00.001-03:00</published><updated>2008-04-17T17:51:09.355-03:00</updated><title type='text'>APRESENTAÇÃO</title><content type='html'>O objetivo deste trabalho é investigar como foi construído, entre os séculos I ao III d.C., um processo de relação e interação entre dois grandes impérios antigos, Roma e a China Han, centros geradores de poder capazes de organizar um sistema de comunicação e comércio que atravessava toda a Ásia e que se manifestava plenamente na estruturação de suas economias e sociedades, configurando de uma forma completamente nova as relações políticas que abrangiam diversas sociedades da Antigüidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta relação teve alguns antecedentes históricos, como veremos adiante, mas ela se consolida de fato na época que buscamos analisar. Tal fato se deve, provavelmente, a estabilidade política e econômica que se desenvolve no período, quando ambas as civilizações se achavam consolidadas em suas forças. [...] Mas o que caracterizou essa interação, e porque ela ocorria? Como ela se deu?&lt;br /&gt;As respostas podem ser encontradas na documentação antiga, mediante uma dissecação apurada: em variados trechos vemos aparecer, tanto nas fontes romanas quanto nas chinesas, menções sobre o outro, aquele que durante um bom tempo foi negligenciado pelos tradicionais estudos ocidentais. Este outro é o estrangeiro, aquele cujo povo envia ou recebe gente e produtos, que se destaca pela sua diferença, e que por ela fica sendo conhecido. No caso dos romanos, vários são os povos estrangeiros que estão além do limes; e os chineses são um deles. Igualmente, veremos nos documentos orientais menções sobre os indianos, os partos e aqueles que nos interessam tanto quanto interessavam aos antigos: os romanos! Aparentemente todas estas sociedades já se conheciam de alguma forma, mas este tópico não parece ter despertado grande interesse histórico para a maior parte dos especialistas até então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para explicar essa relação - e para retirá-la do terreno do acaso - temos que lançar mão, porém, de algumas indagações fundamentais, já citadas anteriormente: como se dava essa interação? Em que nível ocorria? Qual sua função política e econômica? Como se desdobrava no meio social? Vamos buscar responder uma a uma estas questões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas...Seja Bem Vindo ao meu Livro sobre as Rotas do Mundo Antigo! Todo o material aqui presente faz parte da minha dissertação de Mestrado defendida na UFF, Niterói - 2002. Você encontrará informações sobre as rotas da seda, sistema mundial, China, Roma, o intercâmbio entre civilizações do mundo antigo e suas trocas culturais e materiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que vocês aproveitem a Visita! Qualquer dúvida, entrem em contato comigo ou dêem uma olhada na minha página pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grande Abraço,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André Bueno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;ÍNDICE&lt;/div&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/2007/07/introduo.html"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;INTRODUÇÃO&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/2007/07/historiografia.html"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;HISTORIOGRAFIA&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/2007/07/teoria-e-mtodo.html"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;TEORIA E MÉTODO&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/2007/07/documentao.html"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;DOCUMENTAÇÃO&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/2007/07/hipteses.html"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;HIPÓTESES&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/2007/07/o-tempo.html"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O TEMPO&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/2007/07/o-sistema-mundial.html"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O SISTEMA MUNDIAL&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/2007/07/china-han.html"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A CHINA HAN&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/2007/07/imprio-romano.html"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O IMPÉRIO ROMANO&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/2007/07/prtia-e-sia-central.html"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A PÁRTIA E A ÁSIA CENTRAL&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/2007/07/concluso.html"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;CONCLUSÃO&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/2007/07/bibliografia.html"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;BIBLIOGRAFIA&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7242339186088406966-1191573772184718898?l=rotasdomundoantigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/feeds/1191573772184718898/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7242339186088406966&amp;postID=1191573772184718898' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7242339186088406966/posts/default/1191573772184718898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7242339186088406966/posts/default/1191573772184718898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/2007/07/apresentao.html' title='APRESENTAÇÃO'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7242339186088406966.post-5466323006331656116</id><published>2007-07-13T09:39:00.002-03:00</published><updated>2007-07-13T09:40:27.913-03:00</updated><title type='text'>INTRODUÇÃO</title><content type='html'>O objetivo deste trabalho é investigar como foi construído, entre os séculos I ao III d.C., um processo de relação e interação entre dois grandes impérios antigos, Roma e a China Han, centros geradores de poder capazes de organizar um sistema de comunicação e comércio que atravessava toda a Ásia e que se manifestava plenamente na estruturação de suas economias e sociedades, configurando de uma forma completamente nova as relações políticas que abrangiam diversas sociedades da Antigüidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta relação teve alguns antecedentes históricos, como veremos adiante, mas ela se consolida de fato na época que buscamos analisar. Tal fato se deve, provavelmente, a estabilidade política e econômica que se desenvolve no período, quando ambas as civilizações se achavam consolidadas em suas forças. É neste momento, por exemplo, que vamos ter o desenvolvimento completo da rota da seda, que foi oficialmente organizada e controlada algumas décadas antes pelo imperador chinês da dinastia Han Wu Di[1]. Mas o que caracterizou essa interação, e porque ela ocorria? Como ela se deu? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As respostas podem ser encontradas na documentação antiga, mediante uma dissecação apurada: em variados trechos vemos aparecer, tanto nas fontes romanas quanto nas chinesas, menções sobre o outro, aquele que durante um bom tempo foi negligenciado pelos tradicionais estudos ocidentais. Este outro é o estrangeiro, aquele cujo povo envia ou recebe gente e produtos, que se destaca pela sua diferença, e que por ela fica sendo conhecido. No caso dos romanos, vários são os povos estrangeiros que estão além do limes; e os chineses são um deles. Igualmente, veremos nos documentos orientais menções sobre os indianos, os partos e aqueles que nos interessam tanto quanto interessavam aos antigos: os romanos! Aparentemente todas estas sociedades já se conheciam de alguma forma, mas este tópico não parece ter despertado grande interesse histórico para a maior parte dos especialistas até então. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para explicar essa relação - e para retirá-la do terreno do acaso - temos que lançar mão, porém, de algumas indagações fundamentais, já citadas anteriormente: como se dava essa interação? Em que nível ocorria? Qual sua função política e econômica? Como se desdobrava no meio social? Vamos responder uma a uma estas questões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inicialmente, temos de reconhecer que o processo de articulação entre as sociedades da Antigüidade aqui envolvidas se dava através do comércio[2], tendo em vista que não existiam fronteiras comuns entre algumas delas.[3] Este comércio internacional centrava-se no fluxo de produtos estrangeiros de luxo e de alto valor, utilizados em todas as partes do mundo antigo pelas elites locais para demonstrar seu prestígio e sua força econômica perante suas próprias sociedades (e no caso de Roma e China, também, perante as outras). Neste ponto somos obrigados a contestar a visão de M. Finley, que acreditava ser o papel do comércio secundário no mundo clássico.[4] Com o aumento dos empreendimentos arqueológicos neste campo, tem-se mostrado que a circulação de mercadorias na Antigüidade era muito maior do que aquela apresentada unicamente pelos mercados locais, o que contesta a visão ao qual se apegava este autor.[5] &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta relação comercial cumpria, como afirmamos, uma função indispensável às sociedades da época: reproduzir as desigualdades internas e externas, tanto através do controle econômico da atividade quanto pela demonstração de prestígio e poder, manifestada pela utilização de mercadorias exóticas e de luxo. O impressionante nessa relação será observar que, em quase todas as partes desse mundo antigo, tal prática se reproduzia, e muitas vezes mediante a utilização de alguns produtos específicos, tais como a seda chinesa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existiam algumas dificuldades nas estruturas deste canal de comunicação: sendo o comércio feito por terra[6], pela rota da seda, ou por via marítima, através do oceano Índico[7] , os agentes componentes deste fluxo (mercadores, produtos, informações) se viam obrigados a passar por territórios cuja ordenação e estabilidade política eram variáveis e não necessariamente articuladas aos “interesses sino-romanos”: a Pártia, por exemplo, conseguiu a inimizade de ambos os impérios, tantas foram suas tentativas de controlar este fluxo, enquanto os kushans do norte da Índia se mostraram menos agressivos e mais diplomáticos, mandando embaixadas tanto para o Ocidente quanto para o Oriente, embora no século II já estivessem bem enfraquecidos a ponto de aceitar uma presença chinesa mais ativa no seu território. E podemos, igualmente, falar em interesse sino-romano? Talvez sim: em pequenos detalhes da documentação, observaremos que, por vezes, os literatos chineses projetaram em Roma uma nação ideal; e os romanos viram nos distantes Sericos uma potência tão forte como a sua[8], o que nos leva a pensar que em alguns casos a curiosidade, ajudada pela distância, criava o desejo do mútuo conhecimento. Mas este desejo aparece sempre ligado aos objetos que despertam o fascínio um do outro: as mercadorias de luxo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observamos, portanto, que o comércio é a grande via desta relação: mas como faremos para compreender o seu papel de integração entre as mais diversas sociedades que compunham o mundo antigo? Compartilhando da visão relativa à teoria Centro - Periferia, entendemos que houve a construção de uma relação hierárquica mutável entre as regiões submetidas politicamente ao controle dos centros de poder (Roma e China), que interagiam neste processo como geradoras de excedentes negociáveis e áreas de consumo, além de atuarem necessariamente como terreno de fronteira. Esse território, a Periferia, era o lugar de encontro das rotas comerciais, das feiras, dos povos diferentes: se tomarmos o Império romano, por exemplo, veremos que uma destas áreas mais importantes foi a do Oriente Próximo, palco de um intenso movimento de luta pelo controle dos nós comerciais que atravessavam esta região em torno dos séculos I d.C. ao III d.C. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A relação de desigualdade e dependência gerada pela construção desses impérios em diversas áreas sistematizou a organização do modelo Centro - Periferia (para a Antigüidade) de acordo, portanto, com uma série de pressupostos razoavelmente definidos que condicionavam o funcionamento da política e da economia das sociedades a uma teia de relações complexas e de dinâmica internacional. Veremos, mais adiante, a estruturação destes pontos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As considerações que faremos, no entanto, nos permitem supor que a noção de integração entre as sociedades da Antigüidade estaria vinculada não somente ao interesse político, mas também, às possibilidades geradas por um sistema de poder que era capaz de unir as regiões periféricas numa mesma estrutura de funcionamento, o que terminava por beneficiar, algumas vezes, áreas dominadas que se viam favorecidas pela entrada de técnicas e investimento romano e chinês. Não devemos pensar, no entanto, que o processo de dominação é unidirecional: como bem observa Kardoulias[9], por vezes as periferias podiam negociar, em certo nível, sua participação no sistema colonial. Mas ainda assim estariam sempre, em última instância, vinculadas aos interesses dos Centros geradores de poder; e as culturas destas metrópoles acabariam sendo, assim, o fator determinante de organização das relações de exploração, como veremos adiante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[1] O Imperador Wu Di, de 141-87 a.C. foi considerado o “inaugurador oficial” da rota da seda por ser um dos primeiros soberanos a investir na construção de uma infra-estrutura para estas vias comerciais, anteriormente desordenadas e espontâneas. Para saber mais sobre este Governante, pode-se consultar suas biografias no Shi ji de Sima Qian e no Han Shu de Ban Gu (detalhados adiante, como veremos) ou ler um resumo de sua vida no livro de PALUDAN, A. Chronicle of the Chinese Emperors. London: Thames and Hudson, 2000. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2] Ver a conceituação sobre comércio adiante, na parte de Teoria e Metodologia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[3] É o caso do império romano e da China, que não possuíam fronteiras comuns; no entanto, veremos que os limites geográficos não impediram um contato profundo entre as duas civilizações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[4] FINLEY, M. Economia no Mundo Antigo. Lisboa: Afrontamento, 1973. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[5] Algumas críticas ao modelo de Economia Antiga proposto por FINLEY já haviam sido feitas por outros autores, como em HOPIKNS, K. Conqueros and slaves. Cambridge: Cambridge University Press, 1978 e GREENE, K. The archaeology of the roman economy. London, Batsford, 1986. Em geral, estas abordagens centram-se no papel abrangente das atividades econômicas na sociedade romana, que teriam alcançado um razoável crescimento nos períodos iniciais do Império. Capaz de gerar excedentes negociáveis, esta estrutura produtiva estaria longe de possuir, por conseguinte, o caráter restritivo que FINLEY havia lhes designado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[6] Sobre as rotas terrestres, ver os trabalhos de THORLEY, F. “The silk trade between China and roman empire.” Greece &amp; Rome. N. 2 Oxford: Oxford University press, 1971; “The roman empire and the kushans.” Greece &amp; Rome. N. 1 Oxford: Oxford University press, 1979; ANQUETIL, J. Routes de la soie. Paris: JCL, 1992; YONG, M. “A rota da seda” in Correio da Unesco N.8 Brasil, 1984; MAZAHERY, A. “La origine chinoise de la balance romaine.” Analles. 15o ano, N.5 Paris: Armand Colin, 1960 e La route de soie. Paris: Papyrus, 1983; YU, Y.S. Trade and expansion in Han China. Los Angles: Berkeley, 1967 e JANVIER, Y. “Rome et l’orient lointain: les problemes des seres”. Ktema N.9 Strasbourg: V.S.H, 1984. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[7] Sobre as rotas marítimas, ver FREZOULS, E. “Quelque einsengments de periple de la mere  Eryhtres”. Ktema. N.9 Strasbourg: V.S.H, 1984; TANG, R. &amp; COLOMBEL, P. “A Rota marítima da seda”. Correio da Unesco. N.8 Brasil, 1984; TCHERNIA, A. “Moussouns et monnaies: les voies de commerce entre le monde gréco-romaine et l’Inde”. Analles. N.5 Paris: Armand Colin, 1995; VOLLMER, J. Silk Roads, China ships. Toronto: Ontario Museum, 1984; CIMINO, R. Rome and India. New Delhi: South Asia Books, 1995; CIMINO, R. et alli Ancient Rome and India: Commercial and cultural contacts between the roman world and India. New Delhi: Munshiram Manoharial, 1996 e MU QI, C. The silk road, past and present. Beijing: Foreign Language Press, 1989. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[8] Uma análise deste aspecto está no texto de JANVIER, Y., op. cit. , p. 262-263. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[9]KARDOULIAS, P.N. “Multiple Levels in the Aegean Bronze Age World-system” in KARDOULIAS, P. N. World System theory and practice: leadership, production and exchange. New York: Rowman &amp; Littelfield, 1999 p.180-200 aborda estes conceitos sobre sistema mundial e a relação centro/periferia, sendo que suas considerações parecem ser válidas igualmente para o nosso trabalho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7242339186088406966-5466323006331656116?l=rotasdomundoantigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/feeds/5466323006331656116/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7242339186088406966&amp;postID=5466323006331656116' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7242339186088406966/posts/default/5466323006331656116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7242339186088406966/posts/default/5466323006331656116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/2007/07/introduo.html' title='INTRODUÇÃO'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7242339186088406966.post-3739228558412825363</id><published>2007-07-13T09:39:00.001-03:00</published><updated>2007-07-13T09:39:57.210-03:00</updated><title type='text'>HISTORIOGRAFIA</title><content type='html'>Observemos, neste momento, de que forma foi elaborada a discussão historiográfica a respeito do tema. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos dividir em duas partes o desenvolvimento dos estudos em torno das relações Roma e China na Antigüidade. Iniciemos pelas questões teórico - metodológicas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos anos, com o surgimento gradual de novas descobertas arqueológicas, alguns setores da História começaram a dedicar mais atenção ao estudo dos contatos internacionais em períodos recuados no tempo. A investigação desses achados levou parte dos especialistas envolvidos a duvidar da compartimentação histórica que atribuímos às civilizações mundiais e de sua capacidade cultural e produtiva independente e autóctone, tendo em vista que o nível de trocas entre os setores produtivos da sociedade deixava parecer que existiriam contatos profusos entre os mais variados povos desde períodos remotos. Isto não tirava a originalidade dos mesmos, mas forçava os pesquisadores a analisar mais profundamente em que condições temporais e materiais certos processos históricos realizaram-se, e qual a sua relação com outros fenômenos análogos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resultado do desenvolvimento desse ponto de vista foi a construção do já citado modelo Centro/Periferia, articulado à idéia de ciclos históricos nos quais a presença de Centros hegemônicos organizaria a estrutura política mundial (ou o sistema mundial), no contexto de práticas colonialistas de diversos níveis e tipos diferenciados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois grandes representantes dessa linha são I. Wallerstein e André Gunder Frank, que construíram uma significativa parte dos modelos analíticos utilizados pelos adeptos da teoria Centro/Periferia[1]. A idéia de sistema mundial que iremos utilizar, porém, é a da Ekholm e Friedman[2] em conjunto com as proposições de Rowlands[3], que se encarregou de adaptar esse quadro teórico-metodológico para o contexto da Antigüidade, dando condições para que os sistemas imperiais clássicos e o panorama das relações internacionais na época pudessem ser entendidos à luz desta linha de trabalho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim sendo, a utilização desse modelo deu-nos condição de articular, de maneira mais efetiva, as informações disponíveis a respeito do sistema Roma – China que já haviam sido estudadas no campo historiográfico e literário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, algumas pesquisas em torno do assunto tinham sido feitas, mas nenhuma de forma plena. Hirth, autor inglês do século XIX identificou na documentação chinesa referências aos romanos, mas não se preocupou em entender a dinâmica dessa relação, tal como Filliozat, que na França, já investigava no início do XX algo sobre as relações entre Ocidente e Oriente na literatura clássica greco - romana.[4] Nesta mesma época, o arqueólogo Aurel Stein percorreu a rota da seda e fez inúmeras descobertas significativas, algumas até mesmo ligadas à questão Oriente - Ocidente, mas sem formular nenhum comentário mais profundo sobre o assunto.[5] Em 1939, F. Teggart[6] publicou seu livro, no qual estabelecia uma correlação entre o Império romano e o Império chinês, tornando-se um marco neste campo de estudo. Tais pesquisas, no entanto, caíram no vácuo até a década de 50 do século XX, quando outro inglês, Sir Mortimer Wheeler[7], arqueólogo especializado na Índia e no Oriente, levantou alguns dados interessantes sobre a questão, principalmente em seu livro Rome beyond the Imperial frontiers, no qual abordava o relacionamento do limes romano com forças externas. Citando o comércio que existiria entre as nações do Oriente com Roma, este autor retomou a instigante teoria de Teggart[8] sobre a desestruturação do Império Ocidental, cujo fundamento seria uma interrupção abrupta das rotas que abasteciam a Europa através do Oriente Médio, e que se ligariam diretamente à rota da seda.[9]Um aprofundamento maior nessa visão poderia nos fornecer indicações para começar a dar forma à questão do sistema mundial, mas a preocupação maior de M. Wheeler não era essa e ele não desenvolveu tal abordagem, deixando para outros autores o resgate desta proposta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas décadas de 70 e 80 tivemos ainda outros pesquisadores em torno do assunto, tais como Thorley[10], estudioso da rota da seda e das relações entre Roma e Índia, por exemplo. Na mesma linha, encontraremos na França Mazahery.[11] Mais recentemente, outros três autores franceses e belgas, Frezouls, Janvier e Tchernia[12], concretizaram um grande volume de informação a respeito dessas possíveis relações, mas careciam justamente de um modelo teórico-metodológico que pudesse pôr ordem em seus achados de maneira a criar uma concepção mais abrangente e explicativa da estrutura de funcionamento destes contatos Oriente – Ocidente. Podemos adicionar ainda os trabalhos pioneiros de Cimino[13], Xinru[14] e daqueles que estudaram especificamente a questão da rota da seda[15]. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por conseguinte, é pela fusão destes dados com as propostas apresentadas pelas teorias de Centro/Periferia e Sistema Mundial[16] que podemos finalmente construir nossas hipóteses, e daí inferir um modelo apropriado para respondê-las. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devemos, porém, considerar um ponto importante neste nosso trabalho. Se fizermos uma análise breve dos autores que abordam a questão das relações culturais entre as civilizações antigas, veremos que existem, em alguns, a tendência em caracterizar um processo de difusão cultural tendo por base a civilização que o próprio pesquisador analisa. Assim, é comum ver sinólogos que dizem que “os romanos quase ignoravam os chineses, enquanto a China conhecia razoavelmente o Ocidente”[17], enquanto alguns classicistas simplesmente olham o mundo antigo girando em torno de Roma e Grécia.[18] Nossa posição, diante destas análises, é que cada autor teve um processo de formação específico, o que por vezes não nos os possibilitou de fazerem estudos mais abrangentes sobre certos casos (e o que, por vezes, também não eram seus objetivos diretos); em segundo lugar, o processo de trocas culturais acabou por formar um conjunto sobre o qual as civilizações tinham influência, mas não controle direto. Assim sendo, detectar a origem de certos valores ou conceitos é interessante, mas devemos ter cuidado ao analisa-las, evitando criar preconceitos ou processos de hierarquia cultural errôneos (tais como acreditar que a China era “dona” da rota da seda, excluindo a participação dos outros centros). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[1] WALLERSTEIN, I. The modern world system: capitalist agriculture and the origins of the European world – economy in the sixteenth century. New York: Academic Press, 1974. Ver também FRANK, A. G. “The modern world system revisited-rereading Braudel and Wallerstein” in SANDERSON, S.  et alli  Civilizations and World System. London: Altamira Press 1975. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2] EKHOLM, K. &amp; FRIEDMAN, J. “Capital” imperialism and exploitation in Ancient World Systems”. In FRANK, A. G. et alli The World system: five hundred years or five thousand? London: Routledge, 1993. p. 59-81. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[3] Cf. Nota 5. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[4] HIRTH, F. China and Roman Orient. Leipzing, 1885 e FILLIOZAT, J. L’Inde vue de Rome. Paris, Belles Lettres, 1919. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[5] Um dos primeiros arqueólogos a explorar a China, o inglês Sir Aurel Stein (1862-1943) escreveu dois volumes significativos de suas pesquisas: Ruins of desert Cathay – Archeologial and geographical exploration in central Asia 1906-8 e On Ancient central Asia tracks. Londres, 1933 (este último, uma coletânea de suas expedições). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[6] TEGGART, F. Rome and China. California: UCP, 1969 (2a ed.) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[7] Arqueólogo renomado, cuja principal área de estudos era a antiguidade indiana. Cf. WHEELER, M. The Rome beyond the imperial frontiers. London: Penguin, 1955 onde o autor aborda, na última parte, as questões aqui referidas (p. 203-214). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[8] TEGGART, F., op. cit., p. v-xii (prefácio); 225-241. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[9] Ibidem, Notas 16 e 17. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[10] Cf. Nota 5. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[11] MAZAHERY, A. publicou vários livros e artigos, dos quais utilizamos dois neste trabalho. Cf. Nota 5. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[12] Cf. Notas 5 e 6. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[13] CIMINO, R. S. et alli Ancient Rome and Ancient India: commercial and cultural contacts between the roman world and  India., 1996. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[14] XINRU, L. Ancient India and Ancient China: trade on religious exchange. Oxford: Oxford University Press, 1980. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[15] Cf. Notas 5 e 6. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[16] ROWLANDS, M. , op. cit., p. 1-19; EKHOLM, K. &amp; FRIEDMAN,J., op. cit. 59-81. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[17] MORTON, W., op. cit., p.82 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[18] Tal como LEVEQUE, P. A aventura grega. Lisboa: Cosmos, 1979, que via os gregos levando o helenismo para todas as outras civilizações, inclusive para a China.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7242339186088406966-3739228558412825363?l=rotasdomundoantigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/feeds/3739228558412825363/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7242339186088406966&amp;postID=3739228558412825363' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7242339186088406966/posts/default/3739228558412825363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7242339186088406966/posts/default/3739228558412825363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/2007/07/historiografia.html' title='HISTORIOGRAFIA'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7242339186088406966.post-6400480414815577</id><published>2007-07-13T09:38:00.000-03:00</published><updated>2007-07-13T09:39:10.877-03:00</updated><title type='text'>TEORIA E MÉTODO</title><content type='html'>Antes de explicitarmos nossas hipóteses, vamos especificar os métodos de trabalho e os conceitos que utilizaremos. Para realizarmos este estudo, como foi dito, estruturamos nosso modelo e linha de pesquisa em torno dos axiomas do sistema Centro - Periferia propostos e adaptados por Rowlands[1] ao contexto da Antigüidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso objetivo é mostrar a viabilidade desse modelo, apresentando indicadores que nos levem a perceber de maneira qualitativa por quais formas as interações econômicas entre Roma e China constituíram um eixo cuja importância se manifesta no processo de relação das estruturas de poder em ambos os impérios, bem como em seus espaços internos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buscamos entender, fundamentalmente, a noção de sistema mundial, que consistiria na integração de centros geradores de poder e cultura com regiões periféricas, criando uma relação de dependência em que o papel do comércio fosse importante como integrador político e econômico através da circulação de informação e de mercadorias de luxo que cumprissem uma função de peso, monetária e socialmente. Este sistema estaria organizado de acordo com os seguintes pontos: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;n    A Escala de integração entre as regiões não era baseada na fronteira física, e sim na concepção de interdependência entre as elites. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;n    A Integração se dá de formas variadas, segundo recursos e métodos de exploração. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;n     A periferia também serve de centro geopolítico, reproduzindo as diretrizes da metrópole mediante a organização dos meios produtivos, da relação de trocas e do controle social e administrativo local. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;n    Controle politicamente motivado, no qual a intervenção econômica varia segundo interesses particulares, mas não necessariamente articulados ao do Estado (o que nos permite observar as diferenças entre as diversas formas de intervenção estatais fomentadas por Roma, China, Pártia e Kushana, cada qual com uma política específica). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;n    Integração que segue um padrão desigual, tendo por base a superioridade dos interesses do Centro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;n    Contradição do sistema, que favorece o desenvolvimento de algumas áreas.[2] &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim sendo, podemos compreender como sistema mundial o desenvolvimento de uma estrutura de relações complexas pautadas no processo de interação entre as sociedades, estabelecida mediante uma relação hierárquica de trocas que se manifesta pela presença de centros hegemônicos difusores de elementos culturais e ações políticas. Inicialmente Wallerstein[3] propunha a existência de uma série de pequenos sistemas-mundiais (ou seja, em escala reduzida) que foram suplantados pela ascensão do capitalismo como sistema único, o que redundaria na formação de um complexo mundial somente a partir do século XVI. Ekholm e Friedman[4] discordaram desta postura, propondo que a existência de um sistema mundial aparece desde a Antigüidade, variando somente sua conformação política e cultural. Acreditamos que a segunda visão é mais adequada ao nosso trabalho, tendo em vista que o levantamento de nossas fontes aponta para esta possibilidade, ou seja, que a relação entre os centros hegemônicos chinês e romano fomentava (junto com partos e indianos) a existência de um circuito de interação de escala mundial, trazendo consigo a estrutura correlata composta pelas periferias. Disso deriva nossa noção de centro[5], ou seja, a fonte geradora de poder político que, através duma relação de dominação, controla e influencia o conjunto de práticas culturais, econômicas e políticas das periferias. Na conformação dos séculos I ao III d.C., Roma e o Império Han (cuja capital oficial era Chang An) surgem funcionando como os centros hegemônicos, organizando as relações de troca dentro do sistema mundial através do controle das periferias (áreas dominadas ou sob influência do centro) e articulando seu funcionamento[6]. As periferias são, por conseqüência, os grupos sociais, cidades, regiões, áreas, territórios e tribos que sofrem alguma espécie de ação do centro, seja por sua importância estratégica, seja por sua proximidade geográfica. O que caracteriza uma periferia é a existência de um grupo ou sociedade local que se articula ao centro hegemônico por motivos políticos (aliança ou dominação), econômicos (geração de excedentes negociáveis e/ou consumo de produtos de circulação controlada pelo centro) e ainda culturais (influência de hábitos, práticas e costumes advindos do mesmo centro)[7]. Nenhum destes fatores exclui ou outro, mas ajudam-nos a determinar o grau de importância de uma periferia dentro do sistema. Apesar de estarem também inseridas num sistema de relação hierárquica, cujos procedimentos são, em geral, definidos pelo centro, algumas periferias provavelmente possuíam uma capacidade de negociação maior do que outras, fosse pela importância de sua produção, sua localização geográfica, etc.[8] Neste contexto, é curioso notar que a articulação dessas sociedades, fosse com o Império romano ou com o mundo chinês, foi responsável, às vezes, por uma substancial melhoria material das mesmas, dado que foram incluídas em um âmbito de relações muito maior do que aquele que anteriormente possuíam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um nível de gradação, podemos ainda definir as semi-periferias como áreas que sofrem menos interferência, ou só interferência ocasional, dos centros geradores de poder. Seriam as regiões que possuiriam fronteiras móveis com os limites imperiais tanto de Roma quanto da China (mas que ocasionalmente realizavam trocas com as periferias), não possuindo, portanto, uma inserção direta no sistema mundial mas que participavam, ainda assim, do fluxo comercial e cultural. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ligação entre os centros e as periferias deu-se, como vimos, por várias vias, das quais destacamos aqui a troca (realizada pelo comércio), articulada à noção de mercado, que compreendemos segundo a visão de Polanyi[9].  Uma definição sintética e precisa sobre os conceitos de troca e mercado polanyianas foi apresentada por Cardoso[10]: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A troca é um movimento mútuo de apropriação de produtos entre sujeitos, produzindo-se segundo equivalências que podem ser fixas ou negociadas. As trocas implicam equivalências; mas só se forem negociadas estaremos diante de uma determinada instituição: a dos mercados criadores de preços. As instituições de mercado supõem um grupo de pessoas que oferecem ou um grupo de pessoas que procuram; ou ambas as coisas simultaneamente. Mercado e troca não são termos inevitavelmente ligados: também existem trocas segundo equivalências fixas em formas de integração caracterizadas pela reciprocidade ou redistribuição. O estudo histórico das instituições de mercado funciona melhor se o enfocamos segundo “elementos de mercado”, dos quais os mais específicos são o grupo que oferta e o grupo que procura. Se ambos estão copresentes, falaremos de mercado; se só um está presente, de instituição de mercado. Mas não precisam estar ambos presentes (se um general antigo vende em leilão o butim de guerra, só existe um grupo que procura, não um que oferece, pois se trata, no caso, de um indivíduo, enquanto a teoria formal da economia supõe a oferta ligada a numerosas pessoas; quando o Estado aloca contratos aos que oferecerem orçamento mais baixo, há um grupo de oferta, não um de procura). Segue a tais grupos, em importância, o elemento de equivalência ou taxa de troca: segundo o caráter que tome, os mercados se classificam em mercados a preços fixos e mercados criadores de preços. A concorrência só aparece nos mercados criadores de preços. Existem ainda elementos que podemos chamar funcionais: situação geográfica, produtos que são trocados, costumes e leis. Quanto à instituição de mercado chamada “preço”, entende-se como um caso especial da categoria das equivalências; os preços competitivos e, portanto, mutáveis, flutuantes, são relativamente recentes em seu aparecimento histórico. No enfoque formalista, considera-se o preço como resultado do comércio e da troca e, não, como sua condição. Na definição realista, o preço define relações quantitativas entre produtos de diferentes tipos, atingidas mediante escambo ou regateio. Trata-se da forma de equivalência típica das economias integradas por meio da troca. Mas as equivalências, em si, não dependem de trocas: podem ligar-se à integração redistributiva. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma crítica interessante ao conceito de mercado apresentado por Polanyi foi feita por Morris Silver[11], adepto das concepções formalistas de economicismo. Em dois longos capítulos[12], este autor propôs que a busca de soluções para os problemas de escassez e abastecimento terminava por condicionar o fluxo das trocas e o preço dos produtos em função do mercado, que seria, então, um elemento contingente para a existência do câmbio entre as sociedades. Como afirma Cardoso[13]: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No enfoque formalista da economia, mesmo quando projetado a sociedades antigas, o mercado aparece como o lugar da troca, o comércio como sua forma, o dinheiro como seu meio. E como o comércio está orientado por preços e estes são uma função do mercado, todo comércio é visto como comércio de mercado, enquanto todo dinheiro é encarado como dinheiro para troca. O mercado aparece como instituição geradora de que comércio e dinheiro são funções. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei que seria válido citar esta consideração tendo em vista que, com relação ao tema mercado, nosso trabalho pareceu aproximar-se, num primeiro momento, da idéia formalista de uma instituição rígida e centralizadora que, controlando o fluxo de mercadorias através de uma lógica de trocas definidas pela oferta e procura, acabava por determinar tanto o preço quanto a importância das mercadorias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M. Silver discutiu as assertivas de Polanyi acerca da formação de preços, dos portos de troca e dos centros de coleta de taxas aduaneiras[14] entendendo que o mercado funcionava, justamente, como um diretor do processo de fluxo comercial, concentrando as atividades de câmbio e produção num único setor das atividades sociais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, a existência dos mercados, na Antigüidade, não pode ser compreendida por esta lógica rígida, tendo em vista as formas diferenciadas pelo qual estes se organizavam e se relacionavam com as instituições políticas e sociais. A relação de oferta e procura seria uma das formas pela qual se realizavam os processos de câmbio de mercadorias, mas não a única; a busca (ou absorção) de produtos de origem estrangeira por motivos ideológicos, religiosos ou sociais criaria, por exemplo, demandas que poderiam corresponder à formação de um novo setor do mercado, cuja definição de preços seria regulada por critérios diferenciados (e não somente pela oferta ou procura). Além disso, a via comercial não seria a única forma de troca, tendo em vista que políticas de distribuição de presentes ou de suborno (como as praticadas pela dinastia Han) terminavam por interferir no uso do dinheiro e na execução do comércio, o que acabava se manifestando na constituição dos preços das mercadorias. Assim, o mercado não pode ser entendido como uma entidade fixa, mas sim como um elemento flexível que conjuga diversos campos das atividades produtivas e culturais de uma ou mais sociedades num processo dinâmico de câmbio, que sofre a influência de uma gama variada de fatores políticos, econômicos, sociais e religiosos na definição das formas de troca e na constituição dos preços. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por conta disso, percebemos que as idéias formalistas sobre preço e mercado não funcionariam de pleno acordo com a maneira pelo qual se desenvolveu o fluxo comercial entre os impérios formadores do sistema mundial no período abordado (I ao III d.C.). As formas pelo qual se constituiriam as relações de demanda, a regulação de preços e a organização de mercados nos permitem supor que as sociedades possuíam uma influência definitiva na organização destes elementos, e diversas motivações ideológicas, culturais, econômicas e políticas teriam sido as responsáveis pela importância que o comércio adquiriu, em determinado momento, na dinamização dos intercâmbios entre as sociedades do sistema mundial. Tal multiplicidade de fatores é que explica, por exemplo, o interesse diferenciado dos governos em interferir ou não nos processos econômicos; e, da mesma forma, como determinadas mercadorias alcançaram um grande valor sistêmico não só através da valoração de seus preços, mas, também, por suas valorações culturais e políticas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão do valor sistêmico é de suma importância para entender as problemáticas que envolvem as mercadorias de circulação internacional. Ele representaria a importância (em termos de valor) de uma determinada mercadoria no processo de transação entre duas sociedades. Este valor seria definido pela conjugação de uma série de atributos econômicos, culturais e políticos que envolvem a produção, a troca e a especificidade do produto. Para que uma mercadoria tivesse, portanto, um significativo valor sistêmico, era necessário que ela fosse reconhecida por mais de uma civilização como um elemento de troca com importantes atributos ideológicos, culturais e econômicos. Não bastava que determinado produto fosse apenas objeto de exportação para alcançar um alto valor sistêmico. Se observarmos o caso do coral mediterrânico, por exemplo, veremos que ele devia conseguir um bom preço em prata nos mercados chineses, mas dentro do próprio império romano ele não possuía grande valor, o que conseqüentemente diminuía sua importância sistêmica. Logo, o fato de um produto ser custoso em determinada sociedade não o torna, necessariamente, um elemento de valor sistêmico: no entanto, geralmente uma mercadoria de grande valor sistêmico acabava, normalmente, atingindo um alto preço, já que seu consumo estava ligado a grupos específicos da sociedade. Assim, esta valoração sistêmica açambarcava também o reconhecimento da importância ideológica e cultural de um produto para as sociedades envolvidas no processo de troca. O que nosso trabalho propõe é que a elaboração de um sistema mundial na Antigüidade alçou um grupo de objetos à condição de elementos de câmbio comum, servindo como demonstradores de prestígio e poder pelas elites dos centros hegemônicos, ligadas por um sistema de interdependência que configurava a ordenação das práticas sociais e políticas de poder. Logo, estes produtos adquiriram um valor sistêmico por serem aceitos em todas estas sociedades (tanto centrais como periféricas) de forma semelhante, ou seja, como artigos de luxo importantes para reprodução de uma hierarquia social e para manutenção do consumo conspícuo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este valor sistêmico nos obriga a fazer certas considerações sobre a conformação das áreas envolvidas neste sistema mundial: em primeiro lugar, existia a importância econômica da circulação das mercadorias, que constituiu um fator significativo para a sobrevivência dos impérios da China, Pártia e Kushana, cuja produção em certos níveis era sempre problemática. A necessidade deste comércio como forma de obter divisas para manter a estrutura destas sociedades fica patente na movimentação em torno das rotas comerciais no período abordado, quando a própria dinastia Han incentivou, de forma institucional, a distribuição de produtos chineses ao longo da rota da seda, assim como no estabelecimento de pontos de comércio ao longo da mesma (prática essa já iniciada com o anteriormente citado imperador Wu Di[15]). O reino Parto muito provavelmente via a situação de forma semelhante, já que disputava com os romanos o domínio de vários pontos de encontro de rotas (nós comerciais), como observamos através das constantes guerras travadas no período dos Cláudios, Flávios, Antoninos e Severos, além da citada prática de dificultar a passagem dos mercadores estrangeiros por seu território; e por fim, as alfândegas kushans[16], bem como as tábuas de trânsito Han[17] são uma demonstração exata que as taxações existiam e que o fisco era uma forma de acúmulo de capital[18] executada pelas burocracias estatais[19]. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um segundo aspecto desse valor sistêmico resulta do fator de reprodução social. Como dissemos, as mercadorias estrangeiras possuíam um significado específico como determinantes de prestígio e poder. São elas que simbolizam a condição hierárquica da elite que o emprega, ganhando a sua utilização um significado de poder e dominação sobre as classes menos favorecidas, que em nível estrutural se reproduzia nas desigualdades econômicas existentes entre áreas mais ricas e periferias; em ambos os casos, a pujança material servia para identificar os detentores do poder. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa situação fica bem marcada com a adoção por Augusto, por exemplo, da seda púrpura imperial, símbolo de riqueza e cuja cor carregava atributos de poder no Ocidente, tal como no Oriente era a cor de reis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conseqüentemente, estabelece-se aí um diálogo material entre dominado e dominador, no qual a apresentação dos artigos estrangeiros funciona não só como demarcador social, mas também como fonte de riqueza, rentabilidade e segurança, estabelecendo para o comércio internacional (especificamente) um patamar de aceitação diferente do comércio local, apesar da proposta de Finley[20] lhes atribuir importâncias menores em relação as outras atividades produtivas e de acumulação da época. Em compensação, se podemos observar que no Império romano o comércio não era algo limitado e restrito, e sim, uma prática de níveis diferenciados, na China a mentalidade institucional[21] estimulava-o como forma de realização material e como parte integrante da estrutura social existente. E, como se observou, a dinastia Han empregou também os produtos estrangeiros como símbolos de prestígio, o que denotava a existência de uma prática comum do consumo conspícuo na Antigüidade como reprodutora de estruturas sociais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos, então, constituir nosso modelo de investigação através dos axiomas apresentados. Temos, portanto, a noção do sistema mundial através de um conjunto de relações que articulam os Centros e Periferias, integrando-os numa estrutura relacional em que o valor sistêmico das mercadorias se torna um fator de articulação através de sua importância como reprodutor de diferenciações sociais e ideológicas, vinculadas, por conseguinte, à formação de um mercado de produtos de prestígio intrinsecamente relacionados ao comércio internacional, cujo papel de ligação entre esses grupos se manifesta na sua movimentação política, econômica e cultural. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, partindo dos princípios indicados, voltamos à documentação para identificar as fontes que fundamentam nossa pesquisa. No entanto, é necessário organizar esse material, tendo em vista sua multiplicidade e diferenciação. Fá-lo-emos na próxima parte, dedicada exclusivamente à análise e a apresentação das fontes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[1] ROWLANDS, M., op. cit., p.1-19. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2] Estes axiomas têm por base o texto de ROWLANDS, M. “Center and Periphery: a review of concept” in ROWLANDS, M. et alli Center and Periphery in the Ancient World.  Cambridge: Cambridge University Press, 1987. p.1-13. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[3] Cf. WALLERSTEIN, I. The modern world system: capitalist agriculture and the origins of the European world economy in the sixteenth century, 1974. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[4] EKHOLM, K. &amp; FRIEDMAN, M., op. cit., p. 59-81. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[5] ROWLANDS, M., op. cit., p. 4 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[6] Sobre o sistema romano, ver NASH, D. “Imperial expansion under the roman republic”. In ROWLANDS, M. et alli Center and Periphery in Ancient World. Cambridge: Cambridge University Press, 1987 p.87. Sobre a questão chinesa, ver meu texto Poder Imperial e relações de Centro-Periferia na China Antiga. UFF - Dezembro, 2000. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[7] ROWLANDS, M., op. cit., p. 5. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[8] KARDOULIAS, P., op. cit., p. 180-200 apresenta esta possibilidade em seu texto, ainda que o mesmo não trate sobre a questão romana. O fato é que as periferias mais organizadas economicamente, ou aquelas culturalmente ligadas de forma mais profunda ao centro possuíam, provavelmente, um poder de barganha maior. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[9] POLANYI, K. Comercio y mercado en los imperios antiguos. Barcelona: Labor, 1976. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[10] CARDOSO, C.F. “Karl Polanyi: redefinição da economia de um modo social e genérico, pela crítica do economicismo e seus conceitos cristalizados, dados como evidentes e aplicáveis a todos os casos”. Notas de aula sobre Economia Antiga. UFF, s/d. Este texto é um dos vários resumos feitos pelo Prof. Ciro F. Cardoso para apresentar e discutir as visões historiográficas sobre economia antiga, do qual destacamos aqui a sua análise sobre as propostas de Polanyi. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[11] SILVER, M. Economic structures of antiquity. Westport: Greenwood press, 1995. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[12] SILVER, M., op. cit., p. 95-153 e 153 – 179. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[13] Cf. Nota 37. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[14] SILVER, M., op. cit., p. 97 – 103. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[15] Cf. Nota 1. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[16] WHEELER, M. op. cit., p.182-207. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[17] Cf. LOEWE, M. Records of Han Administration. Cambridge: Cambridge University press, 1967. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[18] O termo capital é aqui entendido como uma riqueza abstrata, representada de forma concreta pelo metal ou dinheiro que pode ser acumulado e empregado em transações diversas, além de poder ser convertido em outras formas de riqueza. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[19] O processo de acumulação (estatal ou privado, ligado a tributação, botim ou bens de troca) seria a força motriz para a formação de ciclos hegemônicos e para o estabelecimento de uma ordem mundial. A configuração de uma “acumulação interpenetrante” – ou seja, a transferência ou troca de excedente econômico – articularia o formato deste sistema, através do gerenciamento dos processos de troca e da exploração das forças de trabalho, refletindo-se, por conseqüência, na ordenação das sociedades e de seus grupos produtivos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[20] Ver a discussão do assunto no item Teoria e Método deste trabalho e também Cf. FINLEY, M. A economia no mundo antigo. Lisboa, 1973. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[21] Influenciados pelos escritos da Escola Legista de Pensamento, desde a Dinastia Qin (III a.C.) o Estado chinês tratou de interferir diversas vezes no funcionamento da economia, regulando-a em quase todos os níveis. Alguns documentos comprovam bem esta perspectiva, tais como o Han Fei Zi, livro do ideólogo do legismo chinês (III a.C.), o Shang Yang (provavelmente anterior ao tratado de Han Fei, mas cuja primeira versão só teria surgido no tempo Qin-Han) e finalmente o Yantienlum, ou Tratado do sal e do ferro (ao qual nos remeteremos mais adiante).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7242339186088406966-6400480414815577?l=rotasdomundoantigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/feeds/6400480414815577/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7242339186088406966&amp;postID=6400480414815577' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7242339186088406966/posts/default/6400480414815577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7242339186088406966/posts/default/6400480414815577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/2007/07/teoria-e-mtodo.html' title='TEORIA E MÉTODO'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7242339186088406966.post-3630724612081063278</id><published>2007-07-13T09:37:00.002-03:00</published><updated>2007-07-13T09:38:29.652-03:00</updated><title type='text'>DOCUMENTAÇÃO</title><content type='html'>Vamos analisar as fontes, e entender de que modo elas fundamentam nossos conceitos básicos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A princípio, entendemos que fosse adequado dividir nosso corpus em grupos específicos de fontes, contextualizando-as segundo o gênero. Essa classificação foi necessária porque só no caso romano, por exemplo, encontramos três tipos de documentação diferentes, sem contar seus aspectos temporais: temos Plínio, O Velho,[1] e seu livro História Natural, junto com os Anais de Tácito e a Res Gestae de Augusto incluídos no gênero histórico; Ptolomeu, Estrabão e Pompônio Mela no grupo dos geógrafos, e ainda, o dos poetas, formado por Ovídio, Marcial e Horácio. Apesar das diferenças de contexto que cercam cada uma dessas obras, temos a possibilidade de agrupá-las na busca de dados, como integrantes dos textos que sirvam a nossos objetivos. Desta forma, as explicações técnicas de Plínio acerca da seda são, por exemplo, complementadas pelas informações geográficas do grupo de Estrabão, deixando a cargo dos poetas as informações que nos transmitem sobre as concepções do imaginário romano sobre os Sin, ou Sericos, (chineses). Temporalmente, todos os autores situam-se no período entre os séculos I a.C. e II d.C. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As fontes chinesas constituem um corpo de informações de diversos tipos, condensado em biografias ou histórias. Podemos encontrar nas obras de Sima Qian (o Shi ji) como de Ban Gu e Fan Ye (Han Shu) uma redação bem documentada, resultante de um trabalho complexo e aprofundado mas, ao mesmo tempo, complementado por indicações de cunho mitológico e místico. No entanto, todas essas obras foram patrocinadas e aprovadas pelos governos da dinastia Han (com exceção de Fan Ye, como veremos a seguir) e devemos investigá-las à luz de sua procedência (a elite, e feitas para a mesma), bem como do método utilizado para constituí-las. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devemos por fim definir o que podemos utilizar daquilo que foi produzido pelos partos, kushans e sassânidas, que não nos legaram muitos escritos, infelizmente. Sobre a Pártia e o Império Sassânida, temos somente análises do material arqueológico e um texto, produzido pelo último, chamado Karnamik – I – Ardashir, que seriam as memórias históricas do fundador dessa dinastia, Ardashir I[2]. No entanto, os estudos sobre a cultura material desses povos, seus vestígios arqueológicos, estilos artísticos e arquitetônicos, nos proporcionam os elementos dos quais necessitamos para concretizar nosso trabalho. No mais, existem também as referências encontradas sobre eles na documentação romana e chinesa, que utilizaremos sempre que possível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos, então, analisar mais especificamente as obras que temos em mãos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, temos o trabalho do grupo dos geógrafos, representado por Ptolomeu, Estrabão e Pompônio Mela. O esforço destes três autores em retratar as fronteiras que envolvem e compõem o mundo romano foi um fruto direto do processo de expansão que o Império promoveu ao longo dos três séculos aqui abordados. Seus mapas indicam a presença dos Sin (ou Seros, Seres ou Sericos) na geografia e no conhecimento que os romanos têm sobre os mesmos. A evolução das formas de cartografia apresentadas por estes autores demonstra uma mudança na perspectiva da sociedade imperial romana em compreender o mundo à sua volta, expandindo seus horizontes para além do limes, embora este processo tivesse muito haver com o intuito dos romanos em se diferenciarem dos bárbaros mediante a delimitação de suas fronteiras físicas e culturais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundo lugar, temos o grupo representado por Augusto, Plínio, O Velho e Tácito, denominado como históricos. Nele incluímos os autores responsáveis pela leitura dos eventos sociais e da história romana, e, apesar do texto de Plínio ser substancialmente diferente dos outros, os trechos a que recorreremos em sua História Natural possuem as características necessárias para enquadra-lo neste grupo (o que nos permitiu concluir, portanto, que não seria preciso criar um novo corpus apenas para abrigar esta obra). Augusto fez no seu testamento apenas uma breve menção às nações conhecidas dos romanos, mas que nos interessa pelos nomes citados, que vão até a Índia. Plínio, no século I, escreveu sobre a seda e sua utilização na corte romana. Seu objetivo era demonstrar a origem dos produtos orientais, descrevê-los e, por fim, criticar a elite romana que abusava desses símbolos de prestígio. Explica-se: Plínio era adepto das idéias de austeridade pregadas por Tibério e via no consumo daqueles produtos uma forma condenável de ostentação. De Plínio retiramos os principais achados que contribuem para nossa idéia de que esses produtos eram empregados para demonstrar poder e status por parte da elite, transformando em necessidade a prática do comércio internacional, responsável pelo abastecimento desse tipo de mercadoria. Já Tácito escreve sobre um período complexo, em sua visão, quando o comércio já desenvolvido permeia um mundo romano cosmopolita, mosaico de culturas abaladas por guerras, conflitos e uma incrível profusão de trocas de informação. O sistema mundial estava, então, modificando-se em toda a sua estrutura, reorganizando e estabelecendo novas configurações de funcionamento, cuja interdependência afetava tanto o Ocidente romano quanto o Oriente chinês. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, temos o grupo da poesia. Ele representa três gerações temporais, convocando nossa leitura a recorrer ao imaginário constituído pelos romanos sobre os Sin, ou Seros. Com Horácio (65-8 a.C.), temos as primeiras notícias dos Sin, durante o reinado de Augusto. Depois, Ovídio nos introduz no mundo do século I, citando por vezes os chineses em suas obras como os fabricantes das sedas maravilhosas que tanto apeteciam à vaidade feminina. Já Marcial reproduziu, em seus epigramas, a mentalidade forte e conquistadora que atravessava a sociedade romana do I e II século: ele nos apresenta os Seros como uma potência militar, um império poderoso e temível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa forma, temos com estes três grupos de autores a possibilidade de cruzar informações e acompanhar, em cada contexto, o processo de desenvolvimento das práticas de ostentação, assim como de formação do imaginário romano acerca dos chineses, manifestação derivada do aumento da interação entre o Império romano e as áreas periféricas com o outro centro de poder da Antigüidade, a China. Quanto às menções que os mesmos fazem sobre a Pártia ou sobre a Índia, nós as utilizaremos quando for necessário, embora este não seja o nosso foco principal. Em geral, as citações sobre a Pártia são bem vivas, dado que os romanos se envolviam em numerosos processos políticos e econômicos com esta civilização. Já as referências sobre os indianos são menores, abordando basicamente as relações econômicas e fazendo algumas citações sobre sua cultura[3]. Os romanos não faziam muita distinção entre os kushans e os outros pequenos reinos indianos, relacionando a todos como vindos da Indika. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As fontes chinesas merecem um outro tipo de análise crítica, no entanto, dada a sua natureza diferenciada. Elas constituem um conjunto de textos de diversos tipos, como biografias, histórias, escritos técnicos, geográficos e religiosos, permeados de dados místicos e folclóricos utilizados em sua composição. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, temos de investigar detalhadamente, em meio a essa documentação, as partes que tratam objetivamente das relações internacionais, presentes nas biografias e em algumas referências históricas. No entanto, esta mesma natureza complexa das fontes chinesas nos permite apreciar uma quantidade razoável de impressões e particularidades dos seus contatos com o Ocidente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Utilizando, portanto, o mesmo critério empregado para o corpus Latino, podemos afirmar que as fontes chinesas estão próximas do grupo histórico, embora, como afirmamos antes, elas se estendam um pouco mais na diversidade de gêneros. Poderíamos fazer uma analogia das mesmas com a História Natural de Plínio, mas o preciosismo chinês na questão das datações e seu engajamento ideológico com o confucionismo as tornam substancialmente diferentes em alguns pontos. As citações sobre os romanos surgem em pequenos e intensos trechos da documentação, narrando principalmente a organização da rota da seda, o protocolo de embaixadas e a lista de produtos negociados. Este tipo de descrição tem relação com a estrutura burocrática Han, desenvolvida, desde a época Qin (III a.C.), no sentido de regular todas as transações econômicas e vigiar os movimentos políticos dentro do império celeste.[4] Era natural, por conseguinte, que muitas das informações colhidas reproduzissem a linguagem técnica dos documentos administrativos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro dos textos investigados foi o Shi Ji, de Sima Qian (153 - 93 a.C.). Apesar de ter sido realizado perto do final do século I a.C., é um grande trabalho cujas informações são preciosas para entender os fundamentos da expansão chinesa para o Ocidente. Sima Qian coletou dados em todas as partes da China, continuando a tarefa de seu pai, para escrever a História das dinastias chinesas, principalmente a Han.[5] Em sua obra, que serviria de modelo para todos os historiadores posteriores, ele nos conta a construção de uma grande China, plena de heróis que conquistam países e povos, com uma cronologia tão bem articulada que nos fornece datas quase precisas até 841 a.C. (!)[6]. Neste contexto, Sima Qian nos dá as primeiras informações sobre os reinos do Ocidente, como os An xi (partos) e os reinos greco-indianos da Bactriana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas citações surgem nos primeiros contatos dos Han com as civilizações da Ásia central, quando do estabelecimento da rota da seda. Os chineses não tinham uma idéia exata da extensão do mundo além das fronteiras partas, mas é provável que já nessa época tenham sabido da existência dos romanos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas são Ban Gu e Fan ye, autores do Han Shu (Anais da dinastia Han), que nos contam a história das primeiras tentativas de contato direto entre chineses e romanos através da História de Ban Zhao, e da Viagem de Gan Yin. Estes trechos são pequenos, mas significativos (com exceção do extenso capítulo biográfico sobre o general Ban Zhao, herói da época, como veremos adiante). Ban Chao (I-II d.C.) tornou-se um general famoso quando foi enviado para os extremos das fronteiras chinesas Han para assegurar a defesa da rota da seda, debelando uma revolta no Turquestão chinês, fomentando a criação de protetorados e postos comerciais e buscando entrar em contato, por via diplomática, com as nações do Ocidente[7]. E foi seu enviado, Gan Yin, que terminou por nos contar suas impressões sobre o mundo do Oeste, embora não tenha podido ir além da Pártia. Ban Gu e Fan Ye não só comentam este episódio como, fiéis à mentalidade estatal, relacionam ainda as mercadorias ocidentais e a presença de negociantes do Oeste em seu império. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As fontes chinesas, nesse ponto, são bastante pertinentes: elas comprovam, de fato, que existia um interesse chinês pelo mundo romano, e a compreensão resultante deste fato levou os próprios chineses, em alguns momentos, a parecerem querer uma espécie de aliança com os romanos contra os partos ou contra os xiong-nu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos, porém, de analisar o processo de confecção do Han Shu. Inspirado nos métodos históricos de Sima Qian, Ban Gu teria começado a redigir seu livro no século I d.C., planejando escrever uma história extensa das dinastias Han anterior e posterior. Explica-se a diferença entre as duas dinastias: entre 2 e 22 d.C., um usurpador de nome Wang Mang tentou estabelecer uma nova dinastia, tendo no entanto falhado em seu intuito, o que permitiu a retomada do poder pela casa dos Han em 22-23 d.C. Ban Gu só conseguiu redigir sobre o primeiro período Han, morrendo em 82 d.C.  e foi sua irmã, Ban Zhao[8], que continuou o trabalho de escrever sobre a dinastia. Além disso, o Han Shu foi fixado sobre a primeira redação de Ban Gu, o que fez com que os escritos sobre o general Ban Chao (irmão de Ban Gu e Ban Zhao) não fossem diretamente adicionados ao seu conteúdo.  Escrevendo sobre a Dinastia Han Anterior, Ban Gu não teve, portanto, a oportunidade de abordar o período da Dinastia Han Posterior. Ban Zhao continuou, porém, a recolher informações até morrer em aproximadamente 102 d.C. Posteriormente, Fan Ye, nos séculos IV - V, teria recopilado o Han Shu, denominando-o Anais da Han Anterior. Os escritos da dinastia Han posterior foram empregados na confecção de uma obra sua, que ganhou o nome de Hou Han Shu, ou Anais da Han posterior. Desta forma, temos um trabalho feito a três mãos que, no entanto, conseguiu manter uma certa uniformidade. Engajados ideologicamente no discurso confucionista, o Han Shu e o Hou Han Shu são, igualmente, obras de caráter histórico com os mesmos tipos de referência do Shi ji aos ocidentais e aos povos além da fronteira. Acrescentamos a esta lista alguns escritos posteriores que remetem igualmente a época trabalhada: o Wei Lu, o Jin Shu, o Liang Shu e o Song Shu (produzidos entre os séculos IV e VI d.C.). Estes anais, de dinastias efêmeras, contêm, no entanto, preciosas informações sobre as relações da China com o Ocidente e podem ser empregados para observar a trajetória do raciocínio cultural chinês diante das civilizações do Oeste. O que neles nos interessa é um grupo de citações curtas, algumas até copiadas de documentos mais antigos. Outros trechos, porém, indicam as transformações no processo de relação entre o Ocidente e o Oriente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os textos chineses são bastante concisos em suas informações: como foi dito, eles são equivalentes, em conteúdo, aos textos do grupo histórico da documentação ocidental. Os autores eram precisos quanto ao contexto de sua época, determinavam listas dos produtos negociados e, ainda, costumavam emitir breves comentários (seus, ou talvez, das elites que representavam) a respeito da recepção que as mercadorias tinham em suas sociedades, tanto como dos povos que as produziriam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para finalizar as questões sobre a documentação chinesa, é importante falar também sobre o sistema de notação que empregaremos; como as fontes aqui utilizadas não possuem uma subdivisão numerada de linhas, versos ou parágrafos em seus capítulos, tal como encontramos nos textos gregos e latinos, faremos somente a citação simples de cada capítulo, já que os mesmos não contém, em geral, textos muito extensos. Vale ressaltar que muitos destes escritos nunca receberam um sistema de numeração formal; alguns receberam mais de um, e como a escolha de um sistema se presta à confusão, optei, portanto, pela indicação simples dos trechos, tal como encontramos no livro de Hirth[9] e Watson[10]. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale ressaltar que quase todos os textos aqui presentes em grego ou latim foram colhidos em traduções que contavam com a apresentação do texto original. No caso das fontes chinesas, a transliteração do Han Shu para o inglês é uma apresentação incompleta do original; o Shi ji em inglês está completo, e apesar de não contar com o texto em chinês, seu tradutor, Burton Watson, é um dos mais renomados especialistas em língua chinesa da atualidade, o que torna sua versão uma fonte confiável. Quanto aos outros textos (Hou Han Shu, Wei Lu, etc.), o trabalho de F. Hirth para vertê-los ao inglês (que é a versão do qual dispomos) é reconhecido com autoridade por todos os sinólogos e autores aqui empregados. Utilizamos, ainda as versões em chinês do Shi ji, do Han Shu e do Liang Shu para comparar com as traduções. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estando esclarecidas as questões que envolvem a conformação e a construção da documentação, procuraremos evidenciar, ao longo da análise desenvolvida em nossa dissertação, a inserção de nossos pressupostos teóricos na interpretação dos trechos, de modo a demonstrar a relação existente entre ambos os níveis na construção do modelo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É importante lembrar que a origem dessa documentação está ligada diretamente ao contexto de uma produção literária dirigida ideologicamente aos grupos que fomentam esse sistema de dominação e que, dessa forma, manifestam o olhar sobre o outro que constitui sua periferia. Daí decorre uma importante noção de alteridade, cuja identificação do poder político entre ambos os impérios (Roma e China) faz com que os mesmos se tratem não como periferias, mas sim como centros de poder, relegando aos grupos de segunda ordem (partos, kushans, etc) e às regiões periféricas o papel de "bárbaros" ou de "menos civilizados”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta forma, acreditamos ser possível construir nosso trabalho em torno de uma base razoavelmente sólida, aplicando os conceitos referidos de acordo com o método de análise e os dados provenientes das fontes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[1] Apesar da obra de Plínio possuir características que a diferenciam em muito dos textos de Tácito e Augusto, decidi incluí-la no grupo dos históricos por compreender que não seria necessário criar uma nova categoria para a História Natural, tendo em vista os trechos que dela utilizaremos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2] De fato, a maior parte das referências textuais sobre os partos e sassânidas advém dos textos romanos ou chineses. O Karnamik – I – Ardashir não nos é de grande valia no caso, não possuindo informações significativas para nosso trabalho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[3] THORLEY, J. “The roman empire and the kushans”., op. cit., p. 181-190 e CIMINO, R. “European geographical knowledge about India in ancient times”. Op. cit., p. 3-7; “The idea of a universal empire. The Pax Augusta”. Op. cit., p. 12-16; “General references from classical authors”. Op. cit., p. 84-87 in CIMINO, R. et alli Ancient Rome and India : Commercial and Cultural Contacts between the Roman World and India, 1996. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[4] Alguns trabalhos excelentes sobre o assunto são: BALAZANS, E. Chinese civilization and bureaucracy. New York: New Haven 1964 e BIELENSTEIN, H. The bureaucracy of Han times. Cambridge: Cambridge University press,  1980. Os dois tratam especificamente da questão burocrática na China, sendo que o segundo autor dá uma grande ênfase aos períodos Qin e Han, quando teriam sido organizadas e definidas as estruturas institucionais da sociedade chinesa antiga. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[5] KANRU, L. &amp; YUANJUN, F.  Breve História da literatura chinesa. Beijing: Línguas Estrangeiras, 1986. p. 26-30, 1986. Sobre Sima Qian, ver também MORTON, W. China: História e cultura. Rio de Janeiro: Zahar, 1986 p. 86-88 e WATSON, B. Early chinese literature. New York: Columbia University Press, 1960 p. 92-103. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[6] GERNET, J. O Mundo Chinês. Lisboa: Cosmos, 1979 p.159. Ponto de vista este confirmado por outros autores, como JOPERT, R. O Alicerce Cultural da China. Rio de Janeiro: Avenir 1979 p. 216-217. Sima Qian não era apenas um relator da História, mas também um crítico e estudioso da mesma. Para confirmar a validade das datas contidas nos documentos antigos, ele se valeu da comparação de fontes antigas e de tabelas astrológicas que continham os registros de eclipses e de manifestações naturais marcantes. Da análise destes documentos, ele datou uma série de episódios marcantes na história chinesa, que hoje são tidos como corretos. Foi o próprio Sima Qian que atentou para a impossibilidade de se trabalhar com os períodos anteriores ao século IX a.C., já que ele não possuía recursos para tal; e é justamente neste período que o seu Shi Ji emprega a maior parte dos relatos tradicionais e míticos não comprováveis, que o próprio autor criticava. Recentemente, porém, a lista de imperadores Shang (XV-X a.C.) descrita por ele também foi dada como correta, o que demonstra um cuidado muito grande dos chineses antigos com a questão das datações e da continuidade histórica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[7] MORTON, W., op. cit., p. 76-80. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[8] A família Ban era composta por Ban Chao, o general famoso, seu irmão historiador Ban Gu e a irmã Ban Zhao, escritora e também historiadora. O pai, Ban Biao, havia sido igualmente um renomado literato e poeta em sua época. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[9] HIRTH, H. China and the Roman Orient, 1885. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[10] SIMA QIAN Shi ji – Rceords of the grand historian. Columbia: Columbia University press, 1993 trad. Burton Watson.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7242339186088406966-3630724612081063278?l=rotasdomundoantigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/feeds/3630724612081063278/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7242339186088406966&amp;postID=3630724612081063278' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7242339186088406966/posts/default/3630724612081063278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7242339186088406966/posts/default/3630724612081063278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/2007/07/documentao.html' title='DOCUMENTAÇÃO'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7242339186088406966.post-3360472977564702956</id><published>2007-07-13T09:37:00.001-03:00</published><updated>2007-07-13T09:37:43.548-03:00</updated><title type='text'>HIPÓTESES</title><content type='html'>Para fechar esta introdução, apresentaremos as hipóteses que constituem nosso trabalho: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Existia, já no mundo antigo, uma estrutura política, cultural e econômica que caracterizaria a formação de um sistema mundial articulado pelas relações entre Roma, China e a Ásia central, tanto pela conformação do sistema (pautada nas relações de Centro – periferia) quanto pelas vias utilizadas (relações de trocas comerciais e culturais). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Este sistema mundial de trocas, estimulado pelos centros geradores de poder, configurava-se no comércio internacional (a Rota da Seda) que, por vias marítimas e terrestres, estabelecia uma série de relações políticas e econômicas cujo alicerce eram as mercadorias estrangeiras, empregadas na criação de um padrão delimitador de poder e prestígio sociais, legitimando a desigualdade e servindo como identificador de grupos em Roma e na China, bem como em suas dependências, ainda que em escalas variáveis nos em níveis cêntricos quanto nos níveis periféricos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível ver, no mundo antigo, a existência de um sistema que vinculava as sociedades pelo intercâmbio material e cultural – sistema esse no qual se observa a manifestação de hierarquias estabelecidas pela diferenciação social e econômica - e legitimadas, por conseguinte, pela redistribuição do poder a partir dos Centros hegemônicos. Teria emergido, assim, uma economia de configuração geográfica singular, onde determinados grupamentos ou regiões se encontravam em posição especialmente privilegiada, fomentando um processo de polarização das forças econômicas e sociais de diversas sociedades. A premissa que embasa o conceito dessas “economias mundiais” é que estas se dividem justamente entre centros hegemônicos e áreas periféricas, no qual o crescimento gradual dos primeiros incorpora paulatina e qualitativamente as regiões próximas em um regime de relações econômicas desiguais e dominantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, observamos que o período compreendido entre os séculos I ao III d.C. constituiu-se em época extremamente propícia à interação entre o Império Romano e o Império Han, o que buscaremos comprovar a seguir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7242339186088406966-3360472977564702956?l=rotasdomundoantigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/feeds/3360472977564702956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7242339186088406966&amp;postID=3360472977564702956' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7242339186088406966/posts/default/3360472977564702956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7242339186088406966/posts/default/3360472977564702956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/2007/07/hipteses.html' title='HIPÓTESES'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7242339186088406966.post-2415574839750759724</id><published>2007-07-13T09:35:00.000-03:00</published><updated>2007-07-13T09:36:42.738-03:00</updated><title type='text'>O TEMPO</title><content type='html'>O período de unificação de parte da Europa no século I d.C. sob a égide de Roma foi definitivo para a consolidação das rotas comerciais ligadas ao Oriente. A experiência não era nova: Alexandre Magno já havia tentando, séculos antes, estabelecer algo no gênero, mas se politicamente sua tentativa de construir um grande império foi frustrada, os gregos conseguiram criar bases duráveis para a difusão de sua cultura e de seus interesses econômicos.[1] O estabelecimento dos reinos gregos da Bactriana[2] e mesmo a influência de elementos helênicos no reino parto são mostras da importância da cultura grega nestas áreas[3], sem contar as influências que os mesmos legaram à arte indiana nas escolas de Gandhara e Mathura, aspecto que se desenvolveria ainda mais com a solidificação da rota da seda[4], como veremos mais adiante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, são os romanos de fato que dão coesão à estrutura do império mediterrâneo: Augusto (I a.C. – I d.C.) estende as fronteiras até o Oriente Médio, estabelece as periferias romanas nessas áreas e reformula o sistema político com o estabelecimento do Principado. O perímetro constituído pela Síria, Palestina e Armênia seria, porém, uma área de atrito constante com a periferia dos partos, instalados na Pérsia.[5]Roma havia conseguido articular um território dividido em províncias cujo trânsito de mercadorias foi favorecido pelo desenvolvimento do comércio, estabilidade política e uso da moeda romana. Assim sendo, a difusão de produtos estrangeiros foi facilitada entre as elites locais, desejosas de reafirmar seu prestígio perante Roma e em suas próprias sociedades de origem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar do seu desenvolvimento nesta época, este tráfico comercial tem origens anteriores ao Império Romano. Para entendê-las, devemos saber mais sobre a História dos outros três centros existentes no período: o Império Han, a Pártia e Kushana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história da Dinastia Han começa no século III a.C., com a deposição da Dinastia Qin (que havia unificado a China) e a ascensão ao trono de Liu Bang, o primeiro Imperador Han. Estabelecidos sobre uma base burocrática administrativamente eficiente (ao menos neste período inicial), os chineses da época se lançaram à conquista de novos territórios, bem como impuseram um controle severo aos ataques dos “bárbaros” do Norte do país, conhecidos como Xiong Nu.[6] As periferias chinesas se estabilizaram nessas áreas, localizadas em torno da Grande Muralha da China, cuja construção já perfazia, desde o tempo dos Qin, uma grande parte da fronteira[7] Em direção ao Sul, os Han chegaram até o Vietnã, tornando-o um protetorado (em torno do século I d.C.). E, em relação ao Oeste, foram variadas as tentativas dessa dinastia de descobrir o que havia além de suas fronteiras com a Índia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob o reinado do já citado Wu Di, no período I a.C., foi enviada uma expedição oficial sob o comando de Zhang Qian para buscar aliados contra os Xiong Nu e verificar as fronteiras do Oeste.[8]Após uma série de aventuras, a embaixada teria entrado em contato com os An Xi (partos, cujo nome em chinês deriva do termo Arsácida, designação que correspondia à dinastia governante). Informações posteriores foram acrescentadas no relato de Ban Gu[9], tais como o nome das capitais partas e de algumas regiões do Ocidente.[10]Tratados foram firmados, tentando assegurar a paz entre estes dois poderosos reinos, cujas relações eram regidas por desconfianças mútuas que aflorariam já no século seguinte, como no caso da expedição do general Ban Chao, que veremos à seguir.[11] O fato é que Wu Di, dispondo das informações colhidas por seus emissários, decidiu organizar um sistema comercial controlado pela burocracia imperial que daria origem, finalmente, à rota da seda. Zhang Qian[12] havia constatado que os produtos chineses eram muito apreciados nas rotas comerciais percorridas; e o imperador concluiu disso que seria excelente tanto para política como para economia da China Han que seus artigos fossem distribuídos de forma ordenada por toda a Ásia central e mesmo por via marítima[13]. Esta época marcou o início da venda e do presenteamento maciço de seda e de mercadorias chinesas para além das fronteiras, alcançando até o Ocidente.[14] Este processo passou também por uma importante necessidade de definir as fronteiras chinesas a Oeste. Os Han começaram a fortificar as áreas onde estavam presentes ao longo da rota da seda, chegando até as fronteiras dos kushans, instalados no norte da Índia, hoje em áreas correspondentes ao Paquistão e ao Afeganistão.[15] Esta ponte sobre o Norte da Índia constituiu-se num território que alternava entre ser uma periferia e uma semi-periferia endógena ao território chinês. No século I d.C., por exemplo, o supracitado general Ban Chao foi enviado para debelar uma revolta no território do Turquestão, e existem indícios de que a mesma teria recebido auxílio dos partos.[16] Ora, esta localidade, que os chineses haviam perdido durante a crise do período Wang Mang (2-22 d.C.), tinha fronteiras com os kushans, com a Pártia ou, no máximo, com algum dos pequenos reinos de Fergana ou Bactriana, o que quer dizer que a fronteira entre as periferias desses Estados era bastante flexível e variável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vê-se por estes dados que os Han tiveram, portanto, muitas oportunidades para desenvolver seu sistema comercial, e tentaram aproveitá-las ao máximo. Uma breve interrupção na sua História política, representada pelo governo do usurpador Wang Mang[17], não alterou suas condições básicas de existência, e no segundo período de vida desta dinastia (os Han posteriores, ou Hou Han), vemos, mesmo, o crescimento ainda maior das atividades de troca, demonstrado tanto pelo fortalecimento das associações e casas comerciais[18] quanto pelo movimento administrativo efetuado nas fronteiras pela burocracia e pelo exército.[19]Essa época marcou, aliás, uma diminuição da forte influência que o Estado tinha sobre a economia desde a época de Wu Di[20], até que, no século III d.C., após uma série de crises sociais provocadas por períodos de escassez, fome, colheitas ruins e administração ineficiente[21], a dinastia Han enfraqueceu-se em definitivo, até que a casa imperial foi derrubada e o “mandato do céu”[22] saiu de suas mãos, dando origem a um período de divisão interna do território. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se considerarmos a fronteira chinesa como algo móvel em direção ao Oeste, devemos nos perguntar, então, como se organizava seu principal vizinho, o reino Kushana, que aparentemente se tornaria um satélite chinês no período dos séculos II-III d.C. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, a História dos kushans começa com a “ajuda” indireta dos chineses. O povo que teria dado origem a este reino era conhecido pelos Han como Yueh Zhi, e no século I a.C. ele teria sido empurrado por guerras violentas promovidas pelos Xiong Nu até o Norte da Índia.[23] O movimento que aí ocorreu teria como causa justamente os chineses, que haviam sido vitoriosos em suas lutas contra os Xiong Nu e os haviam alijado de seus territórios no norte da China. Este dominó lançou os Yueh Zhi contra a enfraquecida dinastia dos Shaka, instalada no território dos atuais Paquistão e Afeganistão. Finalmente, no século I d.C., Kujula Kadphises[24] teria fundado a dinastia Kushan, conhecida pelos chineses como Kuei Shang, ou Kuei Shuang, que durante algum tempo ainda lutou para se estabelecer no território contra um reino satélite da Pártia, constituído com os restos da dinastia Shaka e vencido, por fim, no mesmo século. No período dos séculos I e II d.C., a dinastia Kushana teria conhecido seu ápice sob o governo de Kanishka, patrono das artes e religiões.[25] Não são raras as citações sobre os mesmos no Shi Ji e no Han shu. Mas, já no final do século II, suas estruturas políticas se desagregaram: o que não foi tomado pelos sassânidas no século III terminou por sobreviver, precariamente, como Estado dependente do poder chinês. Há também um sério problema envolvendo a cronologia do reis kushans, de difícil solução pela escassez de informação sobre o assunto.[26] Enquanto constituíam, porém, um grande reino, os kushans conseguiram significativos recursos controlando as áreas por onde passava a rota da seda em seu território. Isso fica patente pelos depósitos alfandegários encontrados por Wheeler[27], com tesouros de origem ocidental e oriental. Além disso, as rotas descritas pelo Périplo[28] aportavam em território kushan, o que permitia a esse povo um certo controle sobre o tráfego marítimo. Tal posição permitiu que os kushans fossem bem conhecidos não só pelos chineses como também pelos romanos.[29] Augusto, na primeira parte no Res Gestae, comenta sobre a visita de várias embaixadas estrangeiras, entre elas a dos indianos.[30]Dion fala também sobre uma possível embaixada indiana a Trajano[31], e a Índia aparece nitidamente nas primeiras elaborações geográficas de Pompônio, Estrabão e Ptolomeu.[32]Thorley cita ainda a possibilidade de Adriano e Antonino Pio terem recebido visitas do gênero.[33]Por fim, os romanos parecem conhecer alguma coisa sobre a cultura indiana, como aparece na obra de Filostrato, a Vida de Apolônio de Tiana. [34] &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vemos, assim, que os kushans se estabeleceram, por conseguinte (e enquanto puderam), como um centro político forte, disposto a dar continuidade ao sistema de tráfico comercial elaborado pelos chineses, do qual tiravam significativo partido, sendo intermediários amigáveis tanto dos Han quanto de Roma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os motivos pelos quais sua estrutura política iria ruir no século III d.C. ainda são uma grande incógnita para a maior parte dos historiadores. Antes da diminuição do fluxo de mercadorias que ocorreria partindo da China (em virtude da queda da Dinastia Han, o que interferiria no comércio, uma importante fonte de recursos para os kushans), vimos que os mesmos, no século II, já sofriam interferências políticas nos seus domínios. De imediato, só podemos analisar brevemente sua participação neste sistema mundial no período indicado, deixando um aprofundamento maior na questão para outra ocasião. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O reino Kushana tinha suas fronteiras delimitadas por um outro Estado bastante poderoso na época, a Pártia. Esta potência, que rivalizava com Roma em grandeza e força, teve seu ciclo de existência localizado no período 247 a.C – 228 d.C. (ou seja, nos séculos III a.C. a III d.C., num movimento contextual bem semelhante ao da China e próximo das datas da expansão romana e kushan)[35] e sua economia dependia em muito, também, das rotas comerciais que passavam por seu território[36]. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história dos partos surge no processo de desagregação do domínio selêucida na Ásia central. Fragmentados por revoltas e guerras, que culminam com a independência de algumas províncias[37], os territórios dos gregos se achavam fragilizados e grupos nômades vindos das estepes se aproveitaram do momento para retirar o seu quinhão. Destes, os mais fortes foram os partos, que conquistaram as regiões próximas do Cáspio em 249 a.C. e fundaram sua dinastia em 247 a.C. sob a liderança de Arsaces, que deu nome à mesma (Arsácidas).[38] Não demoraram a solapar o que restava dos domínios selêucidas, e um poderoso soberano parto, Mitrídates I (171-138 a.C.), finalizou esta carreira de vitórias conquistando a Pérsia e a Babilônia.[39] Esta onda ecoou em territórios distantes: em 106 a.C. (no período da segunda viagem de Zhang Qian), os chineses enviaram uma embaixada a Mitrídates II em reconhecimento de sua força.[40]Manobra hábil dos chineses: eles haviam buscado, anteriormente, apoio nos reinos bactrianos[41] contra os Xiong Nu, mas pressentindo as mudanças no panorama político, aproveitaram a oportunidade e distribuíram mais presentes para os partos do que para os outros.[42] &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O reino parto, porém, praticava uma política agressiva de controle nas fronteiras e nas rotas comerciais, bem como na disputa de território, o que terminou por colocá-lo em situações de conflito extremo e de delicado relacionamento internacional com as potências kushan e chinesa, mas principalmente com Roma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conflito entre Pártia e Roma tornar-se-ia uma história de séculos, em disputa, sempre, pelas regiões da Síria (tomada pelos romanos aos selêucidas), Armênia e demais territórios do Oriente Médio. Augusto[43] ficou famoso por recuperar as insígnias romanas perdidas por Crasso. Já Trajano[44] foi, provavelmente, o mais bem sucedido de todos os soberanos romanos na região, estendendo ao máximo as fronteiras imperiais sobre a área: mas seria justamente Marco Aurélio, o “imperador filósofo”, que deixaria seu nome registrado nos documentos chineses como An Tun[45], representado por uma embaixada (cujo caráter duvidoso veremos adiante) que se utilizava do prestígio de seu nome após uma tremenda vitória infligida aos partos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este, no entanto, é o lado vitorioso romano: se Roma não tivesse disputado tantas vezes suas províncias com as forças partas, não haveria tantos heróis e conquistadores na sua História. Mas o fato é que os partos desequilibravam o jogo das relações internacionais da época com suas constantes manifestações de força. Já no século I d.C., quando Ban Chao reconquistou o Turquestão[46], supõe-se que ele teria recebido informações sobre a presença de emissários e forças partas (ou gregas) no local, terminando por enfrentá-las e vencê-las.[47] O rei da Armênia também buscou o apoio da distante dinastia Han para seu reino, diante desta instabilidade política, enviando embaixadas à corte chinesa.[48] &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante destes acontecimentos, vemos que os partos não se sujeitariam facilmente à ingerência de qualquer outro governo em seu território; e na sua política externa, o tom conciliador vinha acompanhado de interesses econômicos e políticos bem definidos. Mas, por isso mesmo, devemos crer que, quando possível, este mesmo reino, cuja forte interação com o fluxo comercial internacional era patente, deveria buscar formas de administrar suas relações políticas nas fronteiras, tanto com as periferias romanas quanto com seus vizinhos orientais, como forma indispensável de sobrevivência. Daí porque vemos esta sociedade encarando o combate aos nômades orientais[49]como uma “tarefa” e cultivando a cultura grega como forma de arte e de civilização “superior”.[50] Ao partos tinham três capitais arquitetonicamente desenvolvidas, chamadas Ecbatana, Hecatompylos e Ctésifon[51] , que também possuíam uma forte atuação comercial. Por fim, esta sociedade bem estruturada só seria desarticulada, no século III, com a chegada de outro povo vindo dos planaltos iranianos, os sassânidas, cuja cavalaria vitoriosa destruiria os governantes partos[52] e os substituiria na ameaça aos romanos. Constituídos por um grupo de etnia persa, os sassânidas entram neste final de cena, liderados pelo seu rei, Ardashir[53], para constituir um novo reino no Médio Oriente e assumir o controle das rotas comerciais para o Ocidente. Este grupo, porém, foi mais hábil na administração de seus conflitos externos, e, apesar de sua periculosidade e eficácia na guerra contra os romanos, soube conciliar o maior tempo possível a existência pacífica de suas periferias com Roma e com a Índia, esta, já no final do século III, fragmentada em diversos reinos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por este quadro observamos que, no século I d.C., quando uma crescente e razoável estabilidade surgiu nas fronteiras, o comércio pode ocorrer com maior fluidez entre os centros hegemônicos. Devemos agora proceder à análise das rotas marítimas e terrestres nele utilizadas, e de como estas serviam na articulação das periferias e na formação do sistema mundial.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[1] Cf. JAROCKA, M. L. “As relações entre a Índia e a Grécia antes e depois de Alexandre”. In Textos de Cultura Clássica N. 16 Rio de Janeiro: SBEC, 1991 e LÉVEQUE, P. O Mundo Helenístico. Lisboa: Edições 70, 1987 p. 190-200. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2] Reinos cujos territórios abrangiam partes correspondentes, atualmente, ao Norte da Índia, Paquistão e Afeganistão. Sobreviveram basicamente até o final do século II a.C., quando começaram a ser desalojados pelos Kushans. Dois livros interessantes que analisam as influências gregas na Ásia central são de HOLT, F. Alexander the Great and Bactria New York, 1995 (s/ed.) e Thundering Zeus Berkeley: UCP, 1999. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[3] LEVEQUE, P., op. cit., p.199-200. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[4] Para ver mais sobre a arte dessas escolas, ver FOUCHER, A. L’art greco-bouddhique du Gandhara. Paris: Imprimerie National, 1905; COOMARASWAMY, A. A History of Indian and Indonesian art. New York: Dover, 1985 e os trabalhos mais recentes de HUNTINGTON, S. The art of Ancient India. New York: Weatherhill, 1985 que reconsideram uma série de conceitos que envolvem as formulações teóricas sobre os estilos presentes nessas escolas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[5] De fato, são muitos os documentos históricos romanos a partir desta época que contém alguma referência aos partos, com os quais são travadas guerras constantes pelo controle dos pontos axiais do comércio existentes no Oriente Próximo. Utilizaremos aqui aqueles que julgamos mais pertinentes ao nosso trabalho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[6] Um bom resumo sobre este momento histórico pode ser visto em TRAUZETEL, R. &amp; FRANKE, H. El Imperio Chino. Madrid: Siglo XXI, 1973 p.65-109 e também MORTON, W., op. cit., p.78-83. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[7] Shi ji, LXXXVIII. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[8] Shi Ji, CXXIII. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[9] Han shu, XCVI. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[10] A Síria, por exemplo, era conhecida pelo nome de Li kan; Pathurva, um dos nomes associados a Hekatompylos, uma das capitais partas, era chamada ora de Ban tou, ora, de Dangham; isso sem contar a região da Babilônia, que era Diao Chi,entre vários outros que veremos ao longo do trabalho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[11] Hou Han shu, LXXXVI-LXXXVIII. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[12] Shi ji, CXXIII. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[13] A Dinastia Han se viu incrivelmente facilitada na sua tarefa de comerciar dentro e fora de suas fronteiras graças à política da grande unificação imposta durante a Dinastia Qin. Qin Shi Huang Di, o primeiro imperador Qin (III a.C.), unificou as moedas, os pesos, as medidas, a escrita e as taxações. Por conta disso, como o sistema chinês abrangia um grande território, as áreas periféricas terminaram por adotar parte das regras chinesas, visando facilitar seu câmbio com o Império Celeste. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[14] É o caso das cortinas de seda de Julio César, citado em Dion, XLIII, 24 APUD THORLEY, J. “The silk trade between China and Roman empire”. Op. cit., p. 71 Alguns sinólogos costumam chamar esta época de Pax Sinica, em analogia a Pax Romana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[15] Mapa Han 1, em anexo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[16] Hou Han shu, LXVI-LXVIII. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[17] TRAUZETEL, F., op. cit., p.  65-109 e também MONTENEGRO, A. Historia de la China antigua. Madrid : Istmo, 1974 p. 291-339. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[18] GERNET, J., op. cit., p.129-135. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[19] GERNET, J., op. cit., p.122-123, mas o principal estudo sobre o assunto é o de LOEWE, M. Records of Han administration, 1967. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[20] Wu Di estabeleceu o controle estatal sobre várias áreas produtivas, além do controle fiscal rígido, determinando também a cunhagem de uma moeda para facilitar o comércio. Alguns desses monopólios não iam, porém, ficar sob controle estatal constante, mas terminariam por serem negociados ocasionalmente, segundo a vontade de cada soberano, com a iniciativa privada, alternando portanto, uma condição ora imperial, ora privada, em épocas diversas da história Han. TRAUZETEL, F., op. cit., p. 83. Veremos adiante, porém, que a interferência estatal na economia seria sempre forte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[21] Para um estudo detalhado dessas crises, ver LOEWE, M. Crisis and conflict in Han dynasty. London: George Allen, 1974. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[22] Após a época da dinastia Zhou, os Imperadores começaram a governar tendo por base a crença de que recebiam um Mandato do Céu, ou seja, um período estabelecido pelas forças cósmicas e pelos deuses, no qual recebiam o encargo de administrar a vida na terra. A perda deste mandato significava a ruína de uma dinastia, provavelmente, segundo o imaginário político chinês, porque aqueles que executaram o poder não o teriam feito de forma correta, incorrendo em crimes contra o povo e contra a natureza. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[23] THORLEY, J., op. cit., p.72 – este ponto é mais bem detalhado no livro de THAPAR, R. History of  India. London: Harmondsworth, 1966 p. 92-109 e DANIELOU, A. Histoire de L’Inde. Paris: Fayard, 1979 p. 141-151. Um estudo específico pode ser encontrado em KOSHELENKO, G. The Yue Chi and the migrations. New York: UNESCO, 1994. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[24] Em chinês Qü Chü Queh APUD GROUSSET, R. The empire of steppes. New York: Barnes and Nobles, 1999 p.32. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[25] GERNET, J., op. cit., p.129-135. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[26] THORLEY, J. “The Roman empire and the kushans”. Op. cit., p.190. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[27] WHEELER, M., op. cit., p. 164-173; 183-214 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[28] O texto do Periplus indica vários pontos de trocas na costa da Índia. APUD FREZOULS, E.., op. cit., p.322 e THORLEY, J., op. cit., p.182. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[29] THORLEY, J., op. cit., p. 181-190; CIMINO, R., “General references from classical authors” op. cit., p. 84-87. Sobre as fontes, ver também COEDES, G. Textes d’auters grecs et latins relatifs a l’extreme Orient. New York: Ares Publishers, 1977. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[30] Res Gestae, XXXIII. Ver também CIMINO, R. “Indian Ambassadors at the Roman Court” op. cit., p. 17-24. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[31] Dion LXVIII, 15 APUD THORLEY, J., op. cit., p.184. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[32] Ver os Mapas em anexo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[33] THORLEY, J., op. cit., p. 186. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[34] Um artigo interessante sobre o assunto foi publicado por HANUS, P. “Apollonios de Tyane et la tradition du “theios aner” in Dialogues de Histoire Ancienne. Paris: Presses Universites Franc-Comtoises, 1988 N. 24/1 p. 200-231. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[35] FRYE, R. The history of the ancient Iran. München: C.H.B. Verlagbuchandlung, 1984 p. 209; 360. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[36] COLLEDGE, M.  The Partians. London: Thames and Hudson, 1967 p.22-35. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[37] Resultando daí a formação dos reinos greco-bactrianos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[38] LEVEQUE, P., op. cit.,  p. 43. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[39] LEVEQUE, P., Op. cit., p. 43-44. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[40] As datas oscilam neste ponto entre 106-91 a.C. No Shi Ji, Cap. CXXIII, temos uma segunda embaixada de data não precisada para os An Xi. HIRTH, H. China and the Roman Orient: researches into their Ancient and Medieval relations as represented in old chinese records. Shangai &amp; Hong Kong, 1885 p. 35-96 situa-a em 91 a.C.; GROUSSET, R., op. cit., p. 30-34 e LEVEQUE, P., op. cit.,  p. 200 situam-na em 106 a.C. A confusão ocorre por um motivo simples: em 115-105 a.C., temos a segunda viagem de Zhang Qian, o que torna a embaixada de 91 a.C. um empreendimento desvinculado de sua figura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[41] Por eles nomeados como “Da Yuan”. Shi Ji, CXXIII. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[42] Shi Ji, CXXIII. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[43] Augustus – 27 a.C. – 14 d.C. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[44] Trajano – 97d.C. – 117 d.C. Cf. KENNEDY, D. Rome’s desert frontier. Austin: UTP, 1990 p.34-35. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[45] Hou Han Shu, LXXXVIII ; Wei Lio (sem numeração) e Liang shu, LIV. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[46] Hou Han Shu, LXXXVI. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[47] A dúvida que reside nesta questão é a seguinte: GROUSSET, R., op. cit., p. 31 cita uma versão, aceita, segundo o qual o território em questão ainda seria dominado pelos gregos no momento da invasão chinesa. Assim sendo, é difícil esclarecer se esta era uma possessão legítima chinesa, tomada aos bactrianos, ou se os “gregos” em questão poderiam ser os partos. Para avaliar o problema, o general Ban Chao decidiu enviar seu emissário Gan Yin para viajar ao Ocidente, conhecer os territórios e, se possível, contactar os romanos, o que nos parece uma indicação clara de que a desconfiança entre chineses e partos cresceu, de qualquer forma, naquela época. O relato da viagem de Gan Yin, contido no Hou Han Shu, LXXXVI – LXXXVIIII transmite a impressão - dos chineses - de que ele teria sido dissuadido de continuar sua viagem em território parto, o que nos permite confirmar que as relações entre a China e a Pártia se encontravam, realmente, num estado bastante delicado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[48] Hou Han shu, LXXXVI O rei da Shan (Armênia) era conhecido pelos chineses como Yung yu tiao e ao que parece ele teria enviado duas embaixadas, inclusive com intérpretes que sabiam falar chinês; uma durante o reinado de Ho Di (89 d.C. - 106 d.C.) e outra durante o governo de Yung Ning, em 120 d.C. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[49] GROUSSET, R., op. cit., p.31. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[50] LEVEQUE, P., op. cit., p.200 afirma que os partos podem ser considerados um reino “filo-heleno”, ou seja, uma conjugação dos elementos anteriores da cultura nômade parta com manifestações aquemênidas persas e, principalmente, com elementos advindos da cultura grega. Esta indicação parece ser confirmada pela análise da cultura material, como aparece, por exemplo, no livro de COLLEDGE, M. The partians. London: Thames and Hudson, 1967. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[51] Em chinês, Hamadham (Ecbatana), Dangham ou Ban tou (Hekatompylos). Ecbatana aparece também, no Han Shu, como Ukaman e Ctésifon como Si Pan. Os chineses não tinham grandes problemas para variar os nomes ocasionalmente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[52] A queda da Pártia ocorreu em 228 d.C. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[53] Karnamik I Ardashir, I.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7242339186088406966-2415574839750759724?l=rotasdomundoantigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/feeds/2415574839750759724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7242339186088406966&amp;postID=2415574839750759724' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7242339186088406966/posts/default/2415574839750759724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7242339186088406966/posts/default/2415574839750759724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/2007/07/o-tempo.html' title='O TEMPO'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7242339186088406966.post-6385769036731126952</id><published>2007-07-13T09:34:00.001-03:00</published><updated>2007-07-13T09:34:31.063-03:00</updated><title type='text'>O SISTEMA MUNDIAL</title><content type='html'>Para compreendermos como funcionava a articulação entre os centros e as periferias existentes na época é necessário, portanto, que apresentemos, agora, como estavam estabelecidas as rotas pelas quais era realizado o comércio internacional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os centros geradores de poder exerciam também controle e serviam de ponto de partida das vias comerciais que ligavam o Ocidente ao Oriente tanto por terra quanto por mar. Estas rotas seriam conhecidas como a “rota da seda”, indicando a importância da circulação deste produto no mundo antigo.[1]A documentação chinesa nos indica os produtos que os comerciantes da dinastia Han gostavam de adquirir e/ou trocar no Ocidente: principalmente ouro e prata (escassos no território chinês), mas também uma lista[2] grande e bastante interessante, com a descrição de alguns produtos que até hoje são objeto de discussão: entre as pedras preciosas, a “jóia que brilha na lua”, a “pérola lunar” e a “pedra do rinoceronte assustado”, circulam entre chineses e indianos, ao lado do âmbar, dos vidros da Síria e do Egito; e ainda, o “Lang kan” (espécie de coral), jade, tapetes bordados, perfumes, madeiras e, quando possível, animais desconhecidos, muito apreciados pela elite e pela corte Han. O ouro e a prata provavelmente vinham da Espanha e, depois, do Báltico, onde, no século I d.C., foram descobertas novas minas.[3] Quanto ao vidro, os orientais pareciam saber que se tratava de um produto de Li kan[4], não tendo dificuldade para localizar sua origem. J. Thorley afirmou que, devido ao interesse em manter o monopólio das rotas que passavam por seu território, vez por outra os partos devem ter tentado enganar ou trapacear os orientais quanto à origem das mercadorias que negociavam; mas, contanto que fossem respeitadas suas fronteiras, as atitudes de desconfiança arrefeciam em relação aos estrangeiros, o que lhes permitia então serem mais abertos sobre a proveniência dos produtos.[5] &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O coral mediterrânico também era extremamente apreciado por chineses e indianos, e os romanos, que não davam muito valor ao mesmo, tratavam de explorá-lo e revendê-lo aos negociantes orientais, interessados no produto pelo seu valor na Ásia. Já o vidro era trocado por quantidades razoáveis de seda, posto que os chineses não conheciam corretamente a produção do mesmo e tendiam, desta forma, a confundi-lo com alguma espécie de cristal.[6] Por fim, os bordados e perfumes parecem ter sido provenientes do Oriente Próximo, onde as províncias romanas produziam-nos em grande quantidade para exportação.[7]Existem também interessantes referências ao tráfico de escravos, que eram apreciados pelas elites chinesas por serem estrangeiros, com cores de pele e feições diferentes das suas, o que constituía um poderoso símbolo de prestígio.[8] &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que se relaciona ao Ocidente, porém, não foi preservada (ou talvez não se produziu) nenhuma lista do gênero, comparada à chinesa. Sabemos que, além da seda, os romanos e partos compravam especiarias da Índia[9], traziam de lá tecidos e objetos exóticos e admiravam profundamente a qualidade do ferro produzido na China.[10] &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na formulação deste sistema de trocas, os centros articulavam a produção das diversas periferias existentes direcionando-as para as vias de comércio estrangeiras. No caso de Roma, vemos que seus metais preciosos vinham, como foi dito, da Espanha e do Báltico; que o vidro e os tecidos provinham da Síria e do Egito; o coral, espalhado por todo o Mediterrâneo, era trabalhado para confecção de jóias em várias partes do império, inclusive no Norte; e da Escandinávia, região semiperiférica que fazia contato com as províncias romanas, provinha o âmbar, que era vendido em pedra ou utilizado na produção de perfumes na Palestina e em outras partes do Oriente Próximo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do mesmo modo, o império chinês controlava a produção e distribuição da seda, bem como vigiava o trânsito de mercadorias e a cobrança das taxas alfandegárias.[11] Aparentemente a seda era produzida em toda a China, mas o sul obtinha melhores resultados pelo seu clima ameno, mais adequado à vida das lagartas, o que conseqüentemente favorecia seu rendimento. O monopólio do Estado afetava também a manufatura do ferro, do sal e de outros produtos negociáveis no estrangeiro.[12]Em Roma, a intervenção do Estado nas atividades de comércio e produção não parece ter sido tão forte, e o seu direcionamento estaria mais espontaneamente ligado ao interesse econômico das elites locais em se articularem ao sistema do império. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Devemos agora analisar os aspectos geográficos relativos a estes contatos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como vimos, a idéia de estabelecer uma rota oficial da seda partiu do Imperador Wu Di (I a.C.), mas seu oficial, Zhang Qian, havia constatado que os comerciantes chineses já conheciam muito bem as vias de trânsito na Ásia central que levavam à Índia e ao Ocidente.[13] &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pontos de partida das rotas terrestres eram Chang An e Luoyang, capitais do Império Han. A primeira, cidade de traçado geométrico, contava com uma parte específica do seu perímetro urbano destinada somente aos mercados, onde se misturavam negociantes de todas as partes da China, caravanas vindas do oeste longínquo e embaixadas dos mais diversos locais do mundo antigo.[14] Teria sido aí que os chineses haveriam recebido a “embaixada” de An tun[15] em 166 d.C. J. Gernet identificou ainda outras embaixadas (mais provavelmente caravanas) que teriam sido enviadas aos chineses em Luoyang e em Nanjing em 226 e 284.[16] Antes disso, porém, os chineses já haviam recebido também embaixadas da Índia (89 e 105 d.C.) e de Sumatra (132 d.C.), além das já mencionadas comitivas do Yung yu tiao de Shan (o rei da Armênia) em 89, 106 e 120 d.C.[17] &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da capital Han[18], a rota terrestre se dirigia à cidade de Fengsiang, a Oeste e depois, através da região do Gansu, à cidade de Anxi, onde se dividia em dois caminhos, o percurso sul e o percurso norte, que atravessavam diretamente o deserto de Liu Sha, conhecido por nós como Taklamakam. A diferença entre estes dois caminhos parecia residir única e exclusivamente na opção que se fazia pelos oásis ao longo de cada um deles. Ambos voltavam a se encontrar, já na altura de Kashgar, no final do Turquestão, em direção a Samarcanda ou diretamente para Merv, primeira cidade no território parto. Ao passar pelo Hindukush e pelo Pamir, os comerciantes chineses já se encontravam em território kushan, onde podiam transitar livremente mediante o pagamento de taxas, que ficavam guardadas em depósitos aduaneiros que foram descobertos por Wheeler.[19] Samarcanda, ponto importante desta rota por ser a confluência entre mercadores vindos do oriente e ocidente, esteve na maior parte do tempo em mãos kushans, embora durante um breve período os partos tenham tentado controlá-la através da imposição do reino Shaka, mas sem sucesso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Samarcanda seguia-se para os limites da Pártia. Havia uma proibição expressa por parte dos partos de que comerciantes estrangeiros pudessem passar por seu território, sendo obrigados a negociar seus produtos em Merv. Não temos conhecimento exato da extensão desta lei, já que são os chineses que a comentam; logo, não sabemos se eram apenas seus representantes e aliados que estavam proibidos de circularem pelo reino, ou se a proibição alcançava realmente a todos os comerciantes. É difícil precisar este ponto, já que os emissários e viajantes estrangeiros pareciam não ter a mesma dificuldade para circular pelo território, salvo em caso de exceções como a de Gan Yin. Mas esta situação era compreensível, se pensarmos que este enviado chinês representava alguma espécie de ameaça aos partos após a esmagadora vitória de Ban Chao no Turquestão. Era sabido que os chineses constituíam um império poderoso e expansionista; e, por isso, os partos não podiam conceder facilidades a potenciais inimigos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Merv, os comerciantes levavam suas mercadorias para o sul, em direção ao Golfo Pérsico, onde seriam negociadas com os árabes e/ou levadas para a África; ou então, continuavam a seguir as rotas para oeste, até a fronteira do império romano, passando necessariamente pelas suas capitais, Hecatompylos[20], Ecbatana[21] e por fim Citésifon, nas quais provavelmente as cortes retiravam sua parte nas mercadorias negociadas. Uma história (não comprovada) conta inclusive como os partos teriam apresentado a seda aos romanos de uma forma peculiar: em 53 a.C. Crasso, ao comandar suas legiões contra os partos, teria sido enganado por um truque no qual o tecido foi utilizado para refletir a luz do sol e cegar os legionários, que terminaram por ser destruídos pela cavalaria parta.[22] Esta narrativa bastante improvável não esclarece, porém, o fato dos romanos já conhecerem a seda bem antes disso: o próprio Julio César, contemporâneo de Crasso, tinha suas cortinas de brocado.[23] De Citésifon, as mercadorias fluíam através da fronteira pelo império romano, chegando a Petra, Tiro, Dura-Europos, Palmira e Damasco, além de Jerusalém. De Ecbatana existia uma estrada que levava diretamente a Zeugma e também a Antioquia, cidade em crescimento na época. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destes mercados os produtos estrangeiros se propagavam pelos territórios romanos, e para os mesmo lugares de passagem afluíam as mercadorias que seriam levadas para o Oriente. Daí esta área do Oriente Próximo ser um constante motivo de atrito entre romanos e partos: dominá-la seria uma forma de assegurar, para os últimos, um monopólio ainda maior sobre o fluxo de produtos estrangeiros; e para os primeiros, um caminho pelo qual pudessem estender sua influência sobre o Oriente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observamos que a conformação desta rota estruturava em parte o trânsito comercial do sistema mundial. Mas existiam ainda outras rotas, que devemos analisar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando a Fengsian, encontramos uma via, em direção ao sul, que era mais utilizada na época do verão, posto que no inverno ele se tornava intransitável. Este caminho se dirigia ao Himalaia, atravessando a região do Sinkiang, onde foram catalogados inúmeros achados de mercadorias ocidentais e orientais negociadas nesta área através da rota.[24]Passando por aí, a rota seguia para o Golfo de Bengala, onde os chineses vendiam ou trocavam nos pequenos reinos hinduístas e budistas que não estavam sobre o controle dos kushans; ou, continuavam a seguir por terra, para oeste, até o mar da Arábia, já em território do reino Kushana ou ainda, subiam novamente em direção norte até chegarem a Taxila, importante cidade que fazia a ligação entre esta segunda rota e a primeira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece-nos que esta via não era somente uma opção às rotas conhecidas como “principais” em determinadas estações do ano. Acreditamos que ela existia pela comodidade que oferecia aos chineses de negociarem grande parte do tempo em seu próprio território, oferecendo maior segurança. No entanto, é provável também que as mercadorias indianas e ocidentais lhes chegassem com um preço maior, devido ao grande número de atravessadores existentes até os portos de Bengala e na Índia central. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As rotas que atravessavam o mar, porém, é que atualmente despertam os fascínios dos historiadores.[25] Até recentemente, muito dos estudos que envolviam a possibilidade de existirem vias marítimas para o Oriente resvalavam no realismo fantástico, e por isso não eram devidamente analisadas.[26]A evolução da Arqueologia propiciou, no entanto, uma mudança deste panorama, que aliada à uma releitura dos textos clássicos, nos permitiram fazer inferências mais aproximadas sobre a realidade das trocas comerciais realizadas pelo mar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta época, os chineses não eram ainda grandes navegadores, preferindo dirigir-se para o interior do território. Mas acreditavam, de igual maneira, que dominar as áreas costeiras era importante para o monopólio do comércio, já que diversas frotas mercantes e embaixadas vinham por mar. [27] &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta forma, podemos compreender o avanço chinês em direção à península da Indochina, chegando ao Vietnã e controlando aí os portos que faziam a ligação do império chinês com a Malásia e Sumatra.[28] Acreditamos que nestes portos os chineses já se misturavam com marinheiros de diversas nacionalidades, limitando suas ações de longo curso, tendo em vista que esta não é a época, ainda, em que a China será conhecida por formar grandes navegadores.[29] Os indianos (acompanhados aí, e em menor escala, de árabes, malaios, anamitas, africanos e ocidentais) conheciam bem as rotas que atravessavam o Golfo de Bengala e o Mar da Arábia. Vendendo as mercadorias nos portos existentes no subcontinente indiano, estes comerciantes marítimos tinham três opções a seguir: a primeira, vender aos pequenos reinos existentes na costa leste, margear todo o território até o outro lado, onde poderiam negociar em território kushan, ou mesmo, penetrar no Golfo Pérsico para se encontrarem com partos, árabes ou romanos. Os árabes achavam interessante também margear seu território até chegar à Etiópia e entrar pelo Mar Vermelho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A navegação direta até a Índia, atravessando o mar Arábico na época dos ventos das monções é que deu origem ao Périplo do Mar Eritreu, manual de navegação que permitia aos ocidentais chegarem até os portos kushans com segurança e em tempo razoável através do oceano Índico. Plínio[30] e o Périplo discordam sobre algumas informações referentes à descoberta da técnica, mas o mais provável é que os ocidentais a tenham aprendido com os indianos ou com os árabes. Reid[31] afirma que a rota representada pelo Périplo era complementada por uma outra rota que atravessava todo o Índico tendo por ponto de partida a Indonésia e o Sudeste asiático. A esta rota ele dá o nome de Rota da Canela, mas não podemos afirmar com toda clareza se ela era utilizada com assiduidade pelos orientais nesta época, apesar de indicações positivas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ocidentais não ignoravam também de todo as rotas terrestres: Ptolomeu[32] descreveu, por exemplo, um mercador de origem macedônia chamado Maes Ticianos que teria mandado enviados por várias rotas do Oriente para melhor conhecer os mercados e produtos, bem como as regiões de onde provinham e pelo que eram trocados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta breve análise da estrutura das rotas da seda demonstra, por conseguinte, que o funcionamento do sistema mundial estava intimamente ligado à questão do comércio e que pelas rotas que atravessavam o território dos quatro grandes impérios da época transitavam os produtos que seriam utilizados pelas elites como demonstração de importância social e de poder político e econômico. Não obstante a função que o comércio possuía para o equilíbrio econômico de sociedades como as dos kushans e partos, vemos que existia também a troca de elementos culturais e técnicos entre o Oriente e o Ocidente; além da transmissão do Périplo, por exemplo, supõe-se que a balança utilizada na maior parte das transações em todas as rotas da seda teria origem chinesa[33], nos apresentando-nos, portanto, uma via de mão dupla no trânsito dos conceitos, valores e idéias que estas civilizações criavam e trocavam entre si. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Examinaremos, agora, a conformação deste sistema mundial. Já vimos os pressupostos teóricos sobre os quais construímos a idéia de sua organização, bem como sua disposição geográfica (as rotas da seda). Analisaremos, por conseguinte, as manifestações culturais, econômicas e políticas deste sistema nos centros hegemônicos chinês e romano, realizando também uma análise mais breve sobre as civilizações da Partia e de Kushana. Se até agora nos detivemos nas características gerais do sistema em questão, observaremos, neste capítulo, a vivência, por parte destas culturas, da importância do sistema mundial em suas estruturas de vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[1] O termo “rota da seda” foi criado pelo especialista alemão Ferdinand von Richthofen, no século XIX, para denominar o circuito pelo qual transitavam os produto do Oriente para o Ocidente e vice-versa. Considerava-a também como uma via de trocas culturais importantes desde a Antigüidade. Sua visão da rota era eminentemente terrestre, no entanto, pois em sua época não se levava em conta a possibilidade destes contatos serem feitos por via marítima de forma confiável. Somente as descobertas mais recentes é que têm levado à contestação deste ponto de vista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2] Esta lista aparece no Hou Han Shu, LXXXVIII e no Wei lu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[3] THORLEY, J. “The silk trade between China and Roman empire”., op. cit., p. 76-79. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[4] Síria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[5] THORLEY, J., op. cit., p.75. Lembremos, porém, o caso de Gan Yin, que, colhendo informações acerca dos territórios ocidentais, foi enganado e/ou dissuadido de continuar sua jornada através da Pártia, tendo então que se contentar em voltar para o Turquestão, onde o general Ban Chao aguardava seu retorno. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[6] THORLEY, J., op. cit., p. 77 e também no Wei Lu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[7] Plínio, o Velho, em sua História Natural, VIII, 196 acreditava que os tapetes bordados tinham sua origem em Pérgamo, mas é provável que se tenha equivocado, já que os métodos de produção dos mesmos parecem estar bem descritos em documentos mais antigos, como no Antigo Testamento: Êxodo, 28:6 e 39:3, segundo bem indica THORLEY, J., op. cit., p.77. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[8] Este tópico foi abordado em um texto meu intitulado Escravidão na China Antiga, redigido em Dezembro de 2000 para o curso de Pós-Graduação na UFF. Para saber mais sobre este assunto, pode-se consultar as obras de CH’U, T.T. Han Social Structure. Washington: Washington University Press, 1972 e de WILBUR, C.M. Slavery in China during the former Han Dynasty. Chicago: Field Museum of Natural History, 1943. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[9] Trimalquião, no Satiricon de Petrônio, apreciava os cogumelos vindos da Índia. Satiricon. Lisboa: Europa-América, 1973 p.41. Os romanos tinham algum conhecimento sobre a Índia, como indicam os relatos de Plínio, em História Natural VI, 23, além dos testemunhos dados por Ptolomeu; VII, VIII, 27 e do manual de navegação Périplo do Mar Eritreu LVI, como veremos a seguir. Cf. TCHERNIA, A., op. cit., p. 991- 1009; FREZOULS, E. “Quelque einsegnements du Periple du mer Eryhtrée”., op. cit., p. 311-319. Mas os indianos também conheciam os ocidentais, aos quais chamavam indistintamente de Yonacas ou Yavanas, termo este derivado da época de dominação grega nas regiões do norte da Índia (corruptela de jônios), tal como aparece no texto budista Milinda Panha, I, 2. Ver CIMINO, R. “The Yavanas”. op. cit., p. 64-74. Quanto aos produtos vindos da Índia, CIMINO, R. “Indian products exported to the west”., op. cit., p.80-83; “Roman products in the Indian emporia”., op. cit., p. 132-134 e WARMINGTON, E., op. cit., p. 145-260. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[10] GERNET, J., op. cit., p. 135. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[11] O fluxo comercial, intenso no norte o longo da Grande Muralha da China, era controlado diretamente pelo exército, que executava todas as funções possíveis, desde a segurança até a administração local. Isto fica bem demonstrado pelos documentos achados nas escavações da fronteira norte, e apresentados por LOEWE, M. Records of Han administration. Op. cit., p. 50-52; 60-63; 100-105; GERNET, J., op. cit., p.122-125. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[12] O já citado tratado Yantienlun (Normas do sal e do ferro) teria surgido provavelmente na época Qin (III a.C.), já com o intuito de regular várias atividades econômicas. Apesar da imprecisão na datação, sabemos que era largamente utilizado pelos imperadores da dinastia Han como referencial para administrar a economia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[13] Shi ji, CXXIII e Han shu, XCVI. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[14] Apesar de ter sido bastante danificada no fim dos séculos I a.C. e III d.C. devido aos problemas políticos da dinastia Han, a capital foi reconstruída mais tarde pelos Tang (VII-IX d.C.) mantendo seu traçado original, do qual temos hoje conhecimento. MORTON, W., op. cit., p. 105-106. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[15] Liang shu, LIV. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[16] GERNET, J., op. cit., p.127. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[17] Hou Han shu, LXXXVI. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[18] Que seria conhecida pelos romanos como Sera metropolis, ou cidade da seda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[19] WHEELER, M., op. cit., p.185-191. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[20] Ou Pathurva, Dangham, ou ainda em chinês Ban tou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[21] Também conhecida por Hamadan. Tanto nesta nota como na anterior, resolvi optar pelo nome latino, já que os autores divergem sobre o nome que seria mais utilizado pelos partos para denominar suas capitais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[22] ANQUETIL, J. op. cit., p.75-77. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[23] THORLEY, J., op. cit., p.71. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[24] MUSEUM OF SINKIANG UIGHUR AUTONOMOUS REGION The Silk road, fabrics from the Han to the Tang Dynasty.  San Francisco, 1973. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[25] Cf. Notas 5 e 6. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[26] FINZI, C. Nos confins do mundo. Lisboa: Ed. 70, 1979.  Foi um dos autores que buscou equilibrar-se entre as duas tendências (a História e realismo fantástico). Enquanto conduzia-se através do conhecimento de outros estudiosos, suas observações eram razoavelmente precisas; mas quando se decidia a fazer análises próprias, terminava por vezes em incorrer nos exageros e em hipótese históricas dificilmente comprováveis. Mas a questão parece ser realmente interessante, já que até Fernand Braudel dedicou-se ao estudo de algumas dessas idéias, como aparece no seu livro Memórias do Mediterrâneo. RJ: Multinova, 2000. O historiador e filósofo da História A. Toynbee (também conhecido por suas análises controvertidas) formulou, no entanto, uma observação interessante: “o realismo fantástico pode ser útil à História se utilizado para detectar brechas nos modelos construídos; mas não para responder-lhes”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[27] No Song chu, cap. XCVII há uma citação sobre a vinda de negociantes e viajantes pelo mar pelo oceano do oeste (oceano índico), tanto de Da Qin (Roma) quanto de Tien Chu (Índia). É provável que a embaixada à que GERNET, J., op. cit., p.127 se refere, em Nanjing, também tenha vindo por mar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[28] No Mekong, ainda no Vietnã, foram achadas moedas de Antonino Pio e Marco Aurélio em escavações arqueológicas nas áreas costeiras. Até 1979 (GERNET, J., op. cit., p.127), só haviam sido achadas poucas moedas; no entanto, depois disso foram encontrados outros materiais de origem ocidental que comprovariam este fluxo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[29] Como Zheng He, almirante da dinastia Ming, que na época moderna explorou o Oceano Índico e Pacífico. Sobre o tema, um artigo interessante foi publicado por YAMAMOTO, T. “Atividades chinesas no Oceano Índico antes da chegada dos portugueses”. Diógenes. N.5. Brasília: UNB, 1983. p. 79-93. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[30] Historia Natural, VI Plínio chama o vento da monção de Hipalo; já no Periplus, LVII, Hipalo é o nome do grego que teria descoberto a monção. FINZI, C.., op. cit., p.183-185. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[31] REID, S. As Rotas da seda – caminhos marítimos. Lisboa: Estampa - UNESCO, 2000 p.15. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[32] Geografia, I, 11. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[33] MAZAHERY, A. “L’origine chinoise de la balance romaine”., op. cit., p. 833-851.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7242339186088406966-6385769036731126952?l=rotasdomundoantigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/feeds/6385769036731126952/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7242339186088406966&amp;postID=6385769036731126952' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7242339186088406966/posts/default/6385769036731126952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7242339186088406966/posts/default/6385769036731126952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/2007/07/o-sistema-mundial.html' title='O SISTEMA MUNDIAL'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7242339186088406966.post-8546012861675283204</id><published>2007-07-13T09:32:00.000-03:00</published><updated>2007-07-13T09:33:58.424-03:00</updated><title type='text'>A CHINA HAN</title><content type='html'>Como vimos nos primeiros capítulos deste trabalho, desde o período II – I a.C. a Dinastia Han vinha desenvolvendo a preocupação de relacionar-se com as civilizações do Extremo Oeste, fosse por causas políticas ou econômicas. A ameaça constante dos “bárbaros” Xiong Nu ao longo da muralha norte motivou as primeiras expedições dos Han em direção ao Ocidente, em busca de alianças militares contra os nômades e, num segundo momento, para o desenvolvimento de relações comerciais. Os chineses acreditavam que a Pártia e os kushans poderiam ajudá-los com o equilíbrio das fronteiras ocidentais, detendo os movimentos expansionistas dos povos das estepes, provenientes da Mongólia e da Ásia central. Quanto aos romanos, no entanto, o império chinês ainda não conhecia com exatidão o seu papel na dinâmica das regiões do Oeste. É quase certo, portanto, que as primeiras missões enviadas pelos chineses em direção aos impérios e reinos do Ocidente possuíam um caráter duplo; o de investigar (conhecer e aprender mais sobre estas civilizações) e (quando possível), travar contatos diplomáticos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O exemplo clássico desta iniciativa foi a comentada embaixada de Zhang Qian (em 139 a.C.) ao Ocidente. No entanto, ela foi precedida por uma mudança na mentalidade chinesa acerca dos expedientes políticos e sociais a serem utilizados pelo Império. A sociedade, antes bastante fechada aos contatos com o exterior e autocentrada na sua própria cultura, começou a distender suas relações com as áreas que compunham sua periferia geográfica. Acreditamos que as pressões “bárbaras” vindas do Norte fossem apenas uma das motivações que levaram a China Han a se abrir para as influências vindas do Oeste e do Pacífico, pois o que estaria ocorrendo, na verdade, seria uma necessidade natural de escoar uma produção econômica cada vez maior e de aumentar o território do império em busca de terras que pudessem ser arroteadas por uma população igualmente crescente. Estes fenômenos promoveram um impulso na burocracia celeste na busca de soluções para administrar a expansão territorial e populacional. Uma proclamação famosa do Imperador Wu Di (141-87 a.C.) sintetiza bem o espírito deste movimento: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queremos heróis! Uma proclamação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalhos excepcionais exigem homens excepcionais. Um cavalo indócil pode vir a tornar-se um animal valioso. Um homem que é objeto de ódio pode mais tarde realizar grandes obras. O que acontece com o cavalo intratável passa-se também com o homem arrogante: é apenas uma questão de treinamento. Nós, desse modo, ordenamos aos funcionários distritais que procurem homens de talento brilhante e excepcional, para se transformarem em nossos generais, nossos ministros e nossos emissários aos Estados distantes.[1] &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zhang Qian foi um destes cavaleiros de caráter excepcional que surgiu para responder aos apelos de Wu Di. Em 139 a.C., ele se ofereceu para negociar um tratado de amizade com os Yuezhi[2], promovendo uma aliança contra os Xiong-Nu. Acompanhado de cem homens, foi logo capturado pelos “bárbaros”, que o detiveram por dez anos, tempo no qual o próprio Zhang casou-se com uma nativa e aprendeu a língua e os costumes do país. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logrando fugir, retomou sua missão original e foi procurar os Yuezhi, descobrindo, porém, que estes haviam se deslocado em direção a Bactriana e que não tinham mais pretensões de enfrentar os povos das estepes, sendo reticentes em firmar uma aliança com os chineses e garantido, tão somente, sua simpatia pela causa Han. Nesta época, os Yuezhi estavam preocupados em construir o seu futuro Império Kushana, e tais como os reinos greco-indianos, encontravam-se bastante fragilizados. Zhang, no entanto, percebeu a importância destes povos para o equilíbrio do Extremo Oriente. Notou, inclusive, a enorme demanda de produtos chineses nos mercados da Ásia central e uma grande quantidade de mercadorias que não conhecia com precisão. Ao voltar para China, tendo concluído a embaixada do qual só restaram ele, sua mulher e um oficial, Zhang Qian foi recebido como herói. E sendo o oficial mais experiente de que os Han dispunham, em 115 a.C., enviaram-no novamente em missão para a Fergana e a Sogdiana.[3] Nesta segunda viagem, levou presentes que foram despachados para todos os reinos da Ásia central, segundo os interesses políticos de Wu Di. Tais reinos são citados no Shi Ji como An Xi (Partia), Shengdu (Índia), Dayuan, Daxia e Kangju (reinos báctrios), o Grande Yuezhi (no futuro, Kuei shang), além de Estados vizinhos a esses, o que não exclui de forma alguma a possibilidade de emissários terem sido enviados até as fronteiras romanas[4]. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devido a esta política, em 91 a.C. os Han já haviam conseguido regularizar suas relações com os vizinhos, o que apareceria em duas menções significativas sobre sua primeira embaixada direta para os An Xi: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a primeira embaixada foi enviada aos An Xi de Zhong Guo (Terra do Meio, ou China), o rei de An Xi ordenou que fossem recepcionados por vinte mil cavaleiros de sua fronteira até a capital. Tendo passado por várias cidades, foram recebidos na corte com todas as honrarias. Após o retorno da embaixada Han, os An Xi enviaram uma embaixada para conhecer e vislumbrar toda a grandeza do Império Celeste. Eles trouxeram inúmeros presentes, tais como grandes ovos de pássaro e malabaristas vindos de Li Kan (Síria).[5] &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis aqui outra passagem pertinente: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...) os An Xi estão situados a 11,600 li[6] de distância da capital do Império, Chang An. São vizinhos dos Kangju, Dayuan e fazem bordas com Diao chi[7].(...) Possuem inúmeras cidades, e seus navios mercantes vão até os reinos vizinhos. Ao seu leste está o Dayuezhi (o Grande Yue zhi).[8] &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas duas menções mostram que os chineses haviam adquirido um conhecimento significativo sobre suas fronteiras e o funcionamento de seus vizinhos. Ao longo do Shi ji[9]vemos uma série de outras descrições dos reinos da Ásia central, que utilizaremos mais adiante.            &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desenvolvimento da política Han para essas áreas periféricas influenciou toda a organização do exército e o processo das campanhas de conquista e dominação dos territórios. Foram realizadas, entre 136 e 56 a.C. nada menos do que 25 expedições militares tanto para o norte quanto para o sul. Os objetivos eram claros: guarnecer as rotas comerciais e o trânsito nas fronteiras, além de expandir os limites imperiais. Neste período, algo em torno de três milhões de colonos foram distribuídos em áreas conquistadas no nordeste da China.[10] Fazendas especiais, integradas por postos militares ligados a um sistema de comunicação eficiente, compunham o perfil das periferias chinesas endógenas ao território. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso significava, na prática, que a dinastia Han havia compreendido existir um equilíbrio de forças entre as civilizações, do qual o seu próprio dependia. Por isso mesmo, o ramo da política externa foi incrementado com as numerosas embaixadas enviadas para o exterior, acompanhado de uma série de medidas de controle interno fortes e decididas. As diversas regulações proclamadas por Wu Di e por seus sucessores objetivavam construir uma estrutura produtiva capaz de gerar a maior quantidade possível de recursos negociáveis, beneficiando não só o Estado como todas as regiões submetidas ao poder direto do Império Chinês.[11]Havia na ideologia chinesa a crença em que o bem comum derivava do estímulo de todas as atividades produtivas, e o comércio, que havia sido tão combatido pela escola dos legistas no primeiro reinado Qin[12], foi incentivado de forma significativa, pois representava o envolvimento de uma série de atividades econômicas geradoras de capital para a sociedade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de uma série de crises internas, tais como rebeliões e dissidências que ameaçaram a China do I d.C. [13], a retomada do poder pelos Han, após o interregno de Wang Mang, reativou a política expansionista do Estado. Havia ficado claro para esta dinastia que o desafogo da economia, bem como a manutenção da fronteira e da cultura chinesa, dependiam de uma ação constante sobre as áreas instáveis de sua periferia, sempre sujeitas à invasão dos “bárbaros” e ao desligamento do poder central. Isso se aplicava não só ao problemático norte, como também às áreas recém sinizadas da Coréia, da Indochina e da Ásia central. Como os romanos, os chineses tratavam de integrar as regiões fronteiriças com a divulgação de sua cultura, sua escrita e seus sistemas de valores, o que criava um grande sistema de dependência em torno do Império celeste. A organização do poder no Extremo Oriente estava fortemente vinculada à estabilidade dos Han, já que os mesmos eram responsáveis por grande parte do tráfico e distribuição comercial entre as áreas do Pacífico e a Índia, bem como sua força militar coibia a ação das tribos nômades não só sobre o território chinês como sobre as civilizações limítrofes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso mesmo, no período dos Han posteriores (23-221 d.C.), as fronteiras chinesas iriam variar em relação às conquistas da Han anterior. Alguns territórios, abandonados ou perdidos durante as crises do período I a.C. – I d.C. foram alvos de novas campanhas militares que visavam retomar os antigos limites chineses. O sentido aí de “fronteira chinesa” fica bem claro se levarmos em conta que muitas comunidades de colonos nativos foram deixadas em total desamparo nos momentos de crise no início do século I d.C. Se no sul este processo de reconquista foi bastante tranqüilo, no caso das problemáticas terras do norte foi necessária a presença do general Ban Chao para efetivá-la. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que tornou especial o papel deste general na conjuntura chinesa foi sua capacidade decisiva de rearticular o poder do império nas áreas ocidentais. O Estado havia sofrido grandes golpes durante o malogrado período de Wang Mang, o que forçou mesmo o primeiro imperador dos Han posteriores, Guang Wu Di[14] a transladar a corte da destruída cidade de Chang An para Luoyang, situada mais a Leste. A ausência de tesouros para novas investidas comerciais era patente, e foi necessário um longo e paciente trabalho para recuperar as finanças do governo. Ming Di[15], herdeiro da política de austeridade de Guang, decidiu que o melhor seria dar continuidade as práticas administrativas de seu antecessor, tendo nomeado um funcionário de sua confiança para “Protetor das Regiões Ocidentais”, cargo cuja função era administrar os problemas relativos à fronteira Norte e a rota da seda. Esse oficial era o general Ban Chao, que começou aí sua carreira como estadista Han. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira etapa de seu trabalho foi enviar missões diplomáticas e presentes para os reinos da Ásia central, bem como distribuir funcionários nas áreas ocupadas pelos chineses. A presença destes agentes burocráticos tinha um significado claramente coercitivo: os Han desejavam recuperar o que era seu, [16] e os funcionários estavam lá para garantir isso. Esta política não parece ter tido grande eficácia, já que somente após a intervenção dos exércitos a fronteira ocidental voltou ao controle da burocracia imperial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 75 d.C. subiu ao poder um novo imperador, Zhang Di, que afastou temporariamente o general de seu cargo por motivos políticos. No entanto, Ban Chao, disposto a recuperar seu posto, convenceu-o a retomar tal empresa, demonstrando que era possível fazê-lo empregando apenas uma reduzida força de oficiais experientes e dedicados. Com clareza, ele teria demonstrado ao imperador a viabilidade de seu projeto, no qual a rota da seda seria assegurada por um grupo de reinos amigos e fiéis, sem grande ônus para os cofres do Estado, contanto que lhes fossem garantidos certos direitos sobre as vias comerciais. Ao mesmo tempo, os interesses chineses ficariam salvaguardados, bem como as áreas dominadas diretamente pelos chineses poderiam ser retomadas. A figura de Ban Chao manifesta, no Hou Han Shu, a consciência que os chineses possuíam sobre o papel das periferias na manutenção do poder central, compreendendo que suas funções mantenedoras e difusoras da cultura e da força política eram importantes para a hegemonia dos Han. Precisavam, no entanto, ser estimuladas e implementadas, para que houvesse a reprodução constante do sistema social e econômico. O discurso de Ban Chao teria deixado isso bem claro para o imperador: era necessário vencer os inimigos, conquistar os amigos e educar os vizinhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo conseguido a concessão de Zhang Di para operar, ele partiu com um exército de 70 mil homens em direção ao Oeste. Debelou uma rebelião que se instalara no Turquestão chinês, insuflada pelo apoio provável dos partos e/ou dos reinos greco-indianos da Ásia central. Durante 17 anos administrou e organizou as fronteiras, afastando as ameaças externas, garantindo a fidelidade de alguns reinos vizinhos, vencendo os nômades e regulando os pontos de apoio chineses na rota da seda. Como sugeria o protocolo, enviou novamente emissários para os reinos vizinhos, inclusive o nosso famoso Gan Yin, a quem recorreremos ocasionalmente. No entanto, há uma mudança clara no panorama político da época. As relações entre chineses e os partos, até então amistosas, parecem ficar seriamente afetadas. Os motivos estão provavelmente ligados ao desejo da Partia de tentar se expandir em direção ao Oriente, ameaçando os territórios abandonados pelos chineses durante a crise do início do I d.C. e, também, entrando em conflito com vários reinos indianos, principalmente o de Dayuezhi (Grande Yue Zhi), que nesta época havia se transformado na dinastia Kushana, sob o comando de Kujula Kadphises.[17] A manobra dos partos de ocupar o poder na Ásia central no vácuo dos chineses e indianos foi muito mal sucedida; não conseguiram nenhuma grande conquista, e ainda tiveram que amargar uma série de movimentos políticos que visavam conter seus interesses. Estes transparecem no envio de embaixadas kushans para Roma[18], na troca de embaixadas entre os Kushans e os chineses (principalmente depois do estabelecimento de Ban Chao) e até mesmo no pedido de apoio aos Han, por parte da Armênia, contra as ingerências de seus vizinhos[19]; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o nono ano (97 d.C.) as tribos bárbaras além da fronteira e o rei do país chamado Shan (Armênia), chamado de Yung Yu Diao, enviaram dois intérpretes identificados por jóias oficias de seus Estados[20]. Ho di[21] concedeu-lhes o selo de ouro e fitas púrpuras, e para os oficias menores que os acompanhavam, concedeu-lhes pequenos selos, ouro, fitas e dinheiro. Durante o 1O ano de Yung Ning (120 d.C.), o mesmo rei de Shan, chamado Yung Yu Diao, enviou outra embaixada, que foi recebida na presença de sua majestade, oferecendo-lhe músicos e malabaristas de presente. (...) o emissário afirmou: “temos homens vindos do oeste do mar (Cáspio). A terra a oeste deste mar é quem vós chamais de Da Qin (romanos). Ao nosso sudeste vocês poderão passar livremente para Da Qin.”(...) E no começo e no seguimento do reinado de An Di[22], (...) o Yung Yu Diao investiu um Da Du Wei (enviado tributário) (...) para garantir o selo de ouro e a fita de seda prateada, pedido proteção de nosso soberano.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que podemos perceber aí é que o governo de Ban Chao como “Protetor Geral das Regiões Ocidentais” serviu para manifestar, com clareza, os aspectos da necessidade de equilíbrio entre os quatro centros hegemônicos do sistema mundial. Os partos, dispostos a minorar sua posição complicada (e tentando consertar o erro estratégico de atacar as posições chinesas), já tinham enviado missões em 87 e 101 d.C. oferecendo presentes aos chineses[23]: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No reinado de Zhang Di (87 d.C.), eles (os An Xi) enviaram uma embaixada oferecendo leões e Fu-pa. O Fu-pa tem a forma de um Lin (Unicórnio), mas sem o chifre. (...) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, após a missão de Gan Yin (o oficial chinês de Ban Chao delicadamente convidado a não prosseguir viagem até Roma): &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o reinado de Ho Di (em 101 d.C.), o rei de An Xi, Man Ku, enviou uma embaixada de enviados tributários que ofereceram leões e grandes ovos de um pássaro de Diao Chi (Mesopotâmia). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Embora romanos e chineses não tenham estabelecido um contato direto neste momento, os segundos citam diversas vezes a presença dos primeiros no Hou Han Shu e nos documentos subseqüentes. Os capítulos 86, 87 e 88, que são nossa fonte de informação, nos dão inclusive a idéia de um interesse constante, por parte dos chineses, em conhecer diretamente os Da Qin. E o volume de informações sobre os “sin” aumentou também significativamente no Ocidente, como vemos na documentação latina, o que sugere o conhecimento, por parte dos romanos, da onda de impacto provocada pelo avanço dos orientais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na visão chinesa, entretanto, este processo de relações políticas teve continuidade com a enviada de uma embaixada, por parte de An tun (o imperador de Da Qin), em 166 d.C. Como afirmam os Anais dos Han Posteriores: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No reino de Huan Di (166 d.C.), o rei de Da Qin, An Tun (Marco Aurélio) enviou uma embaixada que foi recebida na fronteira de Jinan (Anam, ou Cochinchina) oferecendo marfim, chifres de rinoceronte e cascos de tartaruga. Deste tempo datam-se as relações diretas entre o nosso reino e o deles. A lista destes tributos não continha quaisquer tipos de jóias, o que mostra que eles não conheciam a tradição.[24] &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podem ser observados alguns pontos importantes neste trecho do documento: o fato de haver chegado uma missão que se afirmava ser representante dos romanos demonstra que os mesmos, fossem comerciantes ou diplomatas, sabiam a importância e do poderio do Império chinês. A dúvida sobre a autenticidade da embaixada foi formulada por Fan Ye, que afirmou que os enviados “não conheciam a tradição”, ou seja, seus tributos eram pobres. Como ele teria usado o protocolo da corte chinesa como referencial para caracterizar uma missão diplomática, automaticamente tais enviados poderiam não ser “autênticos”, o que fez com que, na dúvida, ganhassem concessões e presentes sem importância. Mas há um questionamento importante aí: este “protocolo” diplomático era somente chinês ou fazia parte da mentalidade do sistema mundial? Vemos que as outras embaixadas dos kushans, partos, armênios e greco-bactrianos sabiam bem como presentear o imperador chinês e ganhar o seu favor. Assim sendo, é possível que houvesse uma série de procedimentos em comum a todas essas civilizações para fazer suas trocas diplomáticas, as quais consistiam basicamente em presentes compostos por artigos de luxo e mercadorias estrangeiras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato, também, desta missão se apresentar como enviada por An Tun (uma corruptela do nome dinástico Antonino, de Marco Aurélio) mostra que os chineses não ignoravam os acontecimentos políticos do Ocidente. Os romanos haviam vencido os partos numa batalha importante, e, tal como Ban Chao, Marco Aurélio fez (ainda que inconscientemente) as ondas do Ocidente ecoarem até o extremo Leste. E não é preciso lembrar que este imperador estava lutando para assegurar o domínio romano no Oriente Próximo, importante área econômica e fronteiriça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, os chineses entenderam que a partir daquela data estabelecia-se uma relação direta entre eles e os romanos. Como Fan Ye estava escrevendo no período dos séculos IV – V d.C., devemos nos perguntar se os romanos continuaram a visitar os chineses depois desta data, o que é bem provável. Devemos na verdade entender estes “romanos” mais como ocidentais, propriamente, do que apenas os latinos. É bem provável que mercadores gregos, árabes, africanos, sírios e tantos outros que estavam dentro das fronteiras romanas eram assim compreendidos pelos escritores chineses. O que podemos discutir é se existiam relações de caráter oficial (embaixadas) que mantivessem o nível das relações entre os impérios. Da parte chinesa, as citações desaparecem depois desta “visita”. No entanto, devemos ter em mente que em 221 a Dinastia Han também estava destruída e, no caos que se seguiu, muitos documentos oficiais foram perdidos, o que limita nosso poder de análise neste ponto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A análise dos aspectos políticos das relações entre os chineses e seus vizinhos demonstra que os primeiros adquiriram uma consciência específica sobre o papel das relações internacionais. A estabilidade e a preservação de seu modo de vida estavam profundamente vinculadas aos movimentos da fronteira, de onde provinham recursos e informações indispensáveis à sua existência. Tendo observado que o equilíbrio dos centros hegemônicos dependia em muito do controle que pudessem exercer sobre suas periferias, a dinastia Han tratou de assegurar ao máximo a ascendência sobre suas fontes econômicas e articular o seu funcionamento ao sistema econômico e político no qual estava inserida, o sistema mundial. Por este motivo vemos uma difusão tão grande dos produtos chineses ao longo das rotas que ligavam Ocidente e Oriente. Politicamente, porém, observamos através da documentação chinesa o surgimento de uma ideologia específica para o tratamento das questões internacionais, com a diplomacia alcançando um nível de complexidade e abrangência bastante sofisticado para a época. Temos aí quatro centros hegemônicos, numa disputa por recursos econômicos e terras, que acabam fomentado uma teia de relações onde o equilíbrio das fronteiras é assegurado por uma série de manobras políticas claramente representadas pelo trânsito das embaixadas. As características destas missões demonstram igualmente o conhecimento de uma série de procedimentos de contato e etiqueta que eram dominados tanto pelos enviados chineses quanto por aqueles que foram recebidos em Chang An e Luoyang. Se houve a formulação de um código comum de contato entre essas civilizações, podemos supor então que a análise do caso é bem precisa, pois ainda que os chineses acreditassem que eram o centro do mundo (tal como Roma), seus procedimentos diplomáticos e políticos seguiam uma regra que estava além daquelas determinadas apenas por sua cultura, ou seja, um conjunto de procedimentos comuns a todas as civilizações integrantes do sistema mundial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*** &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como pudemos observar na parte anterior, o desenvolvimento da fronteira chinesa e das regiões periféricas estava intimamente vinculado às práticas imperialistas da dinastia Han. Grande parte desta estrutura estava ligada à questão do controle comercial da rota da seda, das vias marítimas e da expansão territorial. Por conseguinte, podemos afirmar com bastante segurança que, no caso específico da China, a interferência do Estado na economia era bastante forte, fosse no papel de administrador, fiscal ou mesmo de investidor[25]. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O império chinês era um grande patrocinador de empresas comerciais, fossem de caráter estatal (quando financiava expedições militares, estabelecia colônias comerciais, postos de guarda, etc) ou privado (protegendo as corporações de comerciantes instalados na fronteira, construindo estradas, articulando a distribuição de produtos, regulando taxas, fazendo empréstimos, etc). Não havia, teoricamente, uma concorrência entre esses dois níveis de capital (privado e público); na verdade o Estado buscava abrir as fronteiras para as iniciativas particulares e garantia sua porcentagem através de impostos cobrados dos comerciantes e produtores rurais que fossem se instalar nos novos territórios. O fomento de inúmeras colônias no extremo norte do Império, no sul e na Indochina era uma prática complementar que visava, igualmente, ocupar novas áreas de importância comercial, bem como desafogar certas províncias com excesso de população e apertadas por dificuldades econômicas[26]. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que este processo gerou foi um fortalecimento do poder das corporações manufatureiras e comerciais ao longo dos séculos I – II d.C., sobre as quais pesavam grande parte das contribuições para financiar o exército e a burocracia imperial nas áreas periféricas[27]. Na verdade, ao longo dos séculos III a.C. - III d.C., a imbricação entre o comércio internacional, o comércio local e a ação do Estado tornou-se praticamente inseparável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de ser uma civilização essencialmente agrícola, que dependia em grande parte das culturas rurais e de um métodico planejamento anual de plantio, irrigação, colheita, etc. os chineses perceberam que era bastante vantajoso estimular a exportação de suas manufaturas, geradora de rendas significativas para alguns grupos sociais, o que, conseqüentemente, aliviava também a pressão fiscal que era constantemente exercida sobre o campesinato. O comércio local, responsável pelo trânsito das mercadorias regionais, era regulado e inspecionado por esta burocracia imperial e pelo exército, que visavam organizar a distribuição e o fluxo das mercadorias, buscando tanto beneficiar as regiões produtoras quanto os negociantes[28]. Nas empresas de grande escala (normalmente em áreas externas) é que o Estado intervinha diretamente, empreendendo as expedições militares que conquistavam novos territórios, abrindo-as para a vinda de comerciantes e colonos chineses. Um exemplo desta política ficou patente numa série de campanhas realizadas no sul da China no século II a.C. Um alto funcionário Han, por ocasião de visita ao território de Guanzhong (Cantão), havia sido convidado para um jantar onde foram servidas de sobremesa frutas que não eram típicas da região. Aguçado pela curiosidade, descobriu que havia rotas comerciais marítimas provenientes da Índia e do Pacífico que aportavam nos territórios de Guandong, Guanxi e na região de Tonquim (Indochina), o que imediatamente informou ao imperador e aos seus superiores quando retomou seu posto em Chang An.  O resultado foi que, em 111 a.C., foram enviadas tropas que incorporaram estas terras aos limites imperiais, tornando-as novas províncias[29]. Os portos dessas regiões eram extremamente ativos, sendo o tráfico neles tão intenso como nos mercados do norte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para manter as guarnições militares nestes locais, impostos novos sobre a circulação de mercadorias foram criados. E o exército, encarregado de fazer a coleta das taxas nos pontos de trânsito, acabava, assim, se integrando à burocracia; não raramente, alguns generais se transformavam em administradores provinciais ou regionais, como no caso clássico de Ban Chao. Dentro da China vemos que as instituições militares atuavam, de fato, como agentes estatais na regulação das atividades econômicas[30]. A vida dessas forças, encarregadas de guardar as fronteiras e fazer a recolha de impostos, foi muito bem descrita e trabalhada através de um achado arqueológico valioso feito na região de Dunhuang, a oeste do Gansu (região do extremo norte da China): uma coleção completa de cartas, relatórios, pedidos, livros alfandegários, etc, em número aproximado de dez mil unidades, compostos por rústicas (mas duráveis) ripas de madeira que continham informações diversas sobre o trabalho dos postos fronteiriços[31]. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta documentação é, em geral, sucinta e objetiva. No entanto, além de contar o cotidiano das tropas aquarteladas, ela nos dá informações precisas sobre o trânsito comercial e militar nas fronteiras, a quantidade de impostos e mercadorias recolhidos, novos tipos de produtos, etc. Enfim, toda uma gama de dados que deixava o Estado com um razoável conhecimento - e controle - sobre o mercado interno e externo[32]. Por isso mesmo, não é de estranhar que as listas de produtos estrangeiros contidas no Hou Han Shu e nos documentos posteriores sejam tão precisas, já que muitas das informações provinham deste trabalho burocrático, além, claro, dos dados coligidos pelas missões diplomáticas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já apresentamos ao longo deste trabalho alguns dos produtos de origem estrangeira que os chineses gostavam de importar. Há que se destacar, porém, uma lista contida no Wei Lu que trata exclusivamente dos gêneros de origem romana, apresentando, com detalhes, o que apetecia ao império Han. No documento, tais gêneros aparecem como “as mercadorias que são encontradas em Da Qin”, contidos num trecho onde se descreve a visão chinesa sobre este reino. Logo a frente, porém, somos informados de que as mesmas são aquelas que “os comerciantes deste reino vêm trazer até nós”. Vejamo-la por completo, agora: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ouro, prata, cobre, ferro e chumbo. Tartarugas, cavalos brancos (...), carapaças de tartaruga, ursos negros (...), conchas, chifres, marfim, gemas de “rei dos peixes” (?), (...) pérolas reais brancas, âmbar, coral, dez cores de vidro opaco (...), Pedra cristal (?), dez tipos de jade (...), cinco cores de tapete Qu shu, cinco cores de tapetes Ta deng, (...), brocados de ouro, tecidos cosidos com ouro, damascos de várias cores, (...) e 12 tipo de perfumes e fragrâncias de origem vegetal.[33] &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devemos notar que os chineses citam apenas o que para eles provém de Da Qin. Outros produtos como madeira, peças de arte, condimentos, etc, eram sabidamente de origem indiana ou das ilhas do pacífico, coisa com o qual os autores não se enganaram; já os escravos são citados em outra passagem. Curiosa, porém, foi a tendência dos autores posteriores a Sima Qian e Ban Gu de acreditarem que a Síria era apenas uma outra denominação do Império Romano, afirmando; “Da Qin, também chamado Li Kan..”[34]. É provável que tal engano ocorresse por alguns motivos simples: a Síria era província romana, e muitos mercadores partiam de lá com suas caravanas ou ainda, negociavam seus produtos na fronteira com a Pártia; além disso, é provável que os próprios mercadores informassem serem as importações de origens variadas, além de pertencerem ao “Império Romano”. Este erro, porém não ocorreu no Shi Ji ou no Han Shu, o que mostra que os historiadores pós - Han não podiam contar com uma estrutura de informação totalmente confiável[35]. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por conseguinte, podemos ver que o Estado, então, tinha realmente um certo controle sobre a economia e sobre o comércio, o que se manifesta neste conjunto de documentos produzidos em caráter oficial[36]. Precisamos ver, portanto, a relação deste tráfego comercial com a estrutura econômica chinesa neste período. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns estudos mais abrangentes foram feitos sobre a questão organizacional da economia na China Antiga[37]. A idéia que atravessa todos estes trabalhos é que, realmente, a dinastia Han estava interessada em diversificar, ao máximo, suas fontes de renda. A produção agrícola estava sempre sujeita às intempéries da natureza, e períodos contínuos de má colheita e escassez de alimentos colocavam o poder do imperador em jogo[38]. A expansão territorial e a difusão do comércio parecem ter surgido aí como soluções para desafogar estas tensões sociais, criando um trânsito de capitais e produtos[39]. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não podemos com isso considerar, no entanto, que grande parte das mercadorias de origem estrangeira tivessem livre circulação social. No caso específico da China, temos que classifica-las em três grupos distintos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro deles, de circulação ampla, englobaria os metais e pedras preciosas, utilizados no pagamento de despesas administrativas, no câmbio, na troca por mercadorias e na confecção de moedas e objetos de valor. Dada sua constituição e a forma como entravam no sistema econômico chinês (moedas e metais eram utilizados em pagamentos dos mais diversos tipos, provavelmente através de um sistema de equivalência por peso[40]). Este tipo de produto tinha uma circulação maior dentro das áreas imperiais, basicamente entre todas as classes sociais (bem como em todos os lugares do sistema mundial). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo grupo, de circulação semi-restrita, seria constituído pelas mercadorias que teriam uma certa difusão em mercados locais, de acesso mais popular, mas essencialmente dentro dos limites imperiais e nas periferias. Provavelmente estes produtos tinham origem nas regiões próximas à periferia Han (sudeste asiático, Indonésia, Malásia, Ásia central), e daí o seu preço menos custoso. Os chineses incluíram em suas listas cereais, condimentos, madeiras, sal, tecidos mais rudimentares, ferro, bronze e fibras vegetais. Parece-nos impressionante que as dificuldades chinesas em produzir alimentos tenham chegado ao nível deles terem que importar, ocasionalmente, grãos e gêneros básicos, mas por outro lado isso dá um certo sentido ao estímulo constante a diversificação de atividades econômicas e comerciais por parte do Estado. É provável que as atividades comerciais tenham sido empregadas na obtenção de gêneros alimentícios, através de requisições organizadas pela burocracia imperial[41]. Por outro lado, não sabemos em que escala esses produtos participavam do montante das importações, já que os meios e transporte da época não permitiam longas travessias destes gêneros sem que parte estragasse ou ficasse inútil. Em se tratando das especiarias, algumas possuíam preços restritivos, o que também circunscreveria sua aquisição a parte reduzida da sociedade. Assim sendo, é muito difícil precisar se houve alguma política por parte do Estado chinês em importar e estocar alimentos em momentos de estiagem (sabemos que tais políticas existiam, mas elas lidavam basicamente com a produção interna[42]), e por este motivo, só podemos averiguar de forma restrita sua difusão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos afirmar, porém, que o preço das mercadorias de circulação semi-restrita seriam mais acessíveis, dado que muitas delas já eram manufaturadas pelos chineses e por seus territórios súditos, o que coloca esta categoria como complementar ou alternativa a própria produção nativa.  Portanto, o valor sistêmico dos mesmos não deveria ser muito significativo, tendo em vista que eram distribuídos de forma razoável dentro do império chinês e não eram trocados por materiais de grande valor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terceiro grupo, no entanto, é aquele pelo qual guardamos um especial interesse. As mercadorias de difusão restrita, geralmente de origem longínqua e custo dispendioso, são aquelas que seriam empregadas pelas elites como demonstração de prestígio perante suas sociedade de origem[43]. Não podemos inferir o quanto seria lucrativo ou oneroso trazer este tipo de produto para a China, mas sabemos que um mercado específico existia para absorvê-lo. Era o das classes abastadas, cosmopolitas, que tinham uma imagem para preservar em seu próprio interior e junto ao resto da população. Os produtos escolhidos foram aqueles que, como veremos, adquiriram um maior valor sistêmico dentro do sistema mundial, sendo empregados pelas elites de todas as culturas envolvidas nas rotas comerciais: a seda, sobre controle imperial direto na China; pedras preciosas, jóias e objetos artísticos trabalhados, tecidos nobres, escravos, perfumes, condimentos raros, animais exóticos, ferro cromado e bronze de alta qualidade (em geral chinês também), vidro...Enfim, uma série de itens que, do ponto de vista da cultura material, fariam qualquer nobre, em qualquer uma das sociedades que compunham o mundo civilizado, ser reconhecido como tal, estivesse em casa ou longe dela.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A forma específica de obter estas mercadorias e seu custo alto é que geravam sua importância sistêmica entre as elites do sistema mundial, bem como estimulavam suas práticas de ostentação. Economicamente, parecia ser vantajoso tanto para os chineses quanto para os romanos exportar suas mercadorias, mas o custo das importações torna-se uma tarefa difícil de estimar. O fato é que, no caso chinês, esse equilíbrio alternava períodos de solidez e de fragilidade extrema, intimamente vinculados à capacidade dos imperadores e de sua burocracia em gerenciarem os períodos de escassez e de dificuldades produtivas. Nos últimos períodos dos Han, no século III d.C., era notória a incapacidade dos governantes em lidar com as crises que afetavam o campo e a economia, gerando uma série de revoltas que terminaram por desmembrar a dinastia[44]. No entanto, a vinda de produtos de consumo conspícuo continuou a ocorrer mesmo após a queda dos Han, como atesta o Liang Shu[45]: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o período final da Dinastia Han, só houve uma embaixada direta para Zhong guo (China). No entanto, seus mercadores visitaram freqüentemente os portos de Funam (Sião), Jinan (Anam) e Chiao Chin (Cochinchina) (...) Durante o quinto ano do reinado de Huangwu, rei de Sunquan (226 d.C.), um mercador do reino de Da Qin, chamado de Qin Lun, veio até Chiao Chin (Cochinchina) (...) Ele se apresentou diretamente ao rei, trazendo anões coloridos, seres que eram raramente vistos por ali. (...) Um oficial de nome Liu Xien foi designado para acompanhá-lo até sua terra natal; Qin Lun conseguiu voltar a salvo para sua pátria, mas Liu Xien pereceu na travessia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A análise dos aspectos econômicos do sistema mundial do ponto de vista chinês demonstra, portanto, que a vinculação entre a circulação econômica e o governo central foi um resultado natural do processo de fusão entre os interesses de Estado, os investimentos das corporações comerciais particulares, a produção agrícola e as manufaturas nativas. Em certa medida houve um atrelamento das atividades produtivas ao circuito comercial, não só através da geração de excedentes como também da produção específica para venda ou distribuição (por parte do governo). Assim, a geração de riquezas e a manutenção da ordem institucional e política possuíam uma íntima ligação, como fica patente principalmente no segundo caso (a política de distribuição de mercadorias entre as elites periféricas e nas semi-periferias para manutenção de alianças e acordos dos mais diversos tipos). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No período dos séculos II – I a.C. a dinastia Han implementou uma política chamada Heqin – “paz e amizade” – que tinha como mister pacificar as tribos Xiong Nu com presentes e dinheiro, além de conquistar aliados entre os países fronteiriços na Ásia central[46]. Inicialmente a política teve sucesso, mas, no caso específico dos “bárbaros” povos do Norte, a medida em que os líderes tribais descobriram que cada revolta aumentava as ofertas materiais, decidiram então se rebelar quase que anualmente, absorvendo recursos cada vez mais significativos do Império. Uma estimativa baseada em dados da época indica que em 51 a.C. foram distribuídos, por exemplo, oito mil rolos de seda; este número subiu para trinta mil rolos no século I d.C., e no mesmo período, das dez bilhões de moedas de cobre em circulação, um terço foi utilizado na política de apaziguamento[47]. Como cita Morton:“não surpreende, portanto, que os ex-nômades explorados dentro das fronteiras do império estivessem freqüentemente em pé de guerra”[48]. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso dos Xiong Nu, os imperadores Han posteriores julgaram que comprá-los com presentes era uma política ineficiente, e resolveram que deveriam utilizar tais recursos para empreender a aniquilação do inimigo. Por isso mesmo, todas as tribos que não se submeteram de bom grado à nova ordem foram desbaratadas numa série de campanhas militares, tanto aquelas que viviam em conflito direto contra o Império quanto aquelas que estavam, como diziam os documentos, sob “sua proteção”. Os países vizinhos continuaram, porém, a receber seus presentes, como prova de amizade e confiança[49]. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso mesmo, observamos que a distribuição de mercadorias tinha também um amplo caráter ideológico, fosse fomentando a amizade das elites estrangeiras, quanto fazendo “propaganda” dos produtos chineses no exterior. Aparentemente Wu Di já tinha isso em mente quando iniciou suas primeiras doações[50]. Cabia aos comerciantes acompanharem esta iniciativa e aproveitarem a oportunidade de lucrar, motivo pelo qual muitos deles se dirigiram para o norte, ao longo da rota da seda, ou ainda para os portos das províncias de Guanzhong e Guanxi. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vemos assim que, no caso chinês, não há dúvidas de que a política econômica, em seus diversos níveis, estava articulada à razão da existência do império; e por conseqüência, durante a época Han, sua dinâmica interna adquiriu uma estreita ligação com os movimentos políticos e sociais externos. Em última instância, o desenvolvimento deste fator teria impulsionado os chineses ao contato com as outras civilizações, através de um projeto bem dirigido que visava suprir as carências internas realizando a manutenção e a preservação de seu modo de vida, mas que, ao mesmo tempo, abriu as portas do império às influências estrangeiras que foram empregadas pela elite no fortalecimento de sua própria posição perante a sociedade. Foi, portanto, um processo complexo, em que o fortalecimento do império e da cultura chinesa dependeu, em grande parte, do relacionamento econômico e político que os mesmos desenvolveram com seus vizinhos e com os povos mais distantes. E se por um lado o objetivo era o enriquecimento geral da sociedade, fortalecendo suas bases de existência, o que se viu foi a ratificação das desigualdades através de uma prática de ostentação  que foi intensamente influenciada por referenciais externos. A intervenção do Estado contribuiu em muito, porém, na dinamização das práticas econômicas[51]. Os desdobramentos culturais, no entanto, é que realmente operaram modificações profundas na estrutura da sociedade, como veremos a seguir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*** &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na análise das manifestações do sistema mundial nos aspectos culturais chineses devemos ter um extremo cuidado em separar os elementos que adquiriram um caráter sistêmico cosmopolita daqueles que seriam apenas originários da China ou, ainda, que ficariam circunscritos à sua civilização. Tal cuidado tem por objetivo tornar possível que analisemos quais valores sociais, materiais e ideológicos chineses contribuíram e/ou sofreram influência da cultura comum que foi compartilhada pelos centros hegemônicos e por suas periferias, gerando assim o sistema mundial. Partindo dessa premissa, poderemos discutir uma série de práticas da sociedade chinesa que dizem respeito ao nosso trabalho, e evitaremos o engano de acreditar que a formulação do sistema mundial poderia ter uma origem unilateral, problema enfrentado por alguns autores que se dedicaram ao estudo dessas culturas e de suas relações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre a China e seus vizinhos periféricos, estabeleceu-se uma clara relação de dominação e conflito, pautada numa hierarquia cultural e política cujo parâmetro de avaliação, do lado chinês, era a sua própria cultura. Após o movimento de expansão iniciado no século II a.C., os chineses estabeleceram uma gradação para os níveis de relacionamento que possuíam com as outras civilizações com as quais estavam em contato. A denominação de “bárbaro” era aplicada usualmente àqueles que não dominavam qualquer um dos elementos da cultura chinesa, tal como a língua, os costumes e rituais, ou ainda, um sistema de vida sedentário, baseado na agricultura, centrado em cidades[52]. Assim, o sistema chinês de classificação civilizacional tinha por base sua própria ideologia, mas não excluía a possibilidade de outras nações possuírem uma cultura que os diferisse dos “bárbaros”. Tal é o caso dos partos, dos romanos e mesmo dos reinos greco-bactrianos, que nunca foram considerados “inferiores” na escala cultural dos historiadores Han, pois, mesmo não praticando a língua chinesa, eles produziam seus próprios rituais, leis e construíam cidades (logo nunca se constituíram em periferia do império chinês, embora os kushans tenham aceitado a presença chinesa em seu território no século II d.C.). Esta noção deriva justamente do contato que os chineses tinham com as culturas nômades, que consideravam desprovidas de inteligência, saber e organização por nunca se estabelecerem em um lugar definido[53]. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso mesmo os chineses não se importavam de tratar como “reinos” aquelas civilizações estabelecidas ao longo dos oásis da rota da seda, que costumeiramente recebiam os presentes enviados pela corte Han, já que estas possuíam alguns dos “itens” que compunham uma cultura na mentalidade chinesa[54]. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, os chineses tratavam de delimitar muito bem o seu papel hierárquico no sistema de relações que desenvolveram com estes vizinhos (bárbaros ou não). Recepções suntuosas eram feitas na corte para a visita dos príncipes destes povos, demonstração inequívoca do poder imperial. Era costume, aliás, juntar todos os enviados diplomáticos e representantes estrangeiros numa única recepção, para mostrar a força do imperador e a extensão de sua influência[55]. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma política de absorção dos bárbaros também foi implementada pelos Han, transformando-os em aliados seguros pela sua sinização constante. Isso significava transformá-los em chineses, ou quase, através de sua fixação nas terras da fronteira, da prática da agricultura, do ensino da língua e da cultura chinesas e pelo seu emprego no exército[56]. Isso não significa, porém, que a vida destes povos fosse tranqüila: mesmo depois de sinizadas, algumas tribos eram exploradas e ameaçadas constantemente, o que gerava uma série de revoltas contra a administração imperial[57]. Por isso mesmo, o nível de envolvimento dos Xiong Nu com os Han era variável: algumas tribos converteram-se definitivamente ao modo de vida chinês, mas outras não ab-rogaram de seu modo de vida independente, ou “bárbaro”[58]. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta análise das tribos do Norte é válida também, em certa medida, para a relação que o Império desenvolveu com as áreas do sudeste asiático, Coréia e Japão, lugares onde a cultura chinesa era entendida como indício de civilidade e saber[59]. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o padrão de análise cultural chinês sofreu uma grande flexibilização, de fato, a partir das relações desenvolvidas com as civilizações da Ásia central e com o Ocidente. Como vimos, elas eram definidas como “nações” por serem possuidoras de elementos considerados como civilizacionais pelos chineses. Num longo trecho acerca da viagem de Zhang Qian, realizada no capítulo 123 do Shi Ji, Sima Qian deixa bem entendida a consideração que era feita pelos Han sobre estes povos. Iniciando pelos greco-indianos de Dayuan, ele os descreve como &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um povo que vive em suas terras, cultivando os campos e produzindo arroz e trigo, além de vinho. Possui também uma raça muito especial de cavalos (...). O povo vive em cidades fortificadas de vários tamanhos, e o povo conta alguns milhares de habitantes.[60] &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo é dito acerca de Daxia, outro dos reinos da Ásia central, cujo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Povo é muito pobre, cultiva os campos, mas possui cidades e cavalos.[61] &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, quando se tratava de outros povos como o de Kangju, os Wusun ou os Tiazhi[62], que praticavam em certa medida o nomadismo, o autor não usava terminologia como “reino”, “país”, etc. Ele utilizava a palavra “terra de...”, ou “povo de...”. O que quer dizer que ele compreendia haver um espaço no qual estas culturas estavam inseridas, mas era o seu modo de vida que os tornava mais ou menos civilizadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas concepções foram aplicadas com grande respeito, porém, aos reinos dos kushans, dos partos e principalmente dos romanos. No Hou Han Shu, quando surge a primeira descrição dos romanos, vemos que eles eram considerados os mais civilizados dentre os civilizados não-chineses, já que, além de terem todas as instituições necessárias a constituição de uma cultura, também produziam as mercadorias estrangeiras mais apreciadas pelo Império chinês, listadas por nós anteriormente. No trecho da documentação em que aparece a viagem para Ocidente de Gan Yin, o embaixador oficial de Ban Chao encarregado exclusivamente de entrar em contato com os romanos, temos a primeira manifestação clara desta concepção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabemos se Gan era o único emissário, ou se fazia parte de um grupo que foi enviado a várias localidades. A procedência da fonte e o relato de sua viagem são corretos, porém, já que Ban Chao costumava escrever para o irmão historiador Ban Gu, e boa parte dessa correspondência foi empregada na confecção do Han Shu e do Hou Han Shu. Tendo coletado o maior número de informações possíveis, Gan Yin retornou ao comando de Ban Chao e fez o relato que a documentação nos legou[63]. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato do general Ban Chao tê-lo enviado diretamente para entrar em contanto com os romanos já deixava claro que os chineses conheciam os Da Qin havia algum tempo. E a maneira como Gan Yin repassou as informações que conseguiu sobre os ocidentais e suas formas de vida reflete o espírito no qual os chineses compreendiam a existência de Roma como uma grande civilização, enquadrada nos seus critérios culturais. Vejamos a frase inicial do documento, que é perfeita para compreender esta idéia; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O povo de Da Qin tem historiadores e tradutores de línguas estrangeiras, tais como os Han. Vivem em cidades, suas muralhas são de pedras, usam cabelo curto, vestem roupas bordadas e deslocam-se em pequenos carros, tais como os nossos. Os governantes são escolhidos e desempenham suas funções durante algum tempo, ao final do qual são substituídos, ou são mantidos no cargo caso sua administração seja exemplar. São de grande estatura (...), e vestem-se diferentemente dos chineses. Sua terra produz ouro, prata, pedras preciosas, âmbar, vidro, ovos gigantes e animais raros.[64] &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  O trecho não para por aí: a descrição de Fan Ye nos informa que: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O povo de Da Qin é honesto. Os preços são tabelados e os cereais custam sempre barato. O governo é sempre forte, com silos cheios e tesouro grande. Os Da Qin nos enviaram sua primeira embaixada (166 d.C.), e desde então seus comerciantes são sempre vistos em Jinan (Tonquim).[65] &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Por fim, o documento nos informa, num trecho específico; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A capital dos Da Qin possui cinco palácios, cujos pilares são feitos de vidro. (...) Quando o rei chega a seu palácio, ele examina os documentos oficias, e conta com um grupo de trinta e seis auxiliares para isso.[66] &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta descrição é incrível, não somente pela precisão de detalhes, mas pela admiração que os chineses nutriam por esta civilização. Somam-se a estas passagens referências sobre as distâncias entre Chang An e Luoyang até os países em questão com um senso cartográfico notável[67]. É impressionante que até pouco tempo atrás ainda acreditássemos que Roma e China não tivessem contato uma com a outra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos, porém, analisar o documento por partes e com cuidado. Devemos ver, em primeiro lugar, que ele foi redigido no século V d.C. mediante consulta a escritos do século I e II d.C. Quanto ao relato de Gan Yin, não temos razões para acreditar que tenha sofrido muitas alterações. Mas é provável que, quando Fan Ye citou as visitas constantes dos ocidentais aos portos do sul da China, estivesse se referindo a um tempo mais próximo do seu, e ao conjunto de mercadores que afirmavam vir de Da Qin, o que engloba um bom número de povos diferentes; além disso, devia estar assimilando o movimento comercial de sua época ao do século II d.C., já que os chineses tinham uma certa tendência, desde Sima Qian, a compreender a História como repetição de certos ciclos, o que deu ensejo, portanto, que este autor projetasse sobre o passado algumas de suas considerações. Mas não temos motivos para duvidar da plausibilidade de ter ele documentos que reproduzissem, de forma fiel, os registros oficiais de movimento da época Han, bem como versões do Shi Ji e do Han Shu. A precisão de certas informações, bem como alguns enganos, nos dão a idéia de que esta fonte foi construída com o conhecimento acumulado desde o século I a.C. É o caso do rei que “governa durante algum tempo, até ser substituído”, uma confusão patente com o regime de consulado romano[68]. O tabelamento de preços mais famoso de Roma também só foi promovido no século IV d.C. por Diocleciano, embora algumas tentativas de controle de preços e contenção da exploração comercial tenham sido experimentadas desde os tempos de Augusto, o que nos faz supor que esta seria uma projeção chinesa sobre alguma política de austeridade romana[69]. Já a descrição da capital é de certa maneira bastante intrigante. Os chineses nunca usaram qualquer nome para designar Roma, mas parecem ter sabido que essa era uma cidade grande e populosa. Os cinco palácios podem referir-se aos prédios públicos (Senado, Fórum, templos, etc), cujas “colunas de vidro” nada mais seriam do que as duradouras colunas de mármore e pedra dos prédios imperiais. O engano era compreensível, pois os chineses não conheciam os métodos de fabricação do vidro, e o confundiam ocasionalmente com alguns tipos de pedras, o que, somado aos efeitos da imaginação, criavam então uma Roma ideal fabulosa e fantástica. De qualquer forma, eles sabiam que os Da Qin só possuíam uma capital, e que esta era tão grande quanto Chang An, dado que deve ter sido colhido entre os mercadores e/ou embaixadores ocidentais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta coleção de informações demonstra que os chineses buscaram conhecer os romanos, admiravam sua cultura e tinham por eles apreço. Embora a maior parte de suas relações tenha se desenvolvido no campo comercial, culturalmente observamos que o padrão chinês sobre o que era “ser civilizado” acabou por confundir-se com uma idéia maior de civilização cujos valores sistêmicos definidores seriam a vida sedentária, o planejamento urbano e a produção intelectual. Estas noções se reproduziriam também em Roma, na Pártia e na Kushana, que analisaremos adiante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que inferimos é que a constituição deste grupo de valores que determinavam a condição hierárquica de um centro ou uma periferia não derivou somente da importância econômica das áreas envolvidas, mas também, da capacidade que tivesse um determinado povo de produzir cultura e corresponder aos referenciais que foram estabelecidos, em comum acordo, pelos centros hegemônicos ao longo do século I d.C. Isso nos formula, então, uma condição fundamental de análise: não era somente a cultura do centro hegemônico que estabelecia sua ascendência sobre as regiões periféricas, mas também sua capacidade de interação com outros centros, regulando o fluxo material e cultural externa e internamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal condição se reproduz no segundo conjunto de práticas que correspondem à estrutura do sistema mundial: a manutenção das desigualdades sociais e políticas entre povos e classes através de uma diferenciação material representada pelo acúmulo de terras e capital e pela prática da ostentação. Tal como os romanos, os chineses (acompanhados pelos partos e kushans) adotaram os produtos estrangeiros (além daqueles que estavam sob controle estatal) como vinculadores de uma imagem de prestígio, poder e ascendência sobre a sociedade. Como vimos, os Han já praticavam a distribuição de presentes para angariar aliados. Em geral, os produtos concedidos eram de alto valor comercial, e o Estado fazia questão de incluir nestas dádivas mercadorias de outras partes do mundo. Os comerciantes também tinham, nessas ocasiões, a oportunidade de realizar negócios privados, vendendo o mesmo tipo de produto para as elites interessadas em adquiri-los, o que fortalecia sua imagem junto às classes dirigentes. Sabemos que personalidades locais eram cooptadas para as causas chinesas através destes presentes, e muitos recebiam também cargos na burocracia imperial, o que lhes concedia uma parcela de poder significativa[70]. Responsáveis pela disseminação da política chinesa, essas elites locais se viam estimuladas, portanto, a difundir perante suas sociedades os padrões ideológicos e culturais chineses do qual compartilhavam, e junto com eles todo um sistema hierárquico no qual estavam situadas no topo, fossem como nobres, funcionários burocráticos, etc[71]. Como vimos anteriormente, no caso dos enviados de Shan (Armênia), selos de ouro e fitas de seda eram distribuídos para apontar as bênçãos do imperador. O caso dos escravos também é muito significativo: os chineses apreciavam utilizar estrangeiros para as funções de acompanhantes e serviçais, pois apesar de seu alto preço, eram uma demonstração importante de prestígio e força econômica. Como vimos no Liang Shu[72], a presença de anões negros (“coloridos”) causava furor nas classes abastadas. Na verdade, embora a China Han não fosse um império escravagista, cuja economia dependesse dessa força de trabalho, ainda assim esta dinastia foi a que conheceu os maiores contingentes de escravos na história chinesa[73]. Como atestam as listas de produtos chineses contidos nos documentos a partir do Hou Han Shu, os escravos eram uma mercadoria valiosa, junto com animais exóticos e pedras desconhecidas[74]. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta prática de ostentação era fomentada pela elite, como vimos, mediante o uso de produtos de circulação restrita dentro do império chinês. E fora da China, os produtos chineses é que cumpriam este papel de artigos de luxo, sendo que alguns deles absorveram um papel muito específico nas relações de troca e uso. Vejamos o caso da seda, por exemplo. Admirada dentro e fora da China, o segredo de sua fabricação era guardado a sete chaves pelo Estado e pelas corporações manufatureiras. Certas colorações de seda só podiam ser empregadas pelo imperador, bem como certos tipos de jade; a concessão de seu uso era a delegação de um poder muito especial[75]. A seda, portanto, era uma das mercadorias de maior valor sistêmico que existia em circulação no sistema mundial, já que era reconhecida como um símbolo de poder em quase todos os lugares. E, curiosamente, ela era negociada por seu peso, assim como vários outros produtos, através de uma balança utilizada tanto pelos romanos quanto pelos chineses, como atesta Mazahery[76]. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vemos então que o comércio, tanto o particular quanto aquele sob controle estatal, era vinculador e fomentador fundamental dessa mentalidade de sinização e ostentação. Para fazer parte do sistema maior, era necessário aprender a cultura que punha o homem da época em contato com o mundo, e, no caso do Extremo Oriente, era preciso aprender a ser chinês. Mas para atingir nesta estrutura um grau importante, era necessário alcançar um desenvolvimento econômico forte, que permitisse vincular a capacidade produtiva de um povo ou lugar ao circuito econômico dinâmico que o Estado chinês gerava. E, para demonstrar o nível de interação com este sistema, era fundamental adquirir os produtos que vinham de tão longe, e que bem representavam o prestígio de uma elite. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso mesmo, não é estranho que os chineses tenham desenvolvido a intenção de entrar em contato com os romanos, mais até, talvez, do que com os partos ou kushans. Nem podemos estranhar a suposta presença de ocidentais que chegariam, anualmente, aos portos do sul e aos mercados do norte para negociar e realizar embaixadas. Os Da Qin pareciam representar uma nação ideal, poderosa, com grandes valores morais e rituais, uma civilização desenvolvida e, principalmente, produtora de todos aqueles maravilhosos e desejados produtos que compunham as listas de mercadorias exóticas dos Han[77]. Os chineses não somente projetaram nos romanos sua visão ideológica de mundo, mas compartilharam com eles uma idéia de ordenação mundial importante, estabelecida em valores sistêmicos específicos que determinavam não só os elementos fundamentais do que seria uma “civilização” como, também, a forma de separá-la, graduá-la e mantê-la sob controle, demonstradas perfeitamente pela idéia da ostentação e pelo controle imperial sobre o comércio, a política, etc. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existiram também, obviamente, diferenças profundas entre a cultura chinesa e a dos outros centros hegemônicos. Mas os chineses, a princípio, parecem ter compreendido conscientemente o papel dessas relações internacionais em sua própria existência, deixando-nos um legado documental valioso sobre as suas relações com o Ocidente neste período. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[1] MORTON, W., op. cit., p. 75. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2] Os futuros kushans. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[3] MORTON, W., op. cit., p.76-77. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[4] Shi ji, CXXIII. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[5]Ibidem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[6] O Li era uma das medidas de extensão chinesa, que correspondia aproximadamente a ½ quilometro. A distância entre Chang An e Hecatompylos situava-se em torno de 5400 quilômetros seguindo-se pelas estradas da rota, o que daria uma margem de erro 400 quilômetros. Não sabemos, porém, qual teria sido o método de contagem utilizado (se foram contados os dias de viagem, ou se foram colhidas informações entre as cidades de parada, etc.). Podemos afirmar, contudo, que a mensuração da distância levou em conta o trajeto cheio de curvas, subidas e descidas, tendo em vista que, em linha reta, a distância entre a capital do Império chinês e a capital da Pártia perfaz aproximadamente 4600 - 5000 quilômetros. A informação contida no Shi ji sobre esta passagem não nos fornece nenhuma cifra. Logo, é provável que Ban Gu autor do Han Shu, tenha sido mal informado sobre a questão, ou tenha cometido algum exagero. Se neste caso a expedição fez um caminho mais longo não temos, contudo, como comprovar este dado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[7] Provavelmente esse era o nome chinês para a Babilônia ou Mesopotâmia, segundo HIRTH, F., op. cit., p. 36-45. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[8] Han Shu, XCVI. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[9] Shi ji, CXXIII. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[10] MORTON, W., op. cit., p.77. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[11] MORTON, W., op. cit., p.77-79. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[12] Sobre a escola legista, sua proposta e ações, uma boa indicação é GRANET, M. O Pensamento chinês. Lisboa: Contraponto, 1997 p.277-285. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[13] Sobre as crises sociais e políticas chinesas, ver LOEWE, M. Crisis and conflict in Han dinasty. London: George Allen, 1974. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[14] Guang Wu Di, apresentado nas fontes chinesas com o epíteto de “Brilhante Imperador Marcial” devido a grande quantidade de campanhas militares que promoveu durante seu governo entre 25-57 d.C. A escolha do nome “Wu Di” foi também uma associação ao imperador Wu Di (141-87 a.C.). Um resumo sobre sua vida pode ser visto em PALUDAN, A., op. cit., p. 44-49. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[15] O “Luminoso soberano”, assim denominado pelas fontes chinesas por seu suposto caráter “zeloso, austero e comedido”. Governou entre 57-75 d.C. Cf. PALUDAN, A., op. cit., p. 44-49. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[16] MORTON, W., op. cit., p. 80-82; GROUSSET, R., op. cit., p. 30-35. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[17] O Qü Chü Queh de Kuei Shang, em chinês. GROUSSET, R., op. cit., p.32. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[18] CIMINO, R. “The Indian ambassadors at the roman court”., op. cit., p. 17-24. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[19] Hou Han Shu, LXXXVI. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[20] Provavelmente selos ou jóias que identificavam o caráter oficial da embaixada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[21] Ho Di (ou He Di),imperador chinês em 89-106 d.C. PALUDAN, A., op. cit., p. 51-60. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[22] An Di, imperador chinês em 107-126 d.C. PALUDAN, A., op. cit., p. 51-60. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[23] Hou Han Shu, LXXXVII. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[24] Hou Han Shu, LXXXVIII; Citada também em Wei Lu e Liang Shu, LIV. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[25] A intervenção econômica do Estado foi sempre um tema recorrente nos discursos dos pensadores legistas desde a época dos Estados Combatentes (V-III a.C.), e influenciou bastante a formação dos governos Qin e Han. Um dos pensadores legistas de maior alcance nesta época, Shang Yang, era um partidário da supressão das atividades comerciais, mas seu discurso terminou por ser suplantado pelo de Han Fei, favorável apenas à rigidez na legislação e no controle das mesmas. Posteriormente surgiria o Yantielum, documento da dinastia Qin (III a.C.) que manifestava claramente o intuito regulador do Estado. Para ler mais sobre estas fontes, ver EBREY, P. Chinese Civilization. New York: Free Press p.32-33; 60-63 e DE GRAZIA, S. Masters of chinese political thought. New York: Viking, 1973 p.337-388 e GALES, E. Discourses on the salt and the iron. Leyden: E. Brill, 1931. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[26] GERNET, J., op. cit., p. 118-134. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[27] GERNET, J., op. cit., p. 135-141. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[28] GERNET, J., op. cit., p. 135-141; KIRBY, E. Introduction to the economic history of China. London: George Allen, 1954 p. 66-87. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[29] MORTON, W., op. cit., p.77-78. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[30] BIELESTEIN, H., op. cit., p. 12-20; GERNET, j., op. cit., p.138-141. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[31]Cf. LOEWE, M. The records of Han dynasty, 1967. Este autor realizou o trabalho de traduzir um grande grupo destes documentos, cujo formato é bastante variado. Algumas coleções não passam de simples tiras de madeira com uma pequena anotação seguida da data e da identificação do documento. Sobreviveram, porém, alguns textos mais complexos, tais como listas, diários, comunicados, etc. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[32] GERNET, J., op. cit., p. 122-124 e MORTON, W., op. cit., p.77-79. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[33] Wei Lu APUD HIRTH, F., op. cit., p. 36-45. Os trechos em parênteses correspondem a menções de produtos cujo sentido original se perdeu, e seus nomes chineses não possuem nenhum significado compreensível para os estudiosos modernos. Lista semelhante se encontra no capítulo LXXXVI do Hou Han Shu, porém um pouco incompleta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[34] Esse engano ocorre no Wei Lu, no Jin shu e no Song Chu. No Liang shu não há menção do nome Li Kan; no Shi ji e no Han shu os nomes estão corretos. No Hou Han shu os Da Qin também são chamados de Li Kan e ainda, de Hai Xi Guo (“país a oeste do mar”, mas não sabemos a qual ele se referia: poderia ser o mar Cáspio, o mar Morto ou mesmo o oceano Índico), mas Fan Ye parecia saber que a Síria se tratava de uma parte do Império, e não que era a mesma coisa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[35] Durante o período de desagregação da dinastia Han posterior, muitos documentos oficiais foram queimados junto com a biblioteca imperial. Tal episódio já havia ocorrido (com perdas bem menores, porém) quando houve a restauração dinástica em 22 d.C. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[36] Shi Ji, XXX; Han Shu, XXIV. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[37] Ver os trabalhos de CHIN, C. Economic history of China. Washington: Belligham, 1974; HSU, C. Han agriculture: the formation of the early chinese agrarian economy. Seattle: Washington University press, 1980; KIRBY, E. Introduction to the economic history of China. London: George Allen, 1954; YU, Y. Trade and expansion in Han China. Los Angles: Berkeley, 1967 e PAN KU &amp; SWANN, L. Food and money in ancient China. New York: Hippocremerbook, 1972. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[38] LOEWE, M. Crisis and conflict in Han dynasty. Op. cit., p. 95 –103. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[39] YU, Y., op. cit., p. 9 -12. Ver também Shi ji, CXXIX; Han Shu, XC; XCI e Hou Han Shu, XLVII e Yantienlum XX e XXV APUD LOEWE, M. Op. cit., p. 95. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[40] ANQUETIL, J., op. cit., p. 80-81. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[41] A recolha de doações para ajuda dos camponeses em épocas de cataclismo, fome, seca ou praga já eram comuns desde a época Zhou, mas se desenvolveram como uma prática institucional completa na época Qin e Han. Da mesma forma o Estado estocava grãos e insumos para períodos de crise, mas em geral, essas provisões vinham da produção interna. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[42] Ibidem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[43] Ou, consumo restritivo (preço alto, dificuldade, de obtenção, etc). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[44] LOEWE, M., op. cit., p. 286-307. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[45] Liang Shu, LIV. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[46] GERNET, J., op. cit., p.120. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[47] MORTON, W. op. cit., p. 83. Em GERNET, J., op. cit., p. 131 encontramos uma tabela destes movimentos: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Data                Rolos de Seda &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            51 a.C.                 8000 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            49 a.C.                 8000 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            33 a.C.                 18000 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            25 a.C.                 20000 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            1 a.C.                   30000 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[48] MORTON, W., op. cit., p.83. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[49] Segundo GERNET, J., op. cit., p.131 a prática de distribuição de dinheiro aos Xiong Nu continuou, porém, no século I d.C. Em 91 d.C., durante o Protetorado de Ban Chao, foram distribuídas Cem milhões e novecentas mil moedas de cobre (qian), e no mesmo ano, os reinos que protegiam os oásis da rota receberam setenta e quatro milhões e oitocentas mil moedas de cobre. Gernet ainda confirma que a receita do Império constava de dez bilhões de moedas, do qual um terço ou um quarto eram utilizados na política de presenteamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[50] GERNET, J. op. cit., p.130. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[51] KIRBY, E., op. cit., p. 66-87. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[52] JOPERT, 1979 p. 92. O Confucionismo foi responsável pela separação definitiva entre os que são chineses e os “outros” através do parâmetro ritual. Ser chinês equivalia a “seguir os rituais” confucionistas, independentemente das leis ou mesmo da religião. Esta noção foi, no entanto, flexibilizada pelos Han. (Sobre este aspecto ver o trabalho de CHENG, A. Etudes sur le confucionisme Han. Paris: Institute de Haute Etudes Chinoises, 1985). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[53] Muito antes da época de Confúcio (VI a.C.) os nômades já ameaçavam constantemente as fronteiras chinesas, o que provocou um sentimento profundo de diferenciação entre a civilização da China, seu modo de vida e aqueles que eles consideravam “incapazes de construir uma cultura”. Ter cultura para os chineses era, portanto, construir cidades, ter uma escrita, literatura, etc. Encontramos informações a respeito da formulação deste pensamento no Lun Yu (Analectos ou Conversações), no Da Xue (Grande Estudo), no Zhong Yong (Doutrina do Meio) e no Meng Zi Shu (livro de Mêncio), todos da escola confucionista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[54] GERNET, J. , op. cit., p.130-132. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[55] GERNET, J. , op. cit., p.132. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[56] GERNET, J., op. cit., p.134; CH’U, T., op. cit., p.31-33; e LOEWE, M. Everyday life in early imperial China. London: Batsford, 1968 p. 75-88. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[57] GERNET, J., op. cit., p.134. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[58] Vemos por esta questão que algumas das periferias podiam, por conseguinte, estabelecer um certo nível de negociação com o Centro, como foi proposto conceitualmente pela análise de KARDOULIAS, P. “Multiple levels in the Aegean bronze age World – system”. Op. cit., p. 180-200. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[59] AYMARD, A. “A expansão da civilização chinesa” in CROUZET, M. (org.) História geral das civilizações. V.5  Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1994 p. 247-259. Japão e Coréia enviavam embaixadores à corte chinesa. Ver também GERNET, J., op. cit., p. 124-127. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[60] Shi ji, CXXIII. Cf. WATSON, B. Shi ji - Records of grand historian. Columbia: Columbia University Press, 1993 p. 233 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[61] Shi ji, CXXIII. WATSON, B., op. cit., p. 235. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[62] Shi ji, CXXIII. WATSON, B., op. cit., p. 233-236. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[63] Hou Han Shu, LXXXVI-LXXXVIII. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[64]Ibidem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[65]Ibidem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[66]Ibidem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[67] No Shi Ji, no Han Shu e no Hou Han Shu, bem como nos documentos posteriores, aparecem sempre menções as distâncias entre as capitais chinesas e o país descrito. Os autores chineses buscaram agir com certa precisão, algumas vezes com sucesso, medindo as distâncias (por terra) até a Índia, Ásia central, Partia e Roma, mas como foi feita esta mensuração, não o sabemos. É provável que tenha sido feita uma contagem de dias de viagem, ou ainda, uma recolha de informações. No entanto, no caso das distâncias marítimas, os chineses não nos informam sobre quase nada, provavelmente por não terem um conhecimento preciso sobre o assunto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[68] MORTON, W., op. cit., p. 81. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[69] PETIT, P. O mundo antigo. Lisboa: Círculo dos leitores, 1977 p.285-286; AYMARD, A., op. cit., p.17-20. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[70] CH’U, T., op. cit., p. 75-97; 174-181 e 210-232 e LOEWE, M., op. cit., p.38-75. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[71] Uma série de elementos distintivos, como selos imperiais representado os mais diversos níveis hierárquicos, placas de ouro, fitas ou roupas de seda, etc. eram empregados pela elite como símbolos de caráter oficial. Assim, o próprio poder central encarregava-se se estabelecer uma hierarquia, que era complementada pela prática da ostentação de riquezas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[72] Liang Shu, LIV. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[73] CH’U, T., op. cit., p. 131-156; MICHULIN, A. História da antiguidade. Lisboa: Centro do livro brasileiro, s/d p. 67. Para uma leitura mais aprofundada do assunto, WILBUR, C. Slavery in China during the former Han dinasty. Chicago, 1943. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[74] Algumas referências sobre os escravos na documentação chinesa são encontradas nos capítulos do Shi Ji em: CXXIX (escravos particulares); LXXXV (escravos de um ministro); C (escravos oficiais); LXXIX (escravos como presente); CXVIII (escravos do governo); no Han Shu; XXXVII (escravos como oficiais); XLIII (escravos presenteados); XLIV (escravos do governo); XLVIII (mercado de escravos); LXXII (número de escravos); e no Hou Han Shu; LI (escravos vindos das regiões do oeste). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[75] A cor púrpura, famosa como cor de imperadores e reis, era uma das cores que estava sob controle imperial chinês, embora não fosse a principal. Em Roma e na Pártia, a púrpura era utilizada somente pelos governantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[76] MAZAHERY, A., op. cit., p.833-850. Este artigo é bastante interessante, pois o autor demonstra como uma balança comercial antiga, denominada “romana” no Ocidente, teve uma provável origem chinesa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[77] Han Shu, LXXXVIII; Wei Lio; Chin Shu, XCVII.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7242339186088406966-8546012861675283204?l=rotasdomundoantigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/feeds/8546012861675283204/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7242339186088406966&amp;postID=8546012861675283204' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7242339186088406966/posts/default/8546012861675283204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7242339186088406966/posts/default/8546012861675283204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/2007/07/china-han.html' title='A CHINA HAN'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7242339186088406966.post-992170917346016398</id><published>2007-07-13T09:31:00.001-03:00</published><updated>2008-04-17T17:50:04.133-03:00</updated><title type='text'>O IMPÉRIO ROMANO</title><content type='html'>No século I a.C. Roma, o centro hegemônico do Ocidente, estava desperto e sensível o suficiente para perceber os movimentos políticos e econômicos que se desenrolavam além de suas fronteiras orientais. Desde os tempos finais da República, os romanos já recebiam seda chinesa, além de especiarias, tecidos, pedras exóticas e outros produtos de luxo vindos do Oriente[1]. E tinham uma idéia razoável de como estas mercadorias chegavam até suas mãos, fosse por terra ou mar[2]. Sabiam, principalmente, que era através do comércio que se realizava uma importante ponte cultural entre o seu imperium e outras civilizações espalhadas pelo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes pontos nortearam, por conseguinte, algumas das ações desenvolvidas pelos romanos no campo político ao longo dos séculos I a III d.C. Observamos um longo processo de envolvimento das legiões romanas com as fronteiras orientais, notadamente nas províncias da Síria, Judéia, Arábia Petréia e com o reino da Armênia, além dos territórios disputados e invadidos por Trajano. Estas ações tinham os mais variados fins: defesa contra agressões partas, domínio de áreas de transito comercial, interferência na política externa, etc, mas nosso objetivo neste trabalho é verificar qual a relação destes movimentos com a dinâmica do sistema mundial e como ela era influenciada pelos acontecimentos históricos provenientes de regiões distantes como a Índia ou a China.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma tese em voga nas décadas de 1950 - 1960 apontava a necessidade de se estudar a interrupção da rota da seda como uma das causas de colapso do império romano[3]. Acreditava-se que havia uma correlação política e comercial muito forte entre Roma, Pártia, Índia e China, o que conseqüentemente transformava estes reinos nos mais poderosos e estáveis da Antiguidade. Eles funcionariam como centros agregadores de civilizações e, no momento em que a dinastia Han enfraqueceu-se, junto com a Pártia e os kushans, o equilíbrio mundial teria sido rompido, dando ensejo para que os povos nômades realizassem uma nova onda de ataques em diversas regiões da Europa e da Ásia[4]. A rota da seda funcionaria aí, portanto, não somente como via comercial mas também, como canal de informações e organizadora política da estrutura das periferias e semi-periferias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta teoria não foi levada muito adiante, e não sabemos explicar porquê. É possível que a carência de uma base arqueológica mais completa (na época) enfraquecesse esta proposta; e não havia um modelo teórico que explicasse adequadamente o funcionamento deste sistema, o que deixava uma série de questionamentos sem resposta, formulando, conseqüentemente, o papel das relações entre Roma e o Oriente como um fenômeno menos importante, secundário, tão espontâneo que beirava ao acaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devemos pensar que, na verdade, a História Antiga e o Classicismo, apesar de suas longas tradições, ainda estavam em pleno desenvolvimento de suas técnicas e métodos, o que fazia com que suas preocupações fossem outras. O estudo das relações entre Roma e China, por exemplo, foi feito algumas vezes, mas sempre de forma esporádica e não específica. Tanto o é que, de tempos em tempos, os estudiosos da área “esqueciam” que tais relações existiram e continuavam os seus trabalhos, centrados unicamente nos eventos ocidentais do império romano[5].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o advento de novas propostas teóricas estes antigos trabalhos puderam, no entanto, ser resgatados e avaliados dentro de perspectivas diferentes, que redefiniram seu sentido e seu valor para o estudo da civilização romana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia que surgiu desta iniciativa recente de estudar as relações entre Roma e China foi a de que ambas as civilizações não podiam ser estudadas de forma compartimentada, dado que havia uma influência cultural e política recíproca entre suas estruturas de funcionamento. Na prática, isso significava afirmar que vários dos seus acontecimentos e processos históricos estavam relacionados, e que um sistema formal de ligação existia entre as duas sociedades. Mas para comprovar esta idéia, seria necessário demonstrar que teriam existido trocas culturais (e não somente materiais) entre ambas; e, existindo tal intercâmbio, como ele se processaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um exame cuidadoso, podemos verificar que, de fato, a existência dos chineses não foi passada em branco na literatura romana. Na verdade, há uma grande quantidade de citações sobre o assunto, de que separamos uma parte para realizar esta nossa pesquisa[6]. Como vimos no primeiro capítulo deste trabalho, estas citações abrangem campos diversos, que utilizaremos aqui para abordar os aspectos políticos da relação entre romanos, chineses e orientais e, no seguir, como também as relações com os asiáticos influenciavam a economia e a cultura romana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retomando a idéia da importância da rota da seda para os romanos, verificamos que ela servia ao Ocidente como uma importante via de fluxo comercial, tanto para exportação como para importação. Os romanos possuíam diversas manufaturas cuja produção estava fortemente vinculada aos mercados estrangeiros, tanto dentro como fora dos limites imperiais[7]. É o caso do vidro e dos perfumes feitos na Síria e no Egito, que eram vendidos, no Oriente Próximo, para mercadores gregos, latinos, indianos, partos e até chineses, ocasionalmente. Estes produtos eram levados para todas as províncias do império, onde eram utilizados pelas elites locais como símbolos de ostentação, prestígio e civilização. Esta prática social, encontrada também na China, na Índia e na Pártia, dava ensejo a importação dessas mercadorias de luxo, que atingiam preços excelentes fora do limes romano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este teria sido um dos motivos que levou Roma a construir toda uma política de segurança forte nas províncias orientais. Envolvidos em freqüentes conflitos com os partos, seus perigosos adversários políticos, comerciais e militares, as legiões romanas tentavam garantir a posse de inúmeros nós comerciais onde transitavam os produtos estrangeiros, e sobre os quais os Estados podiam fazer suas lucrativas tributações[8]. Não podemos, por isso mesmo, minimizar o papel do comércio internacional no caso romano: ele exigia grandes recursos humanos e administrativos para ser realizado, o que provavelmente era feito em função do seu significativo retorno econômico e da necessidade de produtos de consumo conspícuo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Politicamente, portanto, podemos afirmar que os romanos compreenderam existir uma relação entre o funcionamento de seu império, a manutenção de suas fronteiras e a importância do comércio. Este seria um dos motivos que fez Trajano, por exemplo, decidir-se por invadir e conquistar a Mesopotâmia, buscando, além de novas terras, uma saída para o Golfo Pérsico, onde existiam importantes portos visitados diretamente por árabes, africanos, indianos e até chineses[9].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as relações dos romanos com os asiáticos datavam de tempos anteriores. Desde a época de Augusto os romanos buscavam ser conhecidos além de suas fronteiras, tanto no Oriente como na África. Na Res Gestae (o grande discurso de Augusto), este soberano afirmava receber as embaixadas da Índia, da Pártia, e de regiões fronteiriças ao limes imperial[10]. Isso significava, portanto, que os romanos mantinham relações com estes povos e, provavelmente, lhes enviavam suas comitivas também. Em 30 a.C, quando tornou o Egito uma província romana, Augusto organizou o primeiro serviço de ligação direta entre o Império e a Índia, o que possibilitou um maior afluxo de mercadorias orientais para as suas fronteiras, já que até este momento os romanos dependiam sempre dos atravessadores partos para conseguir a tão desejada seda e as especiarias malaias e indianas[11]. E não era só isso: para o mesmo Egito convergiam rotas comerciais provenientes da África e da Arábia, que traziam toda sorte de gêneros desconhecidos para os mercados do Império[12]. Com esta medida, os romanos conseguiram uma flexibilidade maior para adquirir os produtos de origem estrangeira, embora a navegação marítima ainda não pudesse suplantar o tráfico terrestre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi por ocasião do governo de Tibério que os romanos e gregos parecem ter descoberto (ou dominado) a técnica das monções, que os permitiam ir para a Índia diretamente da África, sem a necessidade de realizar a navegação de cabotagem, que tornava o percurso bem mais demorado. Utilizando os ventos do Oceano Índico, os marinheiros ocidentais e árabes conseguiam fazer a viagem em questão de meses, dinamizando suas trocas com os orientais. É bem possível que os indianos já conhecessem estas técnicas antes, mas o fato é que, a partir do século I d.C. o comércio marítimo iria crescer de uma forma nunca antes vista nas mãos dos ocidentais[13].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso fica claro quando vemos os indicadores de utilização da rota marítima: no tempo de Augusto, possivelmente só vinte navios faziam o dispendioso percurso de cabotagem; em compensação, com a descoberta da monção, este número teria subido para cento e vinte navios anuais, e o preço das especiarias teria sofrido um significativo barateamento[14]. As técnicas de navegação teriam ficado gravadas no documento Périplo do Mar Eritreu, que fazia uma descrição extensa e abrangente sobre esta rota, relacionando inclusive os portos existentes na península arábica e na Índia[15].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A evolução desta política romana trouxe um desenvolvimento importante para o trabalho cartográfico ocidental, que não teve semelhante, nesta época, em nenhuma outra civilização, nem mesmo na China. Estimulados pelo crescimento das fronteiras imperiais e pelo afluxo de informações sobre outras culturas, toda uma geração de geógrafos se formou para apresentar aos romanos “o mundo no qual viviam”, valendo-se, provavelmente, de indicações, mapas e dados colhidos entre os viajantes e mercadores no período dos séculos I a.C. e I d.C. Isso se manifestou na confecção de mapas, que incluem a nação dos seres como um dos componentes do mundo. Estes seres, cujo nome deriva de serica, palavra usada para designar a seda, eram os chineses, que começavam a povoar o imaginário romano com seus produtos exóticos e seu poder desconhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estrabão, o primeiro deles, fez umas algumas menções a este povo, mas teve uma certa dificuldade em localizá-los[16]. Sua maior preocupação era, provavelmente, mostrar o mundo romano, e por este motivo as áreas periféricas exógenas ao limes ganharam contornos um tanto secundários. O mapa de Agripa, outro cartógrafo da época, apresentava esta mesma tendência[17]. Um comentário bastante significativo sobre o assunto foi feito no trabalho de N. Mendes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A concepção de domínio universal também é expressamente veiculado por este mapa elaborado possivelmente entre o ano 2 e 10 d. C. atribuído a Agripa. Os dois espaços fundamentais que estruturavam o universo mental dos romanos são a Urbs et orbis terrarum. A Urbs é o centro do mundo, a cidade da vida social, do prazer, dos templos, da riqueza, da cultura e do poder. O orbis terrarum é representado gradualmente no momento da conquista por ocasião das cerimônias de triunfo. Ao longo do desfile eram apresentados os mapas com a lista das cidades, os nomes das montanhas e rios conquistados, projetando-se, conforme o conhecimento cartográfico da época, a forma e a distância das regiões submetidas. Após a cerimônia estes mapas eram pintados nos muros dos templos de acordo com o ritmo das conquistas. Evidentemente, por razões políticas e administrativas estes mapas tinham como objetivo visualizar a posse do mundo. Com o estabelecimento solene do Principado, em 27 a.C., consolidou-se a missão divina de conquista, dominação, pacificação e organização de todo o mundo pelos romanos sob o governo do Princeps. Tal concepção ecumênica foi veiculada pela Res Gestae Divi Augusti, cujo caráter figurativo pode ter sido o principal objetivo da elaboração de um mapa universal do mundo romano.[18]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por este trecho, podemos inferir que o desenvolvimento cartográfico estava atrelado, de fato, à noção de construção do Império Romano. Há, porém, uma discrepância na reconstituição do mapa de Agripa, já que uma das versões apresenta os seres e, na versão de Nicolet[19], este povo não aparece. Como Estrabão também citou os seres, mas não vi até agora nenhuma reconstrução de seus mapas que os incluíssem, acredito, portanto, que a reprodução de certas localidades e povos tenha ficado a critério dos modernos desenhistas destes mapas, que tiveram obviamente que lidar com uma série de dificuldades técnicas para tal mister. Devemos adicionar ainda que uma reprodução completa de um mapa exige também um domínio completo do documento, o que torna mais complexa a tarefa. Por estes motivos decidi, assim, incluir as duas versões do Orbis terrarum de Agripa, observando, inclusive, que não são muito discordantes em linhas gerais[20].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, o trabalho destes especialistas é impressionante: se o contrastarmos com as afirmações de alguns autores, tais como Horácio ou Lucano, ficaríamos a nos perguntar o que sabiam os romanos sobre os chineses. Horácio espalhava os seres, por exemplo, entre lugares diversos da Pártia e da Ásia[21]. Talvez sua vaga noção derivasse das imprecisas informações que deve ter recebido sobre o povo que havia, algum tempo antes, dominado inúmeros reinos na Bactriana e na Sogdiana[22]. Além disso, sua preocupação era de reproduzir, em poesia, a mentalidade romana sobre este povo, e sua origem seria algo secundário. Já Lucano demonstrou uma ignorância completa sobre os chineses, pondo-os perto dos etíopes![23]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes são exemplos isolados, porém, quanto ao desconhecimento dos seres. Mesmo Plínio Velho, que não era um geógrafo especializado, conseguiu muitas boas informações, e dos mais diversos tipos, a respeito dos chineses. Pompônio Mela, seu contemporâneo, produziu um mapa onde localizava os seres bem acima dos indianos[24]. Apesar de não estender o país da serica muito adiante no sentido do leste, a coordenada geográfica que ele havia apresentado não estava errada: aquela seria a região do protetorado ocidental Han, que na época estava relativamente abandonada por causa da crise sucessória chinesa do início do século I d.C. No entanto, a área seria retomada pelo general Ban Chao nos fins do século I d.C. É possível que Pompônio estivesse lidando com informações antigas, já que o apogeu do domínio chinês dos Han anteriores na Ásia central havia se dado no século I a.C., mas com certeza ele pôde contar com um material maior que o de Estrabão e Agripa para realizar suas pesquisas. Se observarmos com cuidado, a confusão que fez, na verdade, é semelhante à que os chineses faziam entre Da Qin e Li Kan: confundir o nome de um povo com apenas uma das regiões ao qual ele dominava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, o próprio nome serica e seres parecem ser latinizações do nome chinês utilizado para designar o verme da seda, si.[25] O trabalho dos cartógrafos romanos não terminou por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no século II d.C., Dionísio aumentava o número de povos citados em seu mapa[26]. Mas seu trabalho foi eclipsado pela grande obra de Cláudio Ptolomeu, Geografia.[27] Em relação aos seres (ou sines), Ptolomeu não economizou informações; além de sua descrição geográfica[28], este autor comentou acerca da Capital dos Sin, a Sera Metropolis, que seria a possível denominação romana para Luoyang. Informou-nos também sobre a já citada expedição organizada por um mercador macedônico chamado Maes Ticianos, que enviou emissários para conhecer as rotas da seda ao longo de toda Ásia[29]. E por fim, apresentou as viagens de um marinheiro chamado Alexandre[30], de origem incerta, que teria realizado uma viagem marítima até Catigara (que seria, para alguns especialistas modernos, o nome do porto de Haiphong, no Vietnã[31]). Este fenômeno teria uma ligação direta com a vitória de Ban Chao no Turquestão no século I d.C. e a aparição de enviados chineses em vários reinos com os quais os romanos mantinham contanto. É provável, portanto, que Ptolomeu tenha identificado um mercador e um marinheiro – entre muitos – que vislumbraram a possibilidade de entrar em contato direto com os sin e estabelecer uma ponte comercial mais rápida por terra sem as interferências constantes dos partos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como vimos, o trabalho dos geógrafos acompanhava atentamente o desenrolar dos acontecimentos políticos romanos em suas fronteiras. As periferias imperiais no Oriente, situadas em uma área de atrito cíclico com o reino da Pártia, serviam de interminável campo de batalha pela disputa de terras e nós comerciais. Nos tempos de Augusto iniciou-se uma sistemática interferência militar nestes territórios, o que incluía a anexação de alguns e a pressão política sobre outros[32]. Esta política teve continuidade por parte dos outros Julio - Cláudios: Tibério, por exemplo, anexou a Capadócia e a Comagena; Nero conquistou mais uma vez o reino do Ponto e negociou a suserania da Armênia com os partos depois de uma guerra que havia durado dez anos. Neste mesmo período ele reforçou a presença militar no Oriente, fixando mais duas legiões na área[33].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a ascensão dos Flávios, esta política não sofreu grandes transformações, embora alguns imperadores tenham sido obrigados a dar mais atenção ao norte do império. A presença gradativa de bárbaros ao longo do Danúbio e do Reno significava uma ameaça para as fronteiras imperiais, já que as intenções destes povos eram as mais diversas possíveis, variando desde agressões e saques até a busca de terras para o estabelecimento pacífico. A vinda destes povos estava diretamente ligada à pressão estabelecida pelos chineses contra os hunos (Xiong Nu), que forçaram o deslocamento de várias tribos da Ásia central em direção ao Oeste. Os Yuezhi, que tiveram sucesso em estabelecer-se na Índia, terminaram por empurrar outros povos em direção à Pártia e as fronteiras romanas[34]. E quando Kujula decretou a existência do império Kushan no século I d.C., a pressão exercida sobre eles promoveu a redistribuição de suas comunidades ao longo do Oriente Próximo e do Leste Europeu[35].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o domínio da rota da seda havia se tornado uma prioridade para chineses e kushans, as tribos nômades não encontraram facilidades para estabelecer-se em seus territórios originais. Aqueles que não foram sinizados, no caso do império Han, tiveram por opção continuar lutando nas fronteiras ou mudar-se para novas áreas. Este processo é que fez surgir a penetração dos nômades na Pártia, com os quais os reis arsácidas tiveram que lutar[36]; forçou também uma série de operações romanas no Danúbio, no Reno e na área da Armênia, contra a presença dos recém chegados alanos[37].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chegada de Ban Chao no Turquestão parece ter mudado, no entanto, o rumo das campanhas militares no final do século I d.C. É possível que informações provenientes da Ásia tenham implementado os planos dos romanos em relação ao domínio do Oriente, pois as campanhas realizadas no final do século I e início do II não podem, praticamente, ser dissociadas dos movimentos políticos e militares da época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta época, Trajano - o soberano com o qual Roma alcançou a maior extensão de suas terras - iniciou a guerra contra os partos, levando os domínios romanos até a Mesopotâmia. Os kushans estavam pressionado as fronteiras leste da Pártia e os chineses pareciam dirigir-se para o mar Cáspio. É provável que houvesse uma certa expectativa de que este reino caísse de uma vez, já que suas relações estavam abaladas com os Han e nunca foram muito boas com os indianos[38]. Neste período vemos, portanto, uma grande movimentação de embaixadas diplomáticas nos mais diversos sentidos: os armênios já tinham enviado a primeira, em 97[39], buscando apoio dos chineses contras as pretensões romanas e partas, o que terminou sendo em vão: Trajano assume o poder em 98, e tornou a Armênia uma província romana em 114[40]. Mesmo assim, este reino recuperou sua soberania em 117, e em 120, enviava embaixada para os chineses, como atesta o Hou Han Shu[41]. Os partos também haviam remetido a sua comitiva, em 101, provavelmente com o mesmo fim de conseguir manter boas relações com os Han, mas em 115 Trajano invadiu o seu território e, numa única campanha, chegou até o golfo Pérsico, conquistando inúmeros vales férteis e cidades comerciais importantes, além da tão desejada ligação com o oceano Índico[42].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo com a pressão dos kushans, porém, os romanos não deram fim aos partos, e o sucessor de Trajano, Adriano, recuou as fronteiras para Oeste, desistindo do caminho para a Índia. É provável que esta atitude tenha sido tomada devido à exaustão dos recursos de Roma para manter as áreas tomadas dos partos. Ainda assim, o Império continuou a reforçar sua presença militar nas fronteiras, deslocando um número cada vez maior de legiões para o Danúbio, para Anatólia e Egito[43].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de todos este conflitos, o período dos séculos I e II d.C. foi relativamente estável, e o comércio estrangeiro pôde desenvolver-se como nunca, graças à segurança das rotas marítimas e à proteção concedida às rotas terrestres. Somente no século III é que vemos um abalo profundo nessas relações a partir da queda dos Han, dos partos e dos kushans, acompanhada das invasões bárbaras em todos os setores do sistema mundial. Se retomarmos a teoria do colapso da rota da seda como um dos causadores da queda destes regimes, observaremos que, em certa medida, o equilíbrio de poder gerado pela presença dos centros hegemônicos tinha forçado a permanência dos povos não inseridos no sistema mundial para além das periferias. No momento em que os limites destes impérios fragmentaram-se, porém, as tribos nômades e seminômades vislumbraram a oportunidade de invadir os ricos territórios imperiais, o que se manifestou numa onde de ataques que foram sentidos na China, durante o período dos três reinos, na Índia, que foi desmembrada, e na Pártia, que foi tomada por um outro povo de provável origem nômade, os sassânidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roma conseguiu, a muito custo, sobreviver a todas estas crises. Mas com o enfraquecimento (ou mesmo, desaparecimento) do poder dos outros centros hegemônicos, os romanos se viram obrigados a lidar diretamente com a sobrevivência de seus territórios, agora ameaçados concretamente pela presença dos godos e das federações bárbaras ao longo do Reno. No Oriente, os sassânidas[44] se mostraram inimigos tão poderosos quanto os partos, conseguindo retomar a Mesopotâmia e impondo suserania sobre alguns dos recém criados reinos indianos. Ainda assim, parece ter havido um regime de fluxo comercial nesta época, que continuava a ser uma fonte de renda importante nestes reinos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A análise dos aspectos políticos mostra, portanto, que os romanos se inseriram no sistema mundial principalmente através de sua fronteira oriental, ponto de contato com as outras civilizações da Antigüidade. Sua ação deu-se, fundamentalmente, através do domínio dos territórios de passagem, onde o fluxo comercial gerava uma boa renda tributária e posições estratégicas vantajosas, e a evolução da concepção de mundo romano manifestou-se na cartografia extensa, que descrevia culturas pouco conhecidas antes da ascensão do Império. No entanto, a documentação não deixou clara a intenção política direta dos romanos, o que gerou uma série de discussões sobre o caráter defensivo ou ofensivo de seu imperialismo nestas áreas[45]. Sua postura sobre as civilizações orientais só pode ser inferida, portanto, pela movimentação territorial e militar que conduzia a atenção dos imperadores às fronteiras asiáticas. De qualquer forma, Roma estava inserida neste sistema de relações entre os centros hegemônicos, na medida em que assegurava o fluxo comercial, intervinha nas regiões de tráfego econômico e mantinha também os “bárbaros” afastados do circuito (conquanto estes não se submetessem a soberania romana). Roma, aliás, possuía o seu próprio sistema de articulação dentro dos limites imperiais[46]. Como produtor de mercadorias apreciadas no Oriente, o império romano integrava-se ao sistema mundial como gerador de elementos materiais e culturais que estariam presentes em diversos pontos da rota da seda, sendo empregados por elites dos mais diversos locais. E, conscientes da importância de sua posição, os romanos buscaram, conseqüentemente, estabelecer uma ponte cada vez maior com o Oriente, descobrindo novas rotas e caminhos que os levassem para a distante Índia ou para o país dos seres. As elaborações de um imaginário sobre estes seres e sua presença na vida romana serão mais bem analisadas agora, na vida econômica e cultural dos romanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o período I – III d.C. o comércio e a produção manufatureira ganharam um significado cada vez maior dentro da estrutura econômica do Império Romano[47]. Sabemos que ambos estavam ligados ao trânsito de mercadorias dentro e fora dos limites imperiais, e que, no caso dos artigos estrangeiros, as fronteiras orientais funcionavam como um grande entroncamento de rotas, recebendo e escoando artigos de consumo conspícuo[48].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O impulso para o desenvolvimento desta produção parece justamente estar ligado à expansão do império (com a participação em novos mercados) e ao desenvolvimento da rota da seda, que servia como via de bons negócios para mercadores de todas as etnias[49]. A rota funcionava exatamente como um grande mercado, onde circulavam todos os tipos de gênero produzidos na China, Roma, Pártia e Índia, sem contar as regiões periféricas e semi-periféricas da África, Arábia, Sudeste Asiático, bem como os arquipélagos malaios e indonésios. Por isso mesmo os romanos deram uma atenção fundamental ao papel do comércio (e suas implicações sociais), analisando sua participação neste sistema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Plínio, o Velho foi o primeiro a comentar o assunto, e não de forma positiva:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo ano a Índia, China e a Arábia levam de nosso império, numa estimativa direta de nossas importações, cerca de cem milhões de sestércios. [50]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E também:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há um ano em que a Índia não tire menos que cinqüenta milhões de sestércios de nosso império através de mercadorias que ela nos vende. [51]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta atenção dada por Plínio à questão do comércio indica que os contatos entre os mercadores ocidentais e orientais eram cada vez mais intensos, e o fluxo de mercadorias devia estar aumentando consideravelmente em relação ao período de Augusto. Este processo parece ter uma relação clara com a descoberta das monções pelos romanos e gregos, posta em prática, como vimos, na época de Tibério, o que dinamizou o tráfego marítimo entre o Egito, a Arábia e a Índia[52]. O que nos surpreende, no caso, é a precisão da informação que Plínio nos traz. Estariam mesmo os romanos tão somente perdendo dinheiro, envolvidos numa relação economicamente desfavorável? Algumas considerações interessantes foram feitas sobre o assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thorley[53] acreditava que Plínio estava correto, e que os romanos estavam provavelmente perdendo recursos com esta relação. Os argumentos de Thorley se baseavam nos problemas de fiscalização tributária do império, na preocupação egoísta da elite em sustentar seus luxos e na avidez dos mercadores. A listagem dos postos comerciais contidos no Périplo mostrava inclusive os produtos que os romanos podiam comprar dos orientais nos portos da Arábia e da Índia: animais, escravos, ferro e seda chinesa, especiarias, perfumes, pedras e jóias raras, madeiras, plantas, etc.[54] mas pouco apresentava sobre os locais em que os ocidentais podiam negociar seus produtos; alguns comerciantes reclamavam, mesmo, de que os orientais só gostavam de vender, mas não de comprar ou trocar.[55]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O próprio Thorley, porém, afirmou que Plínio havia sido capaz também de verificar quais produtos ocidentais eram mais procurados, o que demonstra que esta relação comercial não era de todo deficitária. Os negociantes estrangeiros gostavam de adquirir coral, perfumes, vidro e uma substância oleosa chamada storax[56]. Muitas vezes vendiam seus produtos por moedas de ouro e prata, que eram trocadas (provavelmente) por um sistema de peso equivalente. Plínio informou, ainda, que os romanos conseguiam bons tributos com este comércio[57].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paul Veyne[58] criticou a visão pessimista sobre o comércio, afirmando que os dados fornecidos pelo historiador romano podiam até estar corretos, mas não, completos. Ele acreditava que Plínio negligenciou informações, pois estava envolvido na política de austeridade que havia sido promovida por Tibério, o que lhe dava ensejo para construir uma versão histórica na qual o luxo e o consumo conspícuo seriam responsáveis pelos déficits nos cofres do império. Suetônio[59] iria criticar depois a postura deste imperador, considerando-o um tanto quanto mesquinho e tirano. Na verdade, este literato era um daqueles que acreditava no direito dos romanos usarem seus produtos de luxo; uma demonstração de força e prestígio perante o mundo, um direito adquirido do qual o império não podia se privar. Mas as discussões sobre a questão do controle do luxo sempre foram complexas. Além de Plínio, Tácito também defendeu, posteriormente, a adoção de leis suntuárias.[60]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A visão de uma Roma deficitária permaneceu, porém. Os trabalhos de Mazahery[61] e Anquetil[62] insistiram nessa versão, acreditando que os romanos não possuíam mecanismos reguladores suficientes para impedir a evasão de capitais. O que faltaria a Roma, neste caso, seria uma interferência forte do Estado na economia, tal como acontecia nos casos chinês e parto[63].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os últimos trabalhos publicados sobre o assunto, porém, são mais cautelosos. Tchernia[64] concorda com o engajamento ideológico de Plínio e Tácito, tendo em vista as péssimas experiências que Roma teve com imperadores opulentos, tais como Nero. Aponta também para a grande quantidade de moedas romanas que foram achadas na Índia[65], mostrando uma evasão significativa de prata e ouro para fora das fronteiras romanas, ponto validado pelo trabalho de Cimino[66]. Mas ambos, por motivos específicos, tiveram cautela em admitir que esta seria uma relação desfavorável para os romanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, para haver a caracterização de um déficit comercial ou de capital, seria necessário avaliar quais setores econômicos foram prejudicadas, dentro do império, por este escoamento de moedas. Seria preciso verificar se os romanos de fato compravam mais do que vendiam e, por fim, concatenar estes dois pontos com o fato do Império Romano elaborar toda uma política de intervenção na periferia oriental para assegurar o domínio de regiões cuja forte era justamente a atividade econômica e manufatureira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A análise dos processos econômicos mostra, no entanto, que neste período a atividade manufatureira só fez crescer, vinculada à exportação comercial; que vários dos materiais importados tinham um forte valor sistêmico, o que fazia portanto com que eles tivessem uma grande significação e servissem como bens de capital; e, como Roma era um dos centros hegemônicos, gerador portanto de uma parcela dos bens negociados na rota da seda, sua capacidade de negociar com as áreas periféricas seria vantajosa[67], o que faria com que os produtos e o número de moedas gasto nessas transações não representassem, assim, um fenômeno prejudicial ao equilíbrio econômico[68]. Pode-se imaginar, portanto, que o discurso de Plínio visava apenas recomendar que se evitasse o esbanjamento dos tesouros (tanto público quanto particulares), já que o equilíbrio da economia interna dependia destas reservas em tempos de crise. Sua afirmação pautava-se, provavelmente, numa certa prudência com os gastos, não encontrada nos imperadores seguintes (com exceção de Cláudio), até que a chegada de Vespasiano[69] inaugurasse uma nova política de austeridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desenvolvimento da economia romana forçou, em definitivo, a melhoria do aparelho burocrático e a fiscalização deste comércio. Durante o período de Adriano, houve uma reformulação dos quadros e da estrutura de funcionamento da máquina administrativa, objetivando melhorar os rendimentos do Estado[70]. Sua intenção, provavelmente, era tirar partido das conquista de Trajano no Oriente, tendo em vista as perspectivas que se abriam com a aproximação dos kushans, a abertura de um caminho mais rápido para a rota da seda e – quem sabe – um contato direto com os seres, produtores da afamada serica que os romanos continuavam a consumir em profusão. No entanto, os altos custos de manutenção destas territórios, e o possível esgotamento das reservas materiais e humanas romanas forçaram Adriano a recuar as fronteiras do Império, abrindo mão, em parte, das vantagens advindas das campanhas de seu antecessor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estabilidade do império acabou por provar que a idéia do déficit romano é um tanto complicada, pois os Antoninos continuaram investindo a fundo no comércio internacional. Foi durante a época de Marco Aurélio, por exemplo, que haveria chegado a primeira “embaixada oficial” dos romanos na China, o que, mesmo sendo discutível, mostra que o comércio estava em plena atividade[71].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diminuição deste comércio ligado a rota da seda só iria ocorrer, de fato, nos fins do II d.C. e III d.C., quando Roma também passou por sua crise durante a dinastia dos Severos. É impressionante pensar que, no mesmo século, os quatro centros hegemônicos foram desarticulados de suas bases de poder e, deles, apenas o Império Romano continuou, a duras penas, existindo. Somos tentados novamente a pensar qual a relação da interrupção da rota com as crises políticas deste período, e do ponto de vista econômico, podemos acreditar que a escassez de uma série de produtos nos mercados da rota tenham inflacionado seus preços finais, arruinando mercadores, compradores e manufaturas envolvidos no comércio[72]. Juntou-se a isso a desagregação do poder local, o que permitiu a grande série de invasões “bárbaras” em todos os cantos do mundo. Mas ainda assim, devemos crer que o tráfico de mercadorias de luxo, apesar de diminuir em volume, não deixou de existir. Como atestam os documentos chineses, mercadores ocidentais continuaram a aportar na China, com regularidade, mesmo depois do século III d.C.[73]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este movimento tem que ser compreendido à luz da necessidade sistêmica destes produtos de luxo em todas as sociedades da rota. Tanto as mercadorias chinesas quanto romanas eram artigos de grande valor, que reproduziam as hierarquias sociais e políticas de todo o conjunto macro-cósmico envolvido no sistema de trocas até as menores regiões. Isto nos permite fazer uma clivagem positiva sob o papel das instituições imperiais romanas no desenvolvimento da economia. Nem tanto reguladora, mas atuante, Roma percebeu que o equilíbrio de sua sociedade, tal como o dos outros centros hegemônicos, dependia de uma articulação política forte que interferisse, de forma construtiva, no desenvolvimento das atividades econômicas. Isso não significou uma ingerência determinada, como a da China ou da Pártia, sobre os seus mercadores; mas a presença territorial e burocrática do poder romano também atuou, garantindo a implementação das atividades produtivas e comerciais nas periferias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim sendo, o fenômeno que se realizou na China pôde ser visto também em Roma: uma articulação forte das periferias, através de uma exploração contínua de seus recursos que promovia, ao mesmo tempo, a inserção destes territórios num sistema maior, fosse pela sua participação como áreas de trânsito ou como áreas produtivas[74]. E o comércio internacional, fomentado por uma elite econômica, era então uma ponte através da qual se realizava um trânsito de capitais, bens, e mercadorias cujo valor sistêmico determinava sua utilização social como símbolos de riqueza e cosmopolitismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rota da seda era um elemento presente e importante, por conseguinte, no desenvolvimento estrutural da economia romana. Não seria possível dissociá-la dos movimentos políticos e sociais que ocorreram neste período, tendo em vista que ela atuava não só no imaginário como na vida material do Ocidente. Obviamente, a análise de sua importância não minora o valor da atividade rural ou do comercio local que existiram dentro do império romano: na verdade, somos obrigados a investigar todos estes aspectos numa perspectiva holística, dentro da qual Roma se via inserida como agente ativo e passivo. Os processos de transformação da economia romana estavam vinculados a uma série de dinâmicas correlatas, simultâneas, que punham a existência do império na dependência de uma série de fatores endógenos e exógenos. Isso significa, na prática, que o Império Romano não pode ser entendido como uma civilização compartimentada, totalmente ocidental, na medida em que muitos dos acontecimentos que tiveram repercussão direta na sua vida cotidiana e material provinham de articulações políticas e econômicas provenientes de áreas além de suas periferias. Na verdade, tanto Roma quanto a China ou a Pártia buscaram descobrir uma série de padrões econômicos e ideológicos que poderiam ser aplicados em suas sociedades indistintamente, o que fomenta, então, a idéia de um mundo antigo muito mais extenso e complexo do que até agora foi percebido[75]. Se Roma engajou-se economicamente, portanto, na rota da seda, vejamos, agora, os desdobramentos dessa relação em outros aspectos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na investigação dos aspectos culturais romanos é que vemos o fomento de uma ideologia amplamente ligada à idéia de sistema mundial.[76] Poderíamos classificar os elementos de valor sistêmico em duas categorias: aqueles que atuavam em nível interno, estabelecendo a hegemonia romana sobre as áreas dominadas pelo império; e aqueles que diziam respeito ao padrão hierárquico estabelecido pelas relações entre os centros hegemônicos, ou seja, um conjunto de práticas e valores de caráter internacional que asseguravam aos mesmos centros hegemônicos a posição de civilização (na acepção romana ou chinesa da palavra), em contraposição às populações submetidas/ “bárbaras”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro grupo é aquele do qual os romanos se valiam para estabelecer e ratificar suas divisões sociais, ordenando os grupos em função de sua posição, riqueza, cultura, etc.[77] O estabelecimento desta estrutura regulava os direitos e deveres da população, bem como sua parcela de inserção no sistema romano. Assim sendo, a posição de uma periferia na escala hierárquica do império era definida por um grupo de elementos que relacionavam a importância econômica, a assimilação da cultura romana, os estabelecimentos e prédios públicos, índice de urbanização, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num segundo nível, temos os valores sistêmicos comuns aos centros hegemônicos, que serviam ao estabelecimento das hierarquias em escala macro-cósmica. Este conjunto de elementos foi desenvolvido naturalmente, ao longo do processo de consolidação da rota da seda, na medida em que houve um gradual aumento do intercâmbio de idéias e saberes[78].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal conjunto diz respeito às práticas de reprodução de poder que eram compartilhados pelas elites do sistema mundial. Em primeiro lugar, o reconhecimento dos centros hegemônicos entre si através de um padrão civilizacional que usava o índice de urbanização como referencial. Os romanos não apareciam na documentação chamando os chineses de bárbaros, nem vice-versa. Para tal consideração, era necessário que uma sociedade reconhecesse a outra através do que ela era capaz de produzir, ou seja, por um grupo elementos técnicos e culturais altamente avançados que somente um centro hegemônico seria capaz de alcançar e concretizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim sendo, a construção de cidades, a produção de leis e costumes sólidos, e uma organização sedentária (em contraposição ao modo de vida nômade), eram os indicadores para o reconhecimento mútuo de centros civilizados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundo lugar, eram também elementos indicadores derivados deste reconhecimento, ou seja, a formação de um grupo de elementos materiais e culturais que serviam como indicadores de poder e prestígio (no caso os produtos exóticos estrangeiros), obtidos através de trocas comerciais (cujo significado político já foi abordado) e que eram utilizados nas práticas de ostentação e identificação das elites sociais. Este grupo era constituído, basicamente, por estas mercadorias de consumo conspícuo que demonstravam status social, posição política, etc. e cuja circulação era ampla (mas o acesso, restrito).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A articulação deste dois níveis produziu cenas singulares no imaginário romano em relação aos seres. Desde que a seda começou a ser difundida em Roma, ainda no tempo da República, começou a atrair a atenção de literatos e pensadores sobre sua origem e o povo que a fabricaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horácio foi um dos primeiros a povoar seus poemas com citações dos seres, um povo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corajoso, disciplinado, que vivia em companhia dos partos, indianos, báctrios, citas, dos povos do Tanus e do Danúbio, todos tendo respeito por Augusto. [79]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cujas flechas são bastante perigosas. [80]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabemos se o elogio às flechas dos seres era apenas uma criação sua ou se ele tinha razões para afirmá-las. Mas existiam grandes chances de estar informado a respeito do assunto, tendo em vista os grandes acontecimentos dos séculos II-I a.C. na Ásia central. Afinal, foi neste período que os chineses tomaram vastas áreas nas fronteiras da Índia e da Pártia, empregando uma infantaria que se valia de um grande grupo de arqueiros e besteiros; e deslocaram não menos de dois milhões de colonos para estas áreas[81]. Acreditamos ser muito difícil que tal deslocamento populacional passasse desapercebido pelos circuitos de informações que envolviam co comércio terrestre e marítimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a idéia de que os seres poderiam ser, de alguma forma, perigosos foi levada a sério ao longo do século I d.C. Marcial, por exemplo, viveu tempo suficiente para ver a retomada do Turquestão por Ban Chao e a quase derrocada dos partos. Mas, confiante no poder de Roma, escreveu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ó nobreza dos partos e príncipes dos seres, trácios, sármatas, guetos e bretões, eu posso vos mostrar um verdadeiro César: vinde![82]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcial quis apresentar, em apenas um verso, todo o poder que o império possuía diante daqueles que, provavelmente, considerava serem os maiores rivais de Roma na época: partos, seres, “bárbaros” ocidentais e orientais. Mas ainda assim havia segurança no ar: era a época dos imperadores Antoninos, e o poeta morreu durante o governo de Trajano, em suas palavras o “verdadeiro César”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Marcial deixou escapar a preocupação que tinha com os seres em diversos outros trechos[83], não era, porém, o único. Janvier[84] cita alguns outros autores que manifestavam a mesma tendência, considerando os seres uma potência que não podia ser desprezada de forma alguma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, este longínquo temor foi acompanhado de uma certa curiosidade. Ovídio, por exemplo, informa-nos que&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os seres eram um povo habilidoso, capaz de produzir tecidos tão finos como fios de cabelo [85]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mesmo o desconfiado Horácio havia descoberto que era a partir de árvores que&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os seres produzem os mais diversos tipos de seda coloridas [86]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo os geógrafos buscaram alguma informação sobre os seres. Estrabão[87] afirmava que sua vida era longuíssima, mais até do que a dos indianos. Existiram referências de que os seres apareceram em vários portos do Mediterrâneo, mas tal informação é passível de algumas dúvidas[88]. Mela também afirmou que&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta [a nação dos seres] era muito vasta (...) e era plena de justiça [89]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente surge a noção da lei como um elemento civilizador, que chineses e romanos atribuíam uns aos outros. E para terminar, Mela citava que os seres eram um povo de negociantes, impressão forte que os chineses devem ter gerado depois do estabelecimento da rota da seda[90].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande estudioso dos seres e da serica foi, porém, Plínio, o Velho. Este autor, famoso em seus dias por ser curioso e dedicado aos estudos, buscou o maior número de fontes possível para entender e explicar os seres. Desprezou o trabalho de Estrabão, que considerou falho e um tanto fantasioso[91], mas se dispôs a investigar com afinco a questão. Foi informado sobre como a seda era produzida, embora tenha se enganado em alguns detalhes; e descobriu também que o ferro que os romanos mais apreciavam provinha igualmente da China[92].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Plínio ainda nos informou de como a seda - e outros tantos artigos de luxo - eram empregados em Roma para a prática da ostentação. Numa passagem bem crítica ao luxo esbanjador das elites romanas, este autor nos diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É necessário que peregrinemos até o fim do mundo para que nossas damas possam envolver sua beleza com transparentes véus de seda, e os homens gastar suas posses na aquisição do brocado. [93]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso não impedia que ele recebesse, porém, relatos totalmente errôneos ou falsos. Durante o reinado de Cláudio, por exemplo, afirma,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma embaixada da Taprobana veio ata a corte (...) e afirmando que tinham relações comerciais com os seres, disse que este povo tinha cabelos vermelhos, olhos azuis, voz horrível e não falavam com estrangeiros. [94]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta parece ser uma atitude semelhante à que levou os partos a afastarem Gan Yin das fronteiras do império da Qin, tanto que o próprio Plínio parece não ter levado muito a sério esta informação[95].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após Plínio, Tácito continuou a pregação contra o luxo excessivo romano, e para tal parece ter se informado sobre a serica e os seres.[96] Numa passagem bem objetiva, ele declarava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que lhe falta para intervir (o imperador)? (...) A indistinção entre das roupas masculinas e femininas, o luxo próprio das mulheres ou as pedras preciosas, pelas quais transportamos nossa prata para os povos estrangeiros e inimigos? [97]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por estas passagens, fica patente que os romanos não pareciam ignorar de forma alguma a existência dos chineses. Na verdade, a atitude dos autores oscilava entre a curiosidade por um povo culto, um tanto misterioso e, ao mesmo tempo, poderoso, temerário, o que causava receios diversos na mente destes “soldados-cidadãos”. Os romanos tiveram diversas experiências diretas com os indianos e partos, mas os seres sempre estiveram separados deles uma grande extensão de terra, o que aumentava a curiosidade da elite romana. Havia consciência da importância do país da serica no mundo, no entanto os autores tinham a preocupação de vincular idéias que não desvalorizassem seu império em relação a ele (ou a qualquer outro), pois Roma era o centro hegemônico do mundo ocidental, e disso resultava uma cosmogonia na qual se acreditava que o equilíbrio da Terra dependia da ordem estabelecida pelo imperador (e pelo imperium)[98].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É fascinante notar, no entanto, que este tipo de idéia ultrapassou os limites fronteiriços e se difundiu por todo o sistema mundial. Como já citamos anteriormente, Roma adotou a cor púrpura para identificar sua realeza no Oriente e no Ocidente, os chineses apreciavam o uso de escravos “coloridos” para se destacarem em sua sociedade, ambos usavam o mesmo tipo de balança e métodos de troca para realizar o comércio, o que terminou por ser adotado por todos os outros povos envolvidos nas rotas comerciais, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roma e China apareciam aí, portanto, como definidores de parte significativa das práticas sistêmicas que se difundiram entre os centros hegemônicos da Antigüidade. O modelo desenvolvido por estas civilizações (em conjunto, depois, com partos e kushans) serviu de base ao desenvolvimento de todas as hierarquias sociais, políticas e econômicas que articulavam a existência do sistema mundial. As escalas destas relações eram gerenciadas em todos os níveis tanto pelas culturas originais dos centros hegemônicos como por uma outra cultura, específica, que pode ser entendida como geradora deste sistema mundial. Este saber ideológico, que fomentou o conceito de civilização na Antigüidade, não significava somente a manifestação de alteridade de um grupo de povos, mas a possibilidade deles se reconhecerem como civilizados e ainda, estabelecerem suas próprias hierarquias e divisões sociais baseadas numa idéia de cunho amplo, geral, embasada num consenso mundial que ratificava o conteúdo de suas próprias culturas. Desta forma, o outro passava a ser alguém que não apenas desconhecia o saber promovido pelo seu centro hegemônico, mas também, um saber que o inseria dentro de um mundo de alcance muito mais amplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os romanos continuariam a escrever sobre os seres ao longo dos séculos III em diante, dando prosseguimento ao infindável debate sobre o povo distante que fabricava a serica.[99] Mas cabe-nos agora examinar brevemente a participação dos intermediários neste sistema mundial, os partos, os kushans e os sassânidas. Serei mais sucinto a respeito destes povos, tendo em vista que, muitas vezes, suas presenças estiveram relacionadas a uma série de eventos que já descrevemos acerca dos processos históricos que envolveram a estruturação da Rota. Mesmo assim, devemos saber um pouco mais sobre sua organização e seus papéis na dinâmica deste sistema mundial antigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[1] THORLEY, F. “The silk trade between China and Roma empire”., p. 71-73.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2] THORLEY, F., op. cit., 78-80; TCHERNIA, A., op. cit., p.996-1000.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[3] TEGGART, F., op. cit., p.1-66; 225-241; WHEELER, M., op. cit., p.213.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[4] TEGGART, F., op. cit., p.225-241.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[5] JANVIER, Y., op. cit., p. 280-303.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[6] Um excelente trabalho neste sentido foi feito por COEDES, G. Textes d’auters grecs et latins relatifs a l’Extreme Orient. New York: Ares Publisher, 1977.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[7] PETIT, P., op. cit., p. 270-273; ANQUETIL, J., op. cit., p. 61-96.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[8] GUARINELLO, N. Imperialismo Greco – romano. São Paulo: Ática, 1991. p. 63-78.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[9] REID, S. Rotas da seda – caminhos marítimos. Lisboa: Estampa - UNESCO, 2000 p. 12-16; TEGGART, F., op. cit., p. 121-170; WARMINGTON, E. The commerce between Roman empire and India. New Delhi: MLBN, 1995 p. 84-140.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[10] Res Gestae, XXXI-XXXIII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[11] TEGGART, F., op. cit., p. 1-22; REID, S., op. cit., p. 20-21; GYSENS, J. “The intermediaries of trade”, p. 75-76; “Oriental traders in Greece and Italy”, p. 77-79 in CIMINO, R. et alli Ancient Rome and India : Commercial and Cultural Contacts between the Roman World and India, 1996.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[12] As rotas que atravessavam a Arábia eram conhecidas como rotas do inscenso, e traziam produtos do sul da península e da África. CIMINO, R. “Land and sea routes between Rome and India”. Op. cit., p. 25-27; WARMINGTON, E., op. cit., p. 6-34.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[13] CIMINO, R., “The "Periplus of the Erythraean Sea", op. cit., p. 8-9; FREZOULS, E., op. cit., p. 305-306; 323-325; TCHERNIA, A., op. cit., p. 991-999.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[14] REID, S., op. cit., p.20-21; AYMARD, A., “As trocas comerciais e culturais”., op. cit., p. 137 – 155.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[15] Périplo, LVII. Em FREZOULS, E., op. cit., p.320-325 encontramos uma descrição completa sobre o número de portos e os produtos negociados. O Périplo não cita os chineses, porém JANVIER, Y., op. cit., p. 268-269 afirma que os capítulos referentes (LXIV-LXVI) a eles foram perdidos. No entanto, podemos afirmar a existência destes trechos consultando a Geografia de Ptolomeu, que teria se valido do Périplo para obter informações sobre a Ásia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[16] Estrabão - Geografia, XV, 1, 4; XV, 1, 37.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[17] Ver Mapa da Agripa 1, em anexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[18] MENDES, N. “As relações entre o princeps e o populus romanorum através do transcrito público”. p.39-49 Helade 2 (1), 2001 in www.heladeweb.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[19] APUD MENDES, N., op. cit., p. 39-49.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[20] Comparar Mapa de Agripa 1 e Agripa 2 (mapas 13 e 14 em anexo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[21] Epodes, VIII; 15.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[22] As campanhas de Wu Di na Ásia central, que tiveram seu ápice na segunda metade do século I a.C. durante os Han Anteriores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[23] MORTON, W., op. cit., p. 82.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[24] Ver Mapa de Pômponio Mela do Chorographia – Mapas 16 e 17 (em anexo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[25] FERGUSON, J. “China and Rome”. ANRW, II, 9-2, London: 1978 p. 582.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[26] Ver Mapa de Dioniso (mapa 18 em anexo). Não são muitas as informações sobre este autor. Acredita-se que seu trabalho seja de 124 d.C.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[27] Geografia de Ptolomeu; aproximadamente 170-200 d.C.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[28] Geografia de Ptolomeu, VI; 16.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[29] Geografia de Ptolomeu, I; 11.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[30] Geografia da Ptolomeu, I; 13-14.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[31] REID, S., op. cit., p. 12-16; MUQI, C., op. cit., p. 30.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[32] TEGGART, F., op. cit., p.1-66; MCEVEDY, C. Atlas de Historia Antiga. Lisboa: Verbo, 1990 p.80-82.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[33] MCEVEDY, C., op. cit., p.82.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[34] TEGGART, F., op. cit., p.121-170.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[35] TEGGART, F., op. cit., p.121-170; MCEVEDY, C., op. cit., p. 82-83.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[36] FRYE, R. The heritage of Persia. Cleveland: World Publisher, 1962 p.207-240.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[37] MCEVEDY, C., op. cit., p.84.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[38] TEGGART, F., op. cit., p.121-170.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[39] Hou Han Shu, LXXXVI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[40] PETIT, P., op. cit., p. 265-301; GRANT, M. Civilização Clássica. Rio de Janeiro: Zahar, 1994 p. 216-217.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[41] Hou Han Shu, LXXXVI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[42] MCEVEDY, C., op. cit., p.84.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[43] MCEVEDY, C., op. cit., p.84; TEGGART, F., op. cit., 121-170; FRYE, R., op. cit., p.210-230.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[44]LEE, A. Informations and frontiers – roman foreign relations in late antiquity. Cambridge: Cambridge University press, 1993 é um indicado estudo sobre o caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[45] Uma introdução sobre este assunto pode ser vista em GUARINELLO, N., op. cit., p.38-44.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[46] Sobre Roma e o seu sistema ver NASH, D. “Imperial expansion under the roman republic”., op. cit., p. 87-104 e ROWLANDS, M., op. cit., p. 1-13.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[47] PETIT, P., op. cit., p.270-273; FLORENZANO, M. O Mundo antigo: economia e sociedade. São Paulo: Brasiliense, 1994 p. 86-89; ROSTOVTZEF, M. História de Roma. Rio de Janeiro: Zahar, 1979 p.238-253; TEGGART, F., op. cit., 1969 p.1-66.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[48] WARMINGTON, E., op. cit., p. 6-34 e CIMINO, R. “Land and sea routes between Rome and India”., p. 25-27; AVANZINI, A. “The red sea and Arabia”., p. 53-59 e RAMAN, K. “Arikamedu: an important trading center with the west”., p. 165-166 in CIMINO, R. et alli Ancient Rome and India : Commercial and Cultural Contacts between the Roman World and India , 1996.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[49] REID, S. As rotas da seda – culturas e civilizações. Lisboa: Estampa – UNESCO, 2000.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[50] História Natural, XII, 41:84.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[51] História Natural, VI, 26, 101.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[52] REID, S. Rotas da seda – caminhos marítimos., op. cit., p. 12-16.; CIMINO, R. “Land and sea routes between Rome and Índia”., op. cit. p. 25-27 e WARMINGTON, E., op. cit., p. 6-34, 35-83 e 84-90.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[53] THORLEY, J. “The silk trade between China and Roman empire”., op. cit., p. 76-77.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[54] Périplo, LIV-LVII. Ver também FREZOULS, E., op. cit., p. 321-325.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[55] História Natural, VI, 62.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[56] Historia Natural, XII 124-125; XXIV, 24 e XIII, 18. Ver também THORLEY, J., op. cit., p. 77-79; FERGUSON, J., op. cit., p. 591-593.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[57] História Natural, VI, 2; 84.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[58] VEYNE, P. “Rome devant la pretendue fuie de l’or: mercantilisme ou politique disciplinaire?” Analles. N.2 Paris: ESC, 1979 p. 211-244.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[59] Vida dos doze Césares, II.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[60] Anais, III; 53 e também Plínio: História Natural XII, 41, 84.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[61] MAZAHERY, A. La route de soie. Paris: Papyrus, 1983 p.235-245.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[62] ANQUETIL, J., op. cit., p.80-81.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[63] Sobre os Chineses, cf. BIELENSTEIN, H., op. cit. p. 50-55; GERNET, J., op. cit., p. 138-141; KIRBY, E., op. cit., p. 106-117. Sobre a Pártia, ver FRYE, D., op. cit., p. 200-203; PAYNE, R. The splendor of Persia. New York: Knopf, 1957 p.31-39.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[64] TCHERNIA, A. “Moussons et monnaies: les voies du commerce entre lê monde greco-romain et l’Inde”., 1995.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[65] TCHERNIA, A., op. cit., p.1003-1005.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[66] CIMINO, R. “The monetary policy of Rome”., p. 24-34; “Roman coins in India”., p. 135 –141 in CIMINO, R., Ancient Rome and India…, 1996.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[67] TCHERNIA, A., op. cit., p. 1007-1009 afirma que na verdade existia uma certa diversidade de formas de troca, o que tornava o comércio entre Roma e Índia uma relação desigual e variável. Não se pode, portanto, afirmar que existiria um sistema único, o que torna a questão do fluxo monetário ainda mais complexa. Acreditamos na idéia do comércio ser em certa medida irregular, mas todas as referências aos métodos de trocas levantados para este trabalho apontam para uma certa uniformidade no processo de câmbio por equivalência por peso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[68] Sobre as relações entre centro e periferias, cf. ROWLANDS, M., op. cit., p. 1-13.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[69] Vespasiano 69-79 d.C.; GRANT, M., op. cit., p.182-208; TEGGART, F., op. cit., p. 121-170.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[70] GRANT, M., op. cit., p. 182-208 e TEGGART, F., op. cit., p.121-170.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[71] Hou Han Shu LXXXVI-LXXXVIII; Wei Lu e Liang Shu, LIV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[72] TEGGART, F., op. cit., p.1-66 e WHEELER, M., op. cit., p. 203-214.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[73] Chin Shu, XCVII; Song Shu, XCVII e Liang Shu, LIV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[74] ROWLANDS, M., op. cit., p. 1-13; BUENO, A. Relações de Centro – Periferia na China Antiga. Curso de Pós-Graduação em História, Niterói: UFF, 2001.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[75] Ver o recente trabalho de ROBERT, J. Sur les routes de soie au temps de cesars. Paris: Belles Lettres, 1993; há uma versão em espanhol, De Roma a China. Barcelona: Humanidades, 1996.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[76] ROWLANDS, M., op. cit., p.1-13.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[77] Sobre a organização social romana, ver ALFODY, G. Historia social de Roma. Madrid: Alianza, 1988 p.130-140.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[78] O que seria considerado por TEGGART, F., op. cit., p. v-xii (prefácio) uma “estrutura relacional”, posto que ele não lidava com a idéia de sistema mundial. FERGUSON, J., op. cit., p.601-602 recuperou esta idéia, considerando-a em certa medida válida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[79] Odes I,12, 53-57; III, 29, 27-28 e IV, 15, 21-24.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[80] Odes, I, 29,9&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[81] MORTON, W., op. cit., p. 77.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[82] Epigramas, XII, 8, 8-10.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[83] Epigramas, III, 82,7; IX, 37, 3; XI, 8, 5;XI, 27, 11.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[84] JANVIER, Y., op. cit., p. 263 Sobre os seres: Silves, I, 2, 122-123; IV, 1-4 e V, 1, 214-216. Guerras Punicas, VI, 1-4 e XV, 79-81.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[85] Amores, I, 14, 5-6.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[86] Elegias, I, 14, 22.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[87] Geografia, XV, I, 34.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[88] JANVIER, Y., op. cit., p.265.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[89] Chorographia, III,60 Ver também JANVIER, Y., op. cit., p. 266.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[90] Chorographia, VI, 54.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[91] JANVIER, Y., op. cit., p. 267 e FERGUSON, J., op. cit., p. 583.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[92] História Natural, XXXIV, 145.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[93] História Natural, VI, 53-54; XII, 17 e XIV, 22.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[94] História Natural, VI, 84-88.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[95] JANVIER, Y., op. cit., p. 268.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[96] Anais, II, 33.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[97] Anais, III, 53.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[98] ROWLANDS, M., op. cit., p. 8-9.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[99] JANVIER, Y., op. cit., p. 261-267; FERGUSON, J., op. cit., p. 583-591.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7242339186088406966-992170917346016398?l=rotasdomundoantigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/feeds/992170917346016398/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7242339186088406966&amp;postID=992170917346016398' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7242339186088406966/posts/default/992170917346016398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7242339186088406966/posts/default/992170917346016398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/2007/07/imprio-romano.html' title='O IMPÉRIO ROMANO'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7242339186088406966.post-8242356791775130156</id><published>2007-07-13T09:30:00.002-03:00</published><updated>2007-07-13T09:31:44.461-03:00</updated><title type='text'>A PÁRTIA E A ÁSIA CENTRAL</title><content type='html'>O reino dos partos surgiu de um longo processo de transferência de populações nômades para áreas da Ásia central e do Oriente Próximo[1]. Quando Alexandre, o Grande, invadiu a Pérsia, já havia referências sobre uma satrapia conhecida como Pártia[2], que depois iria ser tomada por um desses povos errantes ao longo do processo de desagregação do Império Selêucida. No século III a.C., o seu líder, Arsaces I, proclamou a existência da dinastia Arsácida e do reino da Pártia, que dali por diante viria a crescer cada vez maior em termos territoriais e políticos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase todos os autores consultados concordam em que este reino absorveu muito da cultura grega, tanto no aspecto ideológico quanto funcional[3]. Organizados em moldes políticos próximos a uma tirania grega, os partos escreviam e liam em grego e persa, e produziam obras de arte que mesclavam o inconfundível estilo helênico com sobrevivências iranianas e elementos de uma cultura autóctone nômade[4]. Desde os séculos II e I a.C., com o aumento das atividades chinesas na rota da seda, os partos começaram a interferir diretamente no fluxo comercial, o que viria a se tornar uma das grandes fontes de renda deste reino, através de um sistema rígido de tributação e controle das fronteiras[5]. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso logo colocou os partos em atritos com seus vizinhos ocidentais e orientais. No século II a.C, os chineses já haviam mandando uma embaixada pacificadora a Mitrídates II. Tal ação, que visava não só garantir a segurança da presença chinesa ao longo da rota, como também fomentar uma ação contra os “bárbaros” nômades, foi acompanhada de perto pelos reinos greco-bactrianos e pelo restante da Índia. E como vimos, ao longo do século I d.C., esta política teve continuidade no tempo de Ban Chao. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Índia foi palco, desde cedo, de uma série de ações da Pártia sobre os restos da dinastia selêucida e sobre a decadente dinastia dos shakas, que seriam vencidos pelo Yuezhi (os futuros kushans)[6]. No século I d.C., porém, esses movimentos se limitaram apenas à regulação das fronteiras e do fluxo de caravanas, tendo em vista o crescimento do poder kushan e o aumento das ameaças romanas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conflito entre os partos e Roma tornar-se-ia, no entanto, um processo que acompanhou praticamente quase toda a existência destas duas civilizações[7]. Vendo que suas pretensões orientais eram barradas pela força da China e pela determinação dos reinos indianos, a Pártia voltou suas atenções para os mercados romanos, onde eram negociados os produtos vindos de várias áreas do Ocidente, da Arábia e da África. Além disso, dominar estes territórios significava também controlar os pontos finais de distribuição da rota da seda, que terminavam na Síria, Armênia, Egito e Arábia[8]. Por este motivo, um longo conflito desenvolveu-se entre as duas culturas, gerando para os romanos a idéia de uma Pártia tão perigosa para o Império quanto Cartago havia sido para a República. A desgraça ocorrida com Crasso na batalha de Carras em 53 a.C. (quando as legiões teriam, supostamente, caído no “truque da seda”) deixou uma impressão marcante nas avaliações que Roma faria sobre os seus vizinhos partos.[9] &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, como parceiros comerciais (pois suas fronteiras eram a área de trânsito principal do comércio internacional), os partos alternavam momentos de boas relações com seus vizinhos. Augusto, recuperador das insígnias romanas perdidas por Crasso, recebeu a visita de seus enviados[10]. Descrições generalizadas de seu povo e seus costumes eram feitas por romanos e gregos, o que supõe que alguns deles tenham circulado pelo território parto sem problemas[11]. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pior época para a existência do reino parto foi o período dos séculos II e III d.C., quando Trajano invadiu suas fronteiras até a Mesopotâmia, e a pressão exercida pelos vizinhos kushans e chineses prenunciava o seu fim. No entanto, este não viria pela mão dos romanos (que recuaram), nem dos chineses e indianos; o término da existência dos partos foi decretado, em 224 d.C.[12] pelo aparecimento de outro povo semi-nômade, os sassânidas[13], que vinha recuperar a glória perdida da Pérsia aquemênida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Pártia funcionou dentro do sistema mundial como um intermediário da rota da seda, reproduzindo informações e realizando o trânsito de mercadorias e valores sistêmicos. Sabe-se que os partos buscaram constituir uma identidade própria, mas esta acabou por desenvolver-se incluindo grande número de elementos gregos. Sua proximidade com os orientais, porém, lhes deu base para intermediar com habilidade o fluxo comercial realizado entre a Ásia e a Europa. Os partos também se utilizaram dos mesmo tipos de mecanismos de reprodução de poder através da utilização de produtos de luxo: os chineses citam como os An Xi adquiriam produtos dos mais diversos lugares para empregá-los socialmente e negociá-los com seus vizinhos[14]. Mas os partos parecem não ter gerado muito dos conteúdos de valor sistêmico empregados pelos povos integrantes da rota. Apesar de tirarem um bom partido do comércio, eram poucos os produtos advindos deste reino que eram negociados como artigos de luxo[15]. Buscaram, no entanto, interagir de forma atuante no sistema mundial, com a intenção de obter reconhecimento político por parte dos outros centros hegemônicos, o que conseguiram, entre outras formas, atuando constantemente sobre o fluxo da rota. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os partos conseguiram, contudo, difundir alguns de seus aspectos ideológicos mais comuns, tais como o uso da cor púrpura pelos imperadores (hábito dos tempos aquemênidas), a continuidade da língua grega no Oriente, etc. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sassânidas &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No contexto em análise, a participação temporal dos sassânidas foi pequena (este grupo só surgiria no século III d.C.), mas sua atuação foi significante. Ao substituírem os partos no domínio da Pérsia e de vastas áreas do Oriente Próximo, os sassânidas reorganizaram toda a estrutura de poder local, empreendendo a construção de um império forte e igualmente ameaçador para Roma[16]. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ardashir, o primeiro de seus imperadores, foi um príncipe servidor do último soberano parto, Aratbanus IV[17]. Tendo deposto a dinastia arsácida, firmou-se no poder, estendendo os domínios persas até a Índia, onde retomou as satrapias que teriam pertencido aos Aquemênidas. Um dos soberanos Sassânidas, Shapur I (239-270), desarticulou por completo o poder romano no Oriente Próximo, invadido e destruindo Armênia, Síria e Mesopotâmia, tomando partes da Ásia Menor, conquistando inúmeras cidades e fazendo um imperador romano, Valeriano, seu prisioneiro. Roma conseguiu retomar algumas dessas possessões no tempo de Galério (296), mas só após a separação do Império Oriental é que os romanos puderam retomar a iniciativa[18]. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A política dos sassânidas em relação aos romanos não apresentou nada de novo, sendo bem semelhante à dos partos, embora a dependência do comércio tenha diminuído um pouco em função das crises políticas existentes em todo o Oriente[19]. Culturalmente, os sassânidas buscavam retomar a idéia dos grandes impérios de Dario e Xerxes, ou seja, dos tempos Aquemênidas, mas este renascimento foi feito com base em muitos elementos que já haviam sido definitivamente transformados pela influência greco-latina[20]. A base de seu poder político continuou a reproduzir, no entanto, a idéia de sistema mundial, embora sejamos forçados a admitir que a conformação do mesmo já não tinha a força dos séculos I a III d.C. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kushans &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande centro hegemônico em território indiano foi o reino Kushana, fundado por Kujula Kadiphses no século I d.C. Antes disto, os Yuezhi (como eram chamados pelos chineses) estavam organizados em um território chamado de Da Yuezhi (Grande Yuezhi), que englobava todos os clãs que comandavam este povo[21]. Mas o clã kushan (ou kuei shang) terminou por tomar o poder e Kujula proclamou a existência de sua dinastia, tendo tomado em 64 a cidade de Taxila, considerando-a sua capital[22]. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No segundo capítulo deste trabalho, vimos que a história dos kushans havia começado, na verdade, quando os chineses Han iniciaram o seu primeiro movimento de repressão contra os Xiong Nu, em torno dos séculos III e II a.C. Os Yuezhi, um dos povos que habitavam o norte da fronteira chinesa, foram empurrados pelos Xiong em direção ao território indiano[23], onde não encontraram grande resistência por parte dos enfraquecidos reinos greco-bactrianos. Ao longo de seu estabelecimento no território, lutaram contra o decadente reino hinduísta dos Shakas, apoiados pela Pártia, tendo completado seu movimento de acomodação em torno justamente do século I d.C. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde cedo os soberanos kushans se mostraram amigáveis com romanos e chineses, talvez buscando alguma espécie de reconhecimento internacional, ou porque conheciam sua posição geográfica privilegiada, pois seu território abrangia boa parte dos caminhos usados pelas caravanas terrestres e seus portos eram amplamente visitados pelos ocidentais e árabes[24]. O reino Kushana nunca criou grandes impedimentos ao tráfego comercial. Diferentemente dos partos, autorizava, inclusive, a passagem de mercadores por suas fronteiras, cobrando apenas taxas aduaneiras que compuseram uma grande quantidade de tesouros espalhados em vários depósitos, achados por Wheeler[25]. Os chineses sempre tiveram em conta sua boa relação com aqueles que chamaram primeiro de Yuezhi e, depois, de kuei shang, mas compartilhavam a mesma tendência dos romanos em descrevê-los de forma homogeneizada com os povos dos outros reinos indianos do centro e do sul. Na verdade, talvez não houvesse grandes distinções que estes autores pudessem fazer, tendo em vista que os kushans eram muito mais uma unidade política do que étnica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto fica patente quando observamos sua produção cultural, principalmente artística, que nos apresenta uma fusão de estilos incomparável. Herdeiros das escolas de Gandhara e Mathura[26], que fundiram a estética grega com a persa e a indiana, os kushans estimularam estas manifestações através da produção de esculturas e imagens que conseguiam abranger um grande número de elementos simbólicos cujo valor sistêmico não tinha equivalente. Um exemplo perfeito é o das estátuas budistas, que acompanharam o ritmo de evolução da rota da seda. Em se tratando de uma religião proselitista, o budismo tratou desde cedo de vincular uma imagem diferenciada daquela do hinduísmo tradicional, o que fez com que buscasse estilos alternativos ao da arte indiana tradicional de sua época. O resultado foi a absorção das artes grega e iraniana como um elemento difusor da cultura budista, o que produziu as primeiras imagens de um Buda humano repleto de símbolos de poder gregos e indianos, complementadas inclusive pelo surgimento de documentos religiosos em aramaico e grego[27]. Com a queda dos gregos e o aumento do poder romano, porém, este estilo começou a se modificar, e no período do século I a.C. -I d.C. temos Budas usando a toga romana e segurando o tradicional rolo de pergaminho. Com a retomada do movimento Han na Ásia central, no fim do século I d.C., estas estátuas começam a ganhar contornos chineses, sendo produzidas para exportação. O resultado destas fusões foi fértil: esculturas que possuíam togas romanas, insígnias apolíneas, atributos de poder persas e rostos chineses[28]. A arte indiana aparecia aí como um reprodutor perfeito da idéia de sistema mundial, congregando de forma consciente os movimentos políticos e culturais da época. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grande estimulador deste tempo de convivência pacífica e proveitosa foi Kanishka[29], soberano do século II d.C. conhecido por sua política de tolerância com as religiões. Patrono das artes e das culturas, tal como os mecenas gregos e seus correlatos romanos, Kanishka só utilizou seus exércitos com intensidade ao rechaçar as ingerências dos partos em suas fronteiras. Lembremos mais uma vez que, alguns anos antes, Trajano havia atacado a Pártia, os chineses tinham reforçado sua presença ao longo da rota no fim do I d.C. e Vima Kadiphses, o soberano kushan, havia dado seu apoios aos romanos enviando uma embaixada em 107 d.C.[30] &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após Kanishka, porém, os kushans começaram a se enfraquecer, por motivos não muito bem estudados até agora. No final do século II d.C., comerciantes chineses (com suas próprias guarnições) começaram a se instalar em alguns pontos da rota da seda dentro do reino Kushana, e é possível que os kushans tenham autorizado este tipo de ocupação devido a um enfraquecimento de suas forças políticas e militares. Neste mesmo período, até os combalidos partos conseguiram capturar algumas cidades do território kushan, recebendo um reforço de capital dos tesouros alfandegários apreendidos[31]. E no início do III d.C., tal como a China e a Pártia, os kushans se fragmentam em pequenos reinos, da mesma forma como havia acontecido com seus antecessores Selêucidas e greco-bactrianos[32]. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O papel dos kushans no sistema mundial também era de intermediários na administração da rota da seda, bem como de difusores da ideologia a ela associada em território indiano. Sua contribuição no campo cultural foi singular, porém, já que, sob a égide dos kushans, os movimentos artísticos indianos atingiram um grau de cosmopolitismo inigualável. Os indianos conseguiram captar com clareza este trânsito cultural, e vinculá-lo sob forma de imagem com uma distinção de atributos perfeita. As estátuas produzidas em Gandhara e Mathura podiam transmitir uma idéia de poder (a isto se destinavam) que seria reconhecida, provavelmente, em todos os reinos que integravam o sistema mundial, tendo em vista que congregavam diversos dos elementos de valor sistêmico que eram compartilhados pelos centros hegemônicos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como território de passagem destas rotas, os kushans souberam aproveitar-se politicamente de sua posição, criando boas relações com os latinos e com os chineses, embora o mesmo não valesse de todo no caso da Pártia. O reino Kushana era uma parada obrigatória para os ocidentais que iam em direção do Oriente e vice-versa, e seu enriquecimento derivava do estímulo deste fluxo, não tentando, portanto, restringí-lo[33]. Como integrantes do sistema mundial, os kushans cumpriram seu papel de ligação entre o Ocidente e a Ásia, funcionando como um centro que congregava o fluxo comercial que se dirigia para a Índia tanto por terra quanto por mar, e reproduziam as práticas de poder que norteavam a estrutura deste sistema, atraindo as regiões periféricas indianas para a inserção na rota da seda. Talvez por estes motivos é que os indianos tenham sido tantas vezes citados pelos romanos e chineses com uma certa simpatia, sendo raros os casos em que eram vítimas de desconfiança ou temor[34]. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[1] Geografia de Estrabão, XI, 515. Ver Também FRYE, R., op. cit., p.148 – 207. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2] DEBEVOISE, N.  A political history of Parthia. Chicago, UCP, 1969 p. 4-30; FRYE, D., op. cit., p. 100; COLLON, D. Parthians and sassanians beyond the Euprathes. Berkeley: University of California Press, 1995 p. 188-211; BANERJEA, J. The scythians and parthians in India. New Delhi, People publishing house, 1987  p.186-309. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[3] DEBEVOISE, N. “The essentials characteristics of Parthian and sassanian glyptic art”. Berytus V. I. Beirute, 1934 p. 12-19; LEVEQUE, P., op. cit., p. 199-201; MOMIGLIANO, A., op. cit., p. 111-133; FRYE, R., op. cit., 198-210; PAYNE, R., op. cit., p. 31-39. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[4] BANERJEA, J., op. cit., p.186-309; FRYE, R., op. cit., p.142-180 e 220; LEVEQUE, P., op. cit., p.199-200; MOMIGLIANO, A., op. cit., p.111-132 e COLLEDGE, M., op. cit., p. 22-35; DEBEVOISE, N., op. cit., p. 12-19. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[5] FRYE, R., op. cit., p.198–207; FREZOULS, E., op. cit.,  p. 479-498. Ver também os trabalhos de DABROWA, E. La politique d l’etat a l’egard du Rome et d’Artaban II a Vologese I (II a.C. – 79 d.C.). Cracóvia: Université Jagiellonski, 1983 e “Les rapports entre Rome et les parthes sous Vaspasian”. Syria, vol. 58 Paris, 1981 p. 187-204. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[6] GROUSSET, R., op. cit., p. 24-30. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[7] Um exame abrangente sobre o assunto pode ser visto em FREZOULS, E., op. cit., p. 479-498. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[8] GRANT, M., op. cit., p.216-217. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[9] Plínio, História Natural, 2, 147 (sobre a batalha de Carras). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[10] Res Gestae, 31-33. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[11] Uma descrição abrangente pode ser encontrada em Isidoro de Charax, que teria vivido no século I d.C. Ver SCHOFF, W. The Partians stations by Isidore of Charax. London: London Original Publisher, 1914. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[12] Alguns autores consideram o período de guerra civil e põe o término da Pártia em 228 d.C. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[13] FRYE, R., op. cit., p.198-207. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[14] Han Shu, XCVI e Hou Han Shu, LXXXVI-LXXXVIII. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[15] Plínio cita poucos produtos de origem parta; as listas do Hou Han Shu, LXXXVI-LXXXVIII também informam algumas das coisas que os partos produziam, mas nada que se comparasse às mercadorias romanas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[16] Um excelente trabalho sobre as relações entre romanos e sassânidas é o já citado LEE, A.   Information’s and frontiers – roman foreign relations in the late antiquity. Cambridge: Cambridge University press, 1993. Ver também FRYE, R., op. cit., p.200 – 238; COLLON, D., op. cit., p. 188-211. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[17] Karmanik – I – Ardashir, I. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[18] GRANT, M., op. cit., p.217; LEE, A., op. cit., p.15-25. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[19] AYMARD, A., op. cit., p.137-155. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[20] FRYE, R., op. cit., p.200-238; PAYNE, R., op. cit., 40-52. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[21] Shi ji, CXXIII. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[22] THORLEY, J. “The Roman empire ant the kushans”., op. cit., p.181-183. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[23] Sobre as migrações deste povo, ver o trabalho de KOSHELENKO, G. The Yuechi and the migrations. New York: UNESCO, 1994. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[24]TCHERNIA, A., op. cit., p. 999-1001; CIMINO, R. “Land and sea routes between Rome and India”., p.25-27; WARMINGTON, E., op. cit., p.6-34. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[25] WHEELER, M., op. cit., p. 183-203. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[26] Sobre o assunto: COOMARASWAMY, A. History of Indian and Indonesian art. New York: Dover, 1985 p. 41-71 e HUNTIGTON, S. The art of Ancient India. New York: Weatherhill, 1985 p. 105-115. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[27] Sobre os textos, ver o caso dos Éditos de Ashoka e o Milinda Panha. Ver XAVIER, R. Milinda Panha. RJ: Livros do mundo inteiro, 1972 e DHAMANIKA Edicts from Ashoka 2000, em www.orientalismo.cjb.net. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[28] Cf. Nota 333. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[29] Sua data de vida é incerta, situando-se num período entre 105 - 130 d.C. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[30] Dion Cássio, 68,15. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[31] THORLEY, J., op. cit., p.188-189. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[32] Um bom resumo sobre a História indiana pode ser visto em THAPAR, R. Historia de la Índia antigua. México: FCE, 2001. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[33] GYSENS, J. “The intermediaries of trade”., p.75-76 e “Oriental traders in Greece and Italy”., p. 77-79 in CIMINO, R. Ancient Rome and India…, 1996. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[34]Ver os exemplos citados no caso dos seres pelos romanos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7242339186088406966-8242356791775130156?l=rotasdomundoantigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/feeds/8242356791775130156/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7242339186088406966&amp;postID=8242356791775130156' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7242339186088406966/posts/default/8242356791775130156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7242339186088406966/posts/default/8242356791775130156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/2007/07/prtia-e-sia-central.html' title='A PÁRTIA E A ÁSIA CENTRAL'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7242339186088406966.post-6854129982621458313</id><published>2007-07-13T09:30:00.001-03:00</published><updated>2007-07-13T09:30:50.540-03:00</updated><title type='text'>CONCLUSÃO</title><content type='html'>O estudo das relações entre Roma e China nos possibilita enxergar um panorama do mundo antigo diferente do habitual. Ao analisarmos o processo de construção da rota da seda, e a conseqüente estruturação de um sistema mundial de relações econômicas, culturais e políticas comuns aos centros hegemônicos integrantes desta via (incluindo-se aí a Pártia e os kushans), concluímos que, atualmente, a realização de muitas pesquisas no campo dos estudos clássicos necessita dar uma maior atenção à questão da interação entre o Ocidente e o Oriente na Antigüidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A compartimentação das sociedades antigas já foi uma “regra” na História, e durante vários anos os trabalhos do gênero sempre foram orientados a estabelecer suas hipóteses buscando apenas as fontes clássicas tradicionais e trabalhos arqueológicos localizados. Quando nos deparamos, porém, com a existência deste sistema mundial no período I a III d.C., somos levados a aceitar o fato de que as civilizações, mesmo na Antigüidade, eram capazes de articular teias de relações complexas com as comunidades vizinhas, e que as influências mútuas geravam graus de troca e dependência de padrão razoavelmente uniforme, mas de intensidade variável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia deste nosso estudo não é, de forma alguma, negar o valor de abordagens centradas nas especificidades, nos estudos de caso sobre Antigüidade romana ou chinesa; mas demonstrar, fundamentalmente, que na análise dos processos históricos de maior abrangência é necessário atentar, com maior cuidado, para os movimentos políticos e sociais deste contexto, cujas ações são norteadas por culturas diferentes em pleno processo de interação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questões amplamente discutidas, como o imperialismo romano ou o papel do comércio na Antigüidade, podem ser revistas em função da sua relação estrita com uma dinâmica internacional que aglutinava civilizações diferentes e fomentava uma estrutura sócio-cultural específica, compartilhada pelos centros hegemônicos e suas periferias. A observação da reprodução de padrões e escalas hierárquicas semelhantes em reinos diferentes como o império Han ou Roma nos conduz, na análise, a quebrar o isolamento destes grupos humanos mesmo em seus aspectos mais básicos, como a regulação da vida social. Práticas de manutenção da desigualdade pautadas no emprego de bens materiais foram implementadas na época estudada pelo desenvolvimento de uma política internacional de trocas, cuja via era o comércio de produtos de luxo. Campanhas militares e movimentos políticos estratégicos foram realizados levando em conta eventos de amplitude mundial, e não somente conflitos singulares entre povos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sistema mundial criou a perspectiva, para os povos que o integravam, de uma ordem maior no qual se viam inseridos, condicionada à existência do centro hegemônico que era a fonte de civilização e de evolução material. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este processo de articulação, que envolveu a participação das mais diversas civilizações, fomentou considerável troca de informações dos mais diversos tipos, que se manifestaram na produção de valores culturais comuns, estilos artísticos novos, intercâmbio material, técnico e mesmo religioso. Foi através da rota da seda, por exemplo, que novidades tecnológicas chinesas chegariam ao Ocidente; e por ela, cristãos, judeus e pagãos divulgariam suas crenças em toda a Ásia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estudo do sistema mundial mostra, portanto, que a escala de integração entre os grandes impérios da Antigüidade era muito mais profunda do que tem sido apresentada até agora. Uma história integrada, de eventos correlacionados, fornece-nos uma base substancial para entender a conjuntura política dos séculos I a III d.C., suas guerras, a evolução material de suas sociedade e a mudança de seus padrões culturais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso das relações entre Roma, China e seus vizinhos apresenta-nos, portanto, um mundo antigo muito mais complexo que antes de imaginava. Seus elementos sistêmicos devem ser estudados à luz de uma estrutura ampla, integradora de referências diversas, cujas manifestações são múltiplas. Faz-se mister que não mais compartimentemos o estudo das civilizações antigas, como se umas ignorassem as outras: na verdade, a articulação do sistema mundial foi um dos fatores que permitiu que a Antigüidade conhecesse um dos maiores períodos de riqueza material e cultural, cujo legado viria a ser uma referência para as gerações posteriores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7242339186088406966-6854129982621458313?l=rotasdomundoantigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/feeds/6854129982621458313/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7242339186088406966&amp;postID=6854129982621458313' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7242339186088406966/posts/default/6854129982621458313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7242339186088406966/posts/default/6854129982621458313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/2007/07/concluso.html' title='CONCLUSÃO'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7242339186088406966.post-8782115518683901868</id><published>2007-07-13T09:28:00.000-03:00</published><updated>2007-07-13T09:30:17.650-03:00</updated><title type='text'>BIBLIOGRAFIA</title><content type='html'>1)FONTES PRIMÁRIAS &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como documentação original, utilizarei dois tipos de fonte, uma romana e outra chinesa. Os autores utilizados são: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) BAN GU Han Shu (The History former of Han dynasty). USA: Baltimore Walverley Press, 1938. Trad. Homer Dubs. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) FAN YE “Heou Han Chou - Annales de la Dinastie Han” Cap. LXXXVIII. Paris, 1907 APUD MAZAHERI, A. La Route de Soie. Paris: Papyrus, 1983 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) ESTRABÃO Geografia  Paris: Belles Lettres, 1975. Trad. F. Lasserre &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) HORÁCIO Odes Paris: Belles Lettres, 1930. Trad. F. Villeuneuve &amp; O. Ricoux &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) MARCIAL Epigramon Paris: Belles Lettres, 1930. trad. H. Izaac &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6) PLÍNIO, O Velho. Historie Naturelle Paris: Belles Lettres, 1980. Trad. J. André &amp; J. Filliozat &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7) POMPONIUS MELA Chorographie Paris: Belles Lettres, 1988. Trad. A. Silberman &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8) PTOLOMEU Geography of Claudius Ptolemy. New York: Dover, 1991. Trad. E. Stevenson &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9) OVÍDIO Amours Paris: Belles Lettres, 1929. H. Bornecque &amp; J. Néraudan &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10) SIMA QIAN Records of the grand historian - Shi Ji. Columbia: Columbia University Press, 1993. Trad. Burton Watson. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2)FONTES SECUNDÁRIAS &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) ALFODY, G. Historia social de Roma. Madrid: Alianza, 1988. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) ANQUETIL, J. Routes de la soie.  Paris: ed. JCL 1992 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) ANDREAU, J. “Vingtans aprés l’economie antique de M. Finley”, p. 947, Paris: Analles N.5, 1995 9 (s/edt) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) AYMARD, A. “A China dos Ts'in e dos Han” in CROUZET, M. História geral das civilizações. Rio de Janeiro: ed Bertrand Brasil, 1994 V. 2 p.591-604. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_______. “As trocas comerciais e culturais” in CROUZET, M. História geral das civilizações. Rio de Janeiro: ed. Bertrand Brasil, 1994 V.5 p. 137-155. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_______. “A expansão da civilização chinesa” in CROUZET, M. História geral das civilizações. Rio de Janeiro: ed. Bertrand Brasil, 1994 V.5 p.247-257. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_______. (org.) Aspects de La China. Paris: PUF, 1959 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) BALAZS, E. Chinese Civilization and Bureaucracy. New York: New Haven, 1964 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6) BANERJEA, J. The scythians ans parthians in India. New Delhi: People Publishing House, 1987. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7)BIELENSTEIN, H. The Bureaucracy of Han Times. Cambridge: Cambridge University Press, 1980 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8) BLUNDEN, C. &amp; ELVIN, M. China. Lisboa; Edições Del Prado, 1997. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9) BOZAN, J. &amp; OUTROS A concise history of China. Beijing: Foreign Languages Press, 1981 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10) BUENO, A. Relações de Centro e Periferia na China Antiga. Texto para o Curso de Pós Graduação da UFF. Niterói: UFF, 2001. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11) CHANG, K. C. The archaeology of ancient China.  London: Yale University Press, 1968 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12) CHENG, A. Etudes sur le Confucionisme Han. Paris: IHAC, 1985 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13) CHIN, C.S. Economic History of China. Washington: Belligham, 1974. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14) CH’U, T. T. Han Social Structure. Washington: University Washington Press, 1972 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15) CIMINO, R. S. Rome and India. India: South Asia books, 1994. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______. et alli Ancient Rome and India: commercial and cultural contacts between the roman world and India. Nova Delhi; Munshiram Manoharial, 1996. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16) COEDES, G. Textes d’auters grecs et latins relatifs a L’Extreme Orient. NY: Ares Publishers, 1977. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17) COLLEDGE, M. The Partians. London: ed. Thames and Hudson, 1967. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18) COLLON, D. Parthians ans sasanians beyond the Euphrates. Berkeley: University California Press, 1995. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19) DABROWA, E. La politique d l’ etat a l’ egard du Rome et d’ Artaban II a Vologese I (II a.C. – 79 d.C.). Cracóvia: Université Jagiellonski, 1983. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______. “Les rapports entre Rome et les parthes sous Vespasian”. Syria, vol. 58 Paris, 1981 p. 187-204. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20) DAWSON, R. Sima Qian Historical Records. Oxford: Oxford University Press, 1994 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21) DEBEVOISE, N. A political History of Parthia. Chicago: U.C.P, 1969 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______. “The essentials characteristics of Parthian and Sassanian Glyptic art”. Bertyus, Vol. 1 Beirut, 1934 p. 12-19. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22) DE GRAZIA, S. Masters Chinese of political thought. NY: Viking, 1973 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23) EBREY, P. Chinese Civilization. New York: Free Press, 1993. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24) EKHOLM, K. &amp; FRIEDMAN, J. “Capital” imperialism and exploitation in ancient world systems”. In FRANK, A.G. e GILLS, B. K. The world system : five hundred years or five thousands?. London: ed. Routledge, 1993. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;25) ESCARRA, J. La Chine. Paris: Armand Colin, 1939 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;26) FERGUSON, J. China and Rome. ANRW, II, 9-2. 1978 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;27) FINLEY, M. A economia no mundo antigo. Lisboa: ed. Afrontamento, 1973. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;28) FINZI, C. Nos confins do mundo. Lisboa: ed.70, 1979. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;29)FLORENZANO, M. O Mundo antigo: economia e sociedade. São Paulo: Brasiliense, 1994. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;30) FRANK, A. G. e GILLS, B. K. The world system : five hundred years or five thousands?. London: ed. Routledge, 1993 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______. FRANK, A. G. “The modern World system revisited-rereading Braudel and Wallerstein” in SANDERSON, S. (org.) Civilization and world system. London: Altamira Press, 1995 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;31)FRANKE, H. &amp; TRAUZETEL, R. El Imperio Chino, Madrid: Col. Historia Universal siglo XXI, 1973, vol. 19. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;32)FREZOULS, E. “Quelque einsegnements du Periple de la mére Eryhtrée” in Ktema N.9 Strasbourg: V.S.H. 1984 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;33)FREZOULS, E. “Les relations romano-parthes avant l’epoque flavienne”. Ktema v.13 Strasbourg, 1993. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;34) FRYE, R. The Heritage of Persia. Cleveland: World Publisher, 1962. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______. The history of Ancient Iran. München: C.H.B. verlagbuchandlung, 1984 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;35) FUNARI, P. Antiguidade Clássica. Campinas: UNICAMP, 1998. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______. Cultura Popular na Antiguidade Clássica. SP: Contexto, 2000. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______. Grécia e Roma. SP: Contexto, 2001. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;36) GALES, E. Discourses on the salt and the iron. Leyden; E. Brill, 1931. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;37) GERNET, J. O Mundo Chinês. Lisboa: Cosmos, 1979. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;38) GRANET, M. A Civilização Chinesa. Rio de Janeiro: Otto Pierre, 1979. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______. O Pensamento Chinês. Lisboa: Contraponto, 1997. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;39) GRANT, M. Civilização Clássica. RJ: Zahar, 1994. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;40) GREENE, K. The archaeology of the roman economy. London; Batsford, 1978. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;41) GROUSSET, R. Histoire de la Chine. Paris: Fayard, 1942 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______. The rise and splendor of the Chinese empire. California: UCP, 1953 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______.  The Empire of the Steppes. NY: Barnes and Nobles, 1999 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;42) GUARINELLO, N. Imperialismo Greco-Romano. São Paulo: Ática, 1991. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;43) HOLT, F. Alexander the Great in Bactria. New York, 1995. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______.  Thundering Zeus. Berkeley: UCP, 1999. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;44) HOOKHAM, H. The Short History of China. USA: Mentor, 1972. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;45) HOPKINS, K. Conquerors and slaves. Cambridge: Cambridge University Press, 1978. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;46) HSU, C. Han agriculture: the formation of the early chinese agrarian economy. Seattle; University Washington press, 1980. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;47) XINRU, L. Ancient China and Ancient India: trade on religions exchange AD 1-600. Oxford: Oxford University Press, 1980. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;48) JANVIER, Y. “Rome et l’Orient lointain: le problemes des seres” in Ktema, N. 9, Strasbourg:  V.S.H., 1984 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;49) JAROCKA, M. L. "As relações entre a Índia e a Grécia antes e depois de Alexandre" in Textos de cultura clássica. Brasil: SBEC, 1991. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;50) JOPERT, R. O Alicerce Cultural da China. Rio de Janeiro: Avenir, 1979. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;51) KALTENMARK, O. La literature Chinoise. 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Lisboa: Edições 70, 1987. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______.  A aventura grega. Lisboa: Cosmos, 1979. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;59) LOVE, J.R. Antiquity and Capitalism. London: Routledge, 1991 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;60) LOEWE, M. Imperial China. London: George Allen, 1966 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______. Crisis and Conflict in Han Dinasty. London: George Allen, 1974 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______.  Everyday life in Early Imperial China. London: Batsford, 1968 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______. Records of Han administration. Cambridge: Cambridge University Press, 1967 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;61) MAIER, F. G. Las transformaciones del mundo mediterráneo. Historia Universal Siglo XXI, España, 1978 Vol. 9 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;62) MASPERO, H. La Chine Antique. Paris: Presses Universite de France, 1965. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;63) MAZAHERY, A . “L’origine chinoise de la balance “romaine” in Analles 15o n. 5. Paris: Armand Colin, 1960 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_______. La Route de Soie. Paris: Papyrus, 1983. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;64) MCEVEDY, C. Atlas de História Antiga. Lisboa: Verbo, 1990. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;65) MENDES, N. M. “As relações políticas entre o Princeps e o Populus romanorum através do transcrito público”. P.39-49 Helade 2 (1), 2001 em www.heladeweb.com &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_____.  Roma republicana. SP: Ática, 1988. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;66) MICHULIN, A.V. História da Antigüidade. Lisboa: Centro do Livro Brasileiro, s/d. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;67) MOMIGLIANO, A. Os limites da Helenização. RJ: Zahar, 1991. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;68) MONTENEGRO, A. Historia de la China Antigua. Madrid: Istmo, 1974 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;69) MORTON, W.S. China – história e cultura. RJ: Zahar, 1986. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;70) MUQI, C. The silk road, past and present. Beijing: Foreign languages press, 1989 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;71) MUSEUM OF SINKIANG UIGHUR AUTONOMOUS REGION The Silk road, fabrics from the Han to the Tang Dynasty.  San Francisco, 1973 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;72) NASH, D. “Imperial expansion under the roman republic” in ROWLANDS, M. et alli. Center and Periphery in the Ancient World. Cambridge: Cambridge University Press, 1987 p.87-104. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;73) NEEDHAM, J. Science and civilization in China. London: Cambridge University Press, 1976 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;74) NICOLET, C. Space, geography and politic in the early roman empire. Michigan: Michigan University Press, 1994. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;75) NIENHAUSER, W. et alli The Grand Scribe's Records. Indiana: IUP, 1994 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;76)PAN KU, SWANN, L. Food and Money in Ancient China. New York: Hippocremerbook, 1972. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;77)PALUDAN, A . Chronicle of the Chinese Emperors. London: Thames and Hudson, 2000 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;78) PAYNE, R. The splendor of Persia. New York: Knopf, 1957. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;79)PETIT, P. O Mundo Antigo. Lisboa: Círculo dos leitores, 1977. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;80)POLAYNI, K. et alli. Comercio y Mercado en los imperios antiguos. Barcelona; Labor, 1976. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;81)REID, S. As Rotas da Seda – Invenções e Comércio. Lisboa: Estampa – UNESCO, 2000. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_____.  As Rotas da Seda – Os caminhos marítimos. Lisboa: Estampa – UNESCO, 2000. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_____.  As Rotas da Seda – Culturas e Civilizações. Lisboa: Estampa – UNESCO, 2000. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;82) ROBERT, J. N. Sur les routes de soie au temps de cesars. Paris: Belles Lettres, 1993. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______. De Roma a China. Barcelona: Humanidades, 1996. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;83) ROWLANDS, M. et alli. Center and Periphery in the Ancient World. Cambridge: Cambridge University Press, 1987 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;84) ROSTOVTZEFF, M. História de Roma. RJ: Zahar, 1979. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;85) SANDERSON, S.K. &amp; alli  Civilizations and World System. London: Altamira, 1995 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;86) SCHNEIDER, J. “Was there pre-capitalist world system?” in Pisant studies, vol. VI, n.1 Cambridge University, 1977 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;87) SORABJEE, H. Beyond the Himalayas. In search of the ancient silk route. Mumbai: Kamlesh Shah, 1999 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;88) STRATHERN, P. S. As Rotas da Seda – Os caminhos terrestres. Lisboa: Estampa – UNESCO, 2000. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;89)TANG, R. &amp; COLOMBEL, P. “A rota marítima da seda”. Correio da Unesco, N.8 Brasil, 1984. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;90) TEGGART, F. Rome  and China. California: UCP, 1969 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;91) TCHERNIA, A. “Moussons et Monnaies: les voies de commerce entre le monde gréco-romaine et l’inde”. In Analles N.5 Paris, 1995 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;92) THORLEY, F. “The silk trade between China and the Roman Empire at his height, circa A.D. 90-130” in Greece &amp; Rome  London: Thames &amp; Hudson, 1971 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______. “The Roman Empire and the Kushans” in Greece &amp; Rome N.2 Oxford: Oxford Press, 1979 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;93) VEYNE, P. “Rome devant la pretendue fuite de l’ or: mercantilisme ou politique disciplinarie?” in Annales N.2  Paris: ESC, 1979 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;94) VOLLMER, J. Silk Roads, China Ships. Toronto: Ontario Museum, 1983-84. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;95) YONG, M. “A rota da seda” in Correio da Unesco Brasil n°8, 1984. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;96) YU, Y.S. Trade and expansion in Han China. L.A.: Berkeley, 1967 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;97) WALLERSTEIN, I. The modern world system capitalist agriculture and the origins of the European world-economy in the sixteenth century. New York: ed. Academic press, 1974 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;98) WARMINGTON, E. The commerce between Roman Empire and India. New Delhi: MLBN, 1995. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;99) WATSON, B. Early Chinese Literature. Columbia: Columbia University Press, 1960. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;100) WATSON, W. China Antiga. Lisboa: Verbo, 1969. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;101) WHEELER, Sir M. Rome beyond the Imperial frontiers. London: Penguin books, 1955 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;102) WILBUR, C.M. Slavery in China during the former Han Dynasty. Chicago: Field Museum of Natural History, 1943 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) WEBGRAFIA &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) FONTES PRIMÁRIAS &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) ANONIMO Périplo do Mar Eritreu. In www.fordham.edu/halsall/india  Trad. W. Schoff. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) ARDASHIR Karnamik I Ardashir. In www.fordham.edu/halsall/ancient  Trad. C. Horne. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) AUGUSTO Res Gestae. In www.classic.mit.edu  Trad. T. Bushell. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) BAN GU Han Shu. In www.eshunet.com &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) ESTRABÃO Geography. In www.perseus.tufts.edu  s/t. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_____.  Geography. In www.classic.mit.edu   Trad. H. L. Jones &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6) HIRTH, F.H. China and the Roman Orient: Researches into their Ancient and Medieval Relations as Represented in Old Chinese Records Shanghai &amp; Hong Kong, 1885 p. 35-96 In www.fordham.edu/halsall/eastasian  – que contém os seguintes extratos utilizados neste trabalho: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            a) SIMA QIAN Shi ji, CXXIII &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            b) BAN GU Han shu (Qien Han shu), XCVI &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            c) FAN YE Hou Han shu , LXXXVI - LXXXVIII &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            d) YU HUAN Wei lu (s/numeração) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            e) FAN QIAO Jin shu, XCVII &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            f) SHEN YUE Song shu, XCVII &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            g) YAO CHA Liang shu, LIV   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partes destes textos pode ser encontrado de modo completo em Silk Roads Narratives. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7) PAUSANIAS History – Descriptions of Greece. In www.perseus.tufts.edu  Trad. H. Jones &amp; H. Ormerod. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8) PTOLOMEU Geography. In www.ukans.edu . Trad. K. Muller. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9) PLINIO VELHO Natural History. www.ukans.edu  H. Mayhoff. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10) SIMA QIAN Shi Ji. In www.eshunet.com &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11) SUETONIUS. De Vita Caesarum. In www.stoa.org/suetonius  s/t. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12) TACITUS Anais. In www.classic.mit.edu  Trad. A. Church &amp; W. Bradribb. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13) YAO CHA Liang Shu. In www.eshunet.com&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7242339186088406966-8782115518683901868?l=rotasdomundoantigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/feeds/8782115518683901868/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7242339186088406966&amp;postID=8782115518683901868' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7242339186088406966/posts/default/8782115518683901868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7242339186088406966/posts/default/8782115518683901868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rotasdomundoantigo.blogspot.com/2007/07/bibliografia.html' title='BIBLIOGRAFIA'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
